domingo, 30 de maio de 2010

Acaba LOST - hora de dizer adeus.


Antes de partir para a explicação final de LOST, a melhor série de todos os tempos (para mim, lógico, e para milhares de maníacos pela série ao redor do mundo), devo admitir que errei bastante nas minhas especulações. Sim, porque quem acompanhou a história desde o momento em Jack abre os olhos até o momento em que ele os fecha definitivamente no mesmo local em que tudo começa, pôde perceber que não se criou uma nova dimensão com a explosão da Bomba H (como eu imaginava). Também desejo, primeiro, agradecer pelo final que foi surpreendende e lamentar pelo vazio que me deixa o término do seriado: foram 6 anos (SEIS ANOS) de mistério, emoção, ansiedade e especulações!!! O que será de nós agora sem aqueles magníficos personagens e sem a assombrosa ilha? Não mais tão assustadora assim agora que tudo nos foi revelado.

E que TUDO é esse? Bem, partamos para as explicações.


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Para entender LOST, é necessário que esteja claro que a sua construção enquanto série, ou seja, literalmente falando, a sua edição, a ordem de suas cenas, teve como base o movimento: primeiro o movimento que se dava entre a ação na ilha e as recordações de fora da ilha (flash-backs); o segundo entre a ação na ilha e o futuro (quando Jack, Kate, Hurley, Said e Sun partem no helicóptero); o terceiro, entre a vida daqueles que não conseguíram sair da ilha e a dos que saíram e tentam voltar; e finalmente o quarto: que se deu entre a continuidade dos acontecimentos na ilha e a reconstrução da vida dos personagens em uma outra dimensão, que não foi criada com a Bomba H, mas "sempre existiu", a dimensão pós-morte.

Como, durante toda a série, nos jogaram de um tempo a outro, ora presente, ora futuro, ora um mesmo presente em diferentes espaços, fomos levados, propositadamente, acredito, ao engano de que Jack teria conseguido criar uma nova dimensão com a explosão da bomba de hidrogênio, o que não ocorreu. O resultado daquela explosão foi apenas a volta dos personagens para a década em que eles caíram na ilha, de 1970 a 2007 e, claro, a morte de Juliet. Após esse acontecimento, as cenas que se dão fora da ilha são chamadas flash-sideways, acontecem em uma dimensão pós-morte a que eu chamaria "passagem".

A partir de afirmações como a do Lock, por exemplo, que diz a Jack que esse não possui um filho, podemos deduzir que aquela dimensão nada mais é do que um período de adaptação e aceitação da morte, em que os personagens devem reconstruir a sua vida, com modificações por eles mesmos criadas daquilo que eles devem superar, isto é, o que deu errado na dimensão terrena, material, física. Jack inventou um filho, pois só assim poderia entender seu pai, colocar-se no lugar dele para poder perdoá-lo e seguir em frente; Sawyer precisava encontrar a si mesmo, encontrar James sua verdadeira identidade, que foi transfigurada devido a seu trauma de infância; Said tinha que reconhecer que era bom, apesar de seu passado negro de torturador, Hurley despir-se de sua condição de azarado, e assim por diante.

As dúvidas são ligeiramente sanadas com a afirmação do dr. Shepard, pai de Jack, que diz ao filho "uns morreram antes, outros depois e outros muito depois de você". Sendo assim, podemos afirmar que tudo o que acontece na ilha se dá mesmo no mundo terreno, e é lá que morrem Boonie, Shannon, Eco, Ana Lucia (que, segundo Desmond, não estava pronta para fazer a travessia, ou seja, sair da "passagem" e seguir adiante como os demais), Jacob dentre outros até, finalmente, o próprio Jack.

Jack salva a ilha e o mundo, visto que se revelou a ilha o começo de tudo, o equilíbrio entre o bem e o mal, sendo isso o que representa a luz. Depois de Jacob e o curtíssimo, porém vitorioso, reinado de Jack, coube a Hurley a pesada missão de proteger a ilha, tendo Ben como seu auxiliador, pelo menos a princípio, não se sabe se por 5, 10 ou 1000 anos. Também não sabemos como e por quanto tempo viveram Kate, Sawyer, Clair e Miles. O que sabemos é que a série terminou lindamente com a intercalação, claro, não poderia ser diferente, entre o reencontro dos personagens, a maioria deles, no pós-morte e a morte de Jack, que fecha pela última vez os olhos no mesmo lugar em que os abriu pela primeira vez na ilha.

Se a ilha permitiu que todos parassem e refletissem sobre suas vidas, serviu ela também como leito eterno para o corpo de muitos deles, incluindo Jack, que falece no mesmo ponto de partida em que começou atordoado e perdido a socorrer os demais passageiros do Oceanic 815, onde começou a sua trajetória por si mesmo. Agora, no fim da série, ele retorna para o mesmo lugar e morre vendo o mesmo céu, só que dessa vez com a grande diferença de que não é mais o mesmo Jack, não está mais perdido, então pode renascer feliz por ter encontrado e cumprido eficientemente a sua missão salvando a todos, a si mesmo, a seus amigos e a sua amada Kate.

É... a aventura desses incríveis e ricos personagens acabou. A nossa continua, todavia. Continuamos em busca do significado da nossa ilha. Continuamos a procura de nós mesmos. Ainda nos falta superar os próprios erros, a perdoar os que nos magoaram e a nos desculpar com quem ofendemos. Ainda temos medo da morte e esperamos, quem sabe, reencontrar aqueles que amamos e não estão (estarão) mais entre nós, em um lugar onde não haja espaço para cobranças, vergonha e rancor.

“See you in another life, brothers!”

Marcela T. Barbosa

Não ficou satisfeito? Mais explicações em: http://obalcao.wordpress.com/2010/05/24/acaba-lost/
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Furos de Lost (perguntas que ficaram sem resposta):

1- Por que as mulheres que engravidavam na ilha morriam no parto junto de seus bebês?

2- O que significa afinal aquela cinza que impede a fumaça negra de entrar?

3- Se a fumaça só pode tomar a imagem de quem morreu, como se explica a cena em que Walt aparece para Lock?


A lista aumentará com certeza conforme eu for lembrando dos furos....