<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125</id><updated>2012-02-16T05:17:02.941-08:00</updated><title type='text'>MartigoS</title><subtitle type='html'>Neste blog você encontra artigos dos mais variados temas: educação, literatura, filmes, política, imprensa dentre outros.
O blog também está aberto a produções literárias: de prosa a poesia.
Sejam BEM-VINDOS todos os AMANTES da ARTE e de todas as demais formas de manifestação do PENSAMENTO e da ALMA!!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-8403102085383521764</id><published>2010-05-30T08:25:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T08:03:24.130-07:00</updated><title type='text'>Acaba LOST - hora de dizer adeus.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/TAK46k8za3I/AAAAAAAAAV4/a41pUHjQnB4/s1600/lost-logo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477143413326572402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/TAK46k8za3I/AAAAAAAAAV4/a41pUHjQnB4/s400/lost-logo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de partir para a explicação final de LOST, a melhor série de todos os tempos (para mim, lógico, e para milhares de maníacos pela série ao redor do mundo), devo admitir que errei bastante nas minhas especulações. Sim, porque quem acompanhou a história desde o momento em Jack abre os olhos até o momento em que ele os fecha definitivamente no mesmo local em que tudo começa, pôde perceber que não se criou uma nova dimensão com a explosão da Bomba H (como eu imaginava). Também desejo, primeiro, agradecer pelo final que foi surpreendende e lamentar pelo vazio que me deixa o término do seriado: foram 6 anos (SEIS ANOS) de mistério, emoção, ansiedade e especulações!!! O que será de nós agora sem aqueles magníficos personagens e sem a assombrosa ilha? Não mais tão assustadora assim agora que tudo nos foi revelado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;E que TUDO é esse? Bem, partamos para as explicações.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para entender LOST, é necessário que esteja claro que a sua construção enquanto série, ou seja, literalmente falando, a sua edição, a ordem de suas cenas, teve como base o movimento: primeiro o movimento que se dava entre a ação na ilha e as recordações de fora da ilha (flash-backs); o segundo entre a ação na ilha e o futuro (quando Jack, Kate, Hurley, Said e Sun partem no helicóptero); o terceiro, entre a vida daqueles que não conseguíram sair da ilha e a dos que saíram e tentam voltar; e finalmente o quarto: que se deu entre a continuidade dos acontecimentos na ilha e a reconstrução da vida dos personagens em uma outra dimensão, que não foi criada com a Bomba H, mas "sempre existiu", a dimensão pós-morte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como, durante toda a série, nos jogaram de um tempo a outro, ora presente, ora futuro, ora um mesmo presente em diferentes espaços, fomos levados, propositadamente, acredito, ao engano de que Jack teria conseguido criar uma nova dimensão com a explosão da bomba de hidrogênio, o que não ocorreu. O resultado daquela explosão foi apenas a volta dos personagens para a década em que eles caíram na ilha, de 1970 a 2007 e, claro, a morte de Juliet. Após esse acontecimento, as cenas que se dão fora da ilha são chamadas &lt;em&gt;flash-sideways&lt;/em&gt;, acontecem em uma dimensão pós-morte a que eu chamaria "passagem". &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A partir de afirmações como a do Lock, por exemplo, que diz a Jack que esse não possui um filho, podemos deduzir que aquela dimensão nada mais é do que um período de adaptação e aceitação da morte, em que os personagens devem reconstruir a sua vida, com modificações por eles mesmos criadas daquilo que eles devem superar, isto é, o que deu errado na dimensão terrena, material, física. Jack inventou um filho, pois só assim poderia entender seu pai, colocar-se no lugar dele para poder perdoá-lo e seguir em frente; Sawyer precisava encontrar a si mesmo, encontrar James sua verdadeira identidade, que foi transfigurada devido a seu trauma de infância; Said tinha que reconhecer que era bom, apesar de seu passado negro de torturador, Hurley despir-se de sua condição de azarado, e assim por diante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As dúvidas são ligeiramente sanadas com a afirmação do dr. Shepard, pai de Jack, que diz ao filho "uns morreram antes, outros depois e outros muito depois de você". Sendo assim, podemos afirmar que tudo o que acontece na ilha se dá mesmo no mundo terreno, e é lá que morrem Boonie, Shannon, Eco, Ana Lucia (que, segundo Desmond, não estava pronta para fazer a travessia, ou seja, sair da "passagem" e seguir adiante como os demais), Jacob dentre outros até, finalmente, o próprio Jack.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jack salva a ilha e o mundo, visto que se revelou a ilha o começo de tudo, o equilíbrio entre o bem e o mal, sendo isso o que representa a luz. Depois de Jacob e o curtíssimo, porém vitorioso, reinado de Jack, coube a Hurley a pesada missão de proteger a ilha, tendo Ben como seu auxiliador, pelo menos a princípio, não se sabe se por 5, 10 ou 1000 anos. Também não sabemos como e por quanto tempo viveram Kate, Sawyer, Clair e Miles. O que sabemos é que a série terminou lindamente com a intercalação, claro, não poderia ser diferente, entre o reencontro dos personagens, a maioria deles, no pós-morte e a morte de Jack, que fecha pela última vez os olhos no mesmo lugar em que os abriu pela primeira vez na ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a ilha permitiu que todos parassem e refletissem sobre suas vidas, serviu ela também como leito eterno para o corpo de muitos deles, incluindo Jack, que falece no mesmo ponto de partida em que começou atordoado e perdido a socorrer os demais passageiros do Oceanic 815, onde começou a sua trajetória por si mesmo. Agora, no fim da série, ele retorna para o mesmo lugar e morre vendo o mesmo céu, só que dessa vez com a grande diferença de que não é mais o mesmo Jack, não está mais perdido, então pode renascer feliz por ter encontrado e cumprido eficientemente a sua missão salvando a todos, a si mesmo, a seus amigos e a sua amada Kate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É... a aventura desses incríveis e ricos personagens acabou. A nossa continua, todavia. Continuamos em busca do significado da nossa ilha. Continuamos a procura de nós mesmos. Ainda nos falta superar os próprios erros, a perdoar os que nos magoaram e a nos desculpar com quem ofendemos. Ainda temos medo da morte e esperamos, quem sabe, reencontrar aqueles que amamos e não estão (estarão) mais entre nós, em um lugar onde não haja espaço para cobranças, vergonha e rancor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“See you in another life, brothers!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela T. Barbosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ficou satisfeito? Mais explicações em: &lt;a href="http://obalcao.wordpress.com/2010/05/24/acaba-lost/"&gt;http://obalcao.wordpress.com/2010/05/24/acaba-lost/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Furos de Lost (perguntas que ficaram sem resposta):&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Por que as mulheres que engravidavam na ilha morriam no parto junto de seus bebês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- O que significa afinal aquela cinza que impede a fumaça negra de entrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Se a fumaça só pode tomar a imagem de quem morreu, como se explica a cena em que Walt aparece para Lock?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A lista aumentará com certeza conforme eu for lembrando dos furos....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-8403102085383521764?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/8403102085383521764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2010/05/antes-de-partir-para-explicacao-final.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8403102085383521764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8403102085383521764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2010/05/antes-de-partir-para-explicacao-final.html' title='Acaba LOST - hora de dizer adeus.'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/TAK46k8za3I/AAAAAAAAAV4/a41pUHjQnB4/s72-c/lost-logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-9221684258960662272</id><published>2009-10-10T11:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T12:16:47.698-07:00</updated><title type='text'>Alícia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/StDdQOYWLBI/AAAAAAAAAVY/wKL8VILFukI/s1600-h/mulherflor1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391052024770341906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/StDdQOYWLBI/AAAAAAAAAVY/wKL8VILFukI/s320/mulherflor1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alicia é uma menina boba, muito boba. Ela se apaixonou. Mas não é boba por isso. É boba, porque o deixou ir assim... indo, porque foi assim que ele quis. É boba, porque não se jogou nos braços dele na primeira e única oportunidade que teve. É boba, porque não se humilhou para ele, não pôs a sua auto-estima no chão para que ele pisasse. É boba, porque não ofereceu a si, como se oferece um doce a uma criança. A Alícia é boba, porque ela não é como as outras. É boba porque ainda possui seu amor platônico. Porque ainda é criativa para chamar atenção. Porque ainda é romântica para chamar a atenção. Porque é cuidadosa. Porque é respeitosa. Porque, porque é ainda gente: gen-te. Alícia é ainda mulher. Dizem as amigas: coitada de Alícia, como é boba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-9221684258960662272?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/9221684258960662272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/alicia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/9221684258960662272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/9221684258960662272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/alicia.html' title='Alícia'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/StDdQOYWLBI/AAAAAAAAAVY/wKL8VILFukI/s72-c/mulherflor1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5484136340173759625</id><published>2009-10-07T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T17:25:02.575-07:00</updated><title type='text'>Oração</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Ss0w2yF864I/AAAAAAAAAVQ/dCrDsJzGKPU/s1600-h/oaracao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390018046750157698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 313px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Ss0w2yF864I/AAAAAAAAAVQ/dCrDsJzGKPU/s320/oaracao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não são todos que confiam no poder da oração. Naquele momento em que, ajoelhado ou sentado, deitado ou em pé, mirando o escuro de olhos fechados ou o belo de olhos abertos, nos concentramos em Deus, abrimos o nosso coração e nos revelamos para Ele. Este texto é para quem acredita no poder desse ato, para quem se ajoelha ou se ergue com os pensamentos no Divino pelo menos uma vez por dia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada um precisa encontrar a sua maneira certa de orar, mas há atitudes que são fundamentais. A mais importante é despir-se completamente de toda a hipocrisia e dizer quem se é e o que se sente. Se sente ódio, diga. Se sente inveja, diga. Se se acha melhor do que os outros, confesse. Confesse. E se no pior de tudo, admitir que não sente no coração vontade de melhorar os defeitos, peça para melhorar mesmo assim, com a razão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro fator importante é orar por quem se odeia, se inveja, mesmo que se tenha de admitir na oração que não existe no coração vontade para tal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não peça nada feito, acabado. Não peça para ser rico, para ganhar dinheiro, para casar, para curar. Peça o merecimento. Peça para que Deus o ajude a se tornar uma pessoa merecedora da riqueza, merecedora do casamento, merecedora da cura. Peça para que Deus o ajude a ser para ter. Porque sendo, se tem. E quando se é, talvez não se queira mais ter tanto assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheça e aceite a sua transformação por Deus. Receba o que mereceu. Agradeça, agradeça, agradeça até o fim dos seus dias, porque muito depende de Deus, porém mais de você. Da disposição para mudar, para evoluir, para se elevar. Agradeça pelas pedras no caminho. Agradeça por cada pedra, e olhe muito bem para elas, pois se observar bem, verá que não eram apenas pedras. Atente-se para as coincidências, pois não são coincidências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E por fim. Reconheça a grandiosidade da sua vida. Ao contrário do que você pensa, podemos ser maiores ainda que o universo, visto que há todos os universos dentro de nós, já que  Deus está dentro nós.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5484136340173759625?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5484136340173759625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/oracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5484136340173759625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5484136340173759625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/oracao.html' title='Oração'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Ss0w2yF864I/AAAAAAAAAVQ/dCrDsJzGKPU/s72-c/oaracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-629157556145026993</id><published>2009-10-02T13:53:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T16:59:09.237-07:00</updated><title type='text'>Viver a vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SsZ2VqcVANI/AAAAAAAAAVI/p2yxmbZXYJE/s1600-h/rio+aereo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388124118737813714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SsZ2VqcVANI/AAAAAAAAAVI/p2yxmbZXYJE/s400/rio+aereo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez me disseram que a vida é um rio de frustrações: elas mentiram. Não mentiram por serem ruins, mas porque não descobriram a verdade, que é aquela que está a nossa frente e não a que ficou para trás. Ao carregar o que nos foi negado, ao levar nas costas, nas costas não, no peito, as derrotas, não estamos vivendo, mas morrendo, porque a vida não é fracasso, mas superação, até mesmo dos fracassos. E aí se percebe que superando o fracasso não há fracasso que resista, que exista.&lt;br /&gt;Se a vida é uma ilusão, porque nada há, sendo que tudo passa, ela é o que acreditamos, então eu acredito em Deus e que, nos tempos de PAZ, temos a benção de poder lutar pela vida, pelo sonho e não somente sobreviver. E é isso tudo o que temos, porque quando se morre não se leva casa, jóia, carro, animais ou pessoas: a gente leva a gente mesmo e, com a gente, o sonho.&lt;br /&gt;A vida de verdade não é o sonho realizado, porque o pobre vê o seu sonho ser vivido pelo que é rico, e o rico solitário vê o seu sonho realizado na família do pobre. A vida de verdade é o querer chegar, é viajar em busca do que mais se deseja, e o que mais se deve desejar é a si mesmo, porque o pobre pode alcançar a riqueza e o rico à família, mas viajar em busca de si é viver para sempre, porque nunca se chega a si, nunca se encontra a si, nunca se acaba a si.&lt;br /&gt;Viver a vida é estar em constante movimento, é ser uma metamorfose ambulante, é quando chegar, descobrir que não se chegou a lugar algum, é estar numa elipse e não no linear. Viver a vida é não ser atropelado pelo fracasso, mas atropelá-lo, é brigar com Deus e depois quebrar a cara, porque Deus não colocou ninguém aqui para acertar, muito menos para ser feliz. Deus colocou gente aqui para errar, mas não só isso, para aprender com os erros! E se errar é viver, acertar depois de um erro ou acertar de primeiro é mais ainda! Mas para tal é preciso arriscar!&lt;br /&gt;A vida é deixar um texto pela metade, é deixar uma vida pela metade, porque é o máximo que se pode chegar... à metade.&lt;br /&gt;Não há rios de frustrações, há frustrações transformadas em rios e rios podem ser desviados para bem longe de nós!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-629157556145026993?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/629157556145026993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/uma-vez-me-disseram-que-vida-e-um-rio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/629157556145026993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/629157556145026993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/10/uma-vez-me-disseram-que-vida-e-um-rio.html' title='Viver a vida'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SsZ2VqcVANI/AAAAAAAAAVI/p2yxmbZXYJE/s72-c/rio+aereo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-3478429143464300261</id><published>2009-09-14T13:10:00.000-07:00</published><updated>2010-03-02T17:36:22.143-08:00</updated><title type='text'>Moinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sq6hvvwFBPI/AAAAAAAAAVA/zaSzOXhdr1Q/s1600-h/a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381416446398366962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sq6hvvwFBPI/AAAAAAAAAVA/zaSzOXhdr1Q/s400/a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para que a sua paixão se torne duvidosa, basta se apaixonar.&lt;br /&gt;(eu mesma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Esperava achá-lo feio como na primeira vez em que o viu, mas ele estava de costas e grande foi a decepção por notá-lo ainda mais lindo. Cruzou rapidamente o pátio da escola, porque sabia que ele daria aula às nove, e ficou aguardando do lado de fora do prédio pela sua passagem. Em câmera lenta, mas fugaz, com um embrulho na mão, os cabelos amarrados, os olhos azuis a mirarem-na por um único instante, que não se agarra com as mãos, mas com o coração... triste, visto que já se desviou sem notar os olhos que o acompanharam fixamente.&lt;br /&gt;O ir para a escola se tornou outro: nunca mais se esteve na sala de aula. A vida era agora esperar, como uma grávida, esperava por ele, esperava-o, dentro de si, mesmo estando ele fora.&lt;br /&gt;E como explicar que o amor existe no mundo de carne e carne dos adolescentes? E como mostrar aos demais que não se tratava daquilo, mas de um querer doído e bom que não acaba nem quando ela não mais o pode ver, com os olhos? O amor era tão forte, tão intenso que precisava se livrar dele, senão morreria, ah! morreria... morreria com gosto, agonizando eternamente...&lt;br /&gt;E para não morrer escreveu, escreveu, escreveu, deitando nos papéis o seu amor escondido e covarde, porque os papéis não tinham que entender nada, porém a julgariam mais tarde pela falta de atitude. Mas que atitude se pode ter quando se é apenas uma adoscescente perante um homem? São mil tabus e um milhão de preconceitos contra o grande, enorme, imensurável amor de uma adolescente, visto como uma paixonite da idade.&lt;br /&gt;Esperava não sentir mais aquele saudosismo do que não foi quando ele passou... mas sentiu... inevitável. Mais um ser humano derrotado pelo amor. Uma adolescente derrotada.&lt;br /&gt;Der-ro-ta-da!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-3478429143464300261?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/3478429143464300261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/09/moinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3478429143464300261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3478429143464300261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/09/moinho.html' title='Moinho'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sq6hvvwFBPI/AAAAAAAAAVA/zaSzOXhdr1Q/s72-c/a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-7588984786387969432</id><published>2009-08-31T11:12:00.001-07:00</published><updated>2009-08-31T11:35:38.761-07:00</updated><title type='text'>O peregrino do ser em "Peregrinação de Barnabé das Índias", um romance de Mário Cláudio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SpwVNQygJuI/AAAAAAAAAM4/kIkNJEXSMPs/s1600-h/Amos_3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 327px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SpwVNQygJuI/AAAAAAAAAM4/kIkNJEXSMPs/s400/Amos_3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376195372762801890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Profeta Amós, Gustave Doré&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CM267.749%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="City"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="place"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt; 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Introdução&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt; é o romance do escritor contemporâneo português Mário Cláudio, nascido em 1941, na cidade do Porto, e o objeto,deste trabalho que conta a história de dois instigantes personagens: Vasco da Gama, obviamente uma reconstrução do grande herói lusitano dos séculos XV e XVI, capitão da armada que desvendou o caminho marítimo para as Índias; e Barnabé, esse totalmente fictício, judeu nascido em Ucanha e marujo da nau São Rafael. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A partir dessas informações e do título do livro, podemos deduzir que o enredo se desenvolve tendo como foco principal a “peregrinação” - a vida - do homem, que, na obra analisada, caracteriza-se, dentre muitas outras coisas, por encontrar-se à margem da sociedade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Barnabé aparece pela primeira vez aos olhos do leitor vestindo andrajos e já bastante idoso. Ele surge como um pedinte à porta da casa de seu antigo comandante Vasco da Gama, que, além de velho, encontra-se com problemas de saúde. O encontro entre os dois é o ponto de partida para o desenrolar dos próximos capítulos, que são construídos já em outro tempo e outros espaços. &lt;i&gt;As Neves&lt;/i&gt;, primeiro capítulo do romance, apresenta os respectivos personagens e introduz a história pelo fim que está próximo: a morte. A essa altura ambos já percorreram um longo percurso.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Caracterizada pela fragmentação, a narrativa não se limita à fronteiras fixas entre tempo e espaço, logo o leitor se verá circulando entre o presente e o passado dos personagens, como acontece em &lt;i&gt;As Neves&lt;/i&gt;, em que somos transportados da velhice de Vasco da Gama para a sua infância. No decorrer da história, todavia, o tempo tende a se estabilizar no passado ao encontro dos personagens, e a seguir a trajetória de ambos até que se chegue novamente à velhice dos dois. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Outro elemento significativamente relevante na composição da história, e que continua a variar, é o foco narrativo, ora em primeira pessoa, Barnabé, ora em terceira. Esses se intercalam grande parte do enredo, possibilitando aos leitores realizar a sua própria “peregrinação” pela história escrita por Mário Cláudio, visto que podem ocupar diferentes posições: acompanhando o narrador onisciente estamos ora como que à espreita, distanciados o suficiente para conhecermos os afazeres e o exterior dos personagens, ora próximos em demasia, espionando o que se passa dentro dos mesmos, os seus mais profundos sentimentos, sejam esses nobres ou constrangedores. Ao lermos, porém, o narrador-personagem, temos uma interpretação que se tece do interior para o exterior, e não o contrário, ou seja, tudo parte da visão do personagem sobre o que ele vive e presencia. Isso significa que conhecemos os fatos a partir de suas crenças, suas emoções, suas convicções sobre o mundo que o cerca, o que quer dizer que estamos ainda mais próximos do mesmo e de suas experiências. Sentimos maior proximidade com o mesmo: ele se revela diretamente para nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;A troca de narradores, comum nas obras de Mário Cláudio, é um importante fator para que as situações vividas pelos personagens, assim como eles próprios, sejam mais explorados, já que permite a movimentação, ou pelo menos dá essa impressão, do leitor pelo que é narrado por diferentes ângulos. Tal recurso auxilia a elevação da reconstrução da experiência humana ao máximo, o que, segundo Walter Benjamim, deve ocorrer na forma romance: “Escrever um romance significa, na descrição de uma vida humana, levar o incomensurável a seus últimos limites. Na riqueza dessa vida e na descrição dessa riqueza o romance anuncia a profunda perplexidade de quem o vive” (BENJAMIM, 1985. p. 201).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Podemos, portanto, dizer que em &lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt; o leitor embarca nas “viagens”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; junto aos personagens, percorrendo pelos mais densos questionamentos inerentes ao homem: o sentido da vida e a origem e superação, ou não, de seus medos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O início da passagem de qualquer ser humano pela vida começa obviamente na infância, a partir do momento em que nos conscientizamos de nossa existência. Nem Vasco da Gama tampouco Barnabé das Índias tiveram um começo marcado pela segurança e estabilidade entre as relações afetivas. Aquele é separado muito cedo de seu pai, Estevão, por ser considerado traidor do reino. O futuro capitão da São Rafael presencia não apenas a humilhação tanto física quanto moral daquele que lhe pôs no mundo, como também o desespero de seu irmão Paulo da Gama após à morte de seu pai, manifestado pelo estranho comportamento de sempre atravessar a nado a Praia Nova, levando a sociedade a vê-lo como louco:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Mas quando vieram buscar Estevão, seu pai, foi como se um búzio se tivesse estilhaçado, e o eco do mar se calasse para sempre. (...) E por uma fresta da porta viu passar o autor de seus dias, escoltado por dois gigantes que à compita lhe arrepelavam os cabelos, e o insultavam de judeu, de bonitrate e traidor. (...) Doía-se do afastamento do irmão (...) que afirmavam ter endoidecido e viver numa cisma de morte e redenção, a grandes braçadas nadando contra redemoinhos funestos da Praia Nova (CLÁUDIO, 1998, pgs. 26, 27 e 28).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Não busca este trabalho justificativas, através das experiências da infância, para o medo e a insegurança que se apossarão de Vasco da Gama por toda a vida, mas nos interessa apontá-los como características próprias não só desse personagem, mas do homem, cabendo a cada um ou superá-las e ascender como criaturas, ou tornar-se prisioneiro delas, como acontece com aquele: “Mas assola-lhe um caos a inteireza da envergadura, e torcem-ce-lhe os intestinos, num espasmo sem saída, e defluem as correntezas da transpiração a perlar-lhe as barbas sem cãs de cavaleiro de vinte e nove anos” (CLÁUDIO, p. 26).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;É no seu irmão Paulo da Gama que deposita o comandante a sua auto-confiança: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Um pacto secreto parecia unificar dois deles, patenteando-se ao menos sensível que se não cada um sem a sombra fraternal. (...) A passos longuíssimos marchava como se não bastantemente seguro das suas obrigações, e após a frase dirigida a um capataz buscava os olhos do irmão Paulo que a curta distância o ia seguindo (CLÁUDIO, p. 100).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O clima de insegurança será, conseqüentemente, agravado, “Pouco a pouco compreendera que andava o pânico que o transtornava a contaminar a população” (CLÁUDIO, p. 39). Além disso, o percurso para a Índia será marcado pelo ambiente confuso e cheio de hostilidades na relação tanto hierárquica, em que os marujos são tratados com desprezo e alcunhados pelos superiores, quanto entre os próprios marujos: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;e se nos pregavam pontapé, o que a todo instante se sucedia, porfiávamos por permanecer mudos, e de ligeiro semblante, e apenas falta que nos impusessem que agradecêssemos as velhacarias com quem descaso nos tratavam (CLÁUDIO,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;p. 128)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 192pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 192pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;À altura do trecho acima citado, Barnabé, que nesse momento narra a história, já se encontra como marujo, embarcado na nau São Rafael, onde se está também Vasco da Gama como se sabe, todavia diversos foram os tipos de “trabalhos” realizados pelo judeu. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Também é cedo que Barnabé se depara com a morte: seu amigo André Medes morre afogado durante uma algazarra, coisa rotineira entre os amigos, no rio Varosa. Chocado com o a fatalidade, o menino de Ucanha sofre grande turbulência interior, manifestada pelos seus pesadelos e seu comportamento, o que o leva a ser até mesmo exorcizado&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A partir daí, longa será a peregrinação do judeu, que passará tanto por diferentes lugares concretos (de Ucanha para Lamego, de Lamego para Lisboa e dessa para os mares), quanto por diferentes níveis de experiência como sujeito fazedor de sua história, o que é de maior interesse para este trabalho. Em outras palavras, pretende-se, através deste, peregrinar junto a Barnabé das Índias, sem deixar, contudo, de analisar Vasco da Gama, traçando um paralelo entre os dois, pelas suas reflexões e transformações interiores ao longo dessa extensa e fugaz viagem que é a vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Antes de prosseguirmos não poderíamos de deixar de dizer que ler &lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt; é também uma superação em termos de dificuldade de leitura para o leitor, sendo a narrativa bastante densa, tanto no que diz respeito ao seu conteúdo, quanto aos recursos textuais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A linguagem utilizada pelo autor causa estranhamento, pois como os períodos são muito longos, com muitos hipérbatos e a pontuação não se dá de maneira convencional, mas segue um determinado ritmo, o da memória, como diz o próprio autor em entrevista ao ser questionado sobre a sua forma de escrita no romance, “É a forma como a nossa memória funciona. A memória tem uma metodologia muito própria” (informação verbal)&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, o leitor pode se perder por qualquer distração. Além disso, a narrativa está repleta de apostos e referências, divagações e entrelinhas e claro arcaísmos como “futurar”, “por mor de”, “à puridade” dentre outros. Apesar de todos esses traços, não podemos dizer que a linguagem encontrada no romance é a busca de uma reprodução fiel à da época, quando foi, na verdade, como disse Mário Cláudio, uma busca a “uma atmosfera lingüística”, e mais à frente esclarece: “Pretendi oferecer um equivalente plástico, em termos lingüísticos, daquilo que seria a linguagem da época, mas sem abdicar dos termos dos nossos dias”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn4" name="_ftnref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;II. “O peregrino do ser”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn5" name="_ftnref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Saberás tu, Barnabé, que não tem foz o nosso rio, e que se estreita, quando pensamos ter chegado ao sítio onde termina, e que forma outros cursos, e cada qual em outros vários se espalha, e será assim por infindável tempo até o Juízo Final (CLÁUDIO, 1998, p. 61).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A&lt;/span&gt; &lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;epígrafe&lt;/span&gt; &lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;acima constitui parte dos dizeres póstumos de André Mendes. O morto aparece em sonho a seu amigo Barnabé revelando-lhe, metaforicamente, o dilema universal do ser humano: a dicotomia vida e morte. Podemos, num primeiro momento, interpretar a fala de André como a descrição do processo que tanto angustia o homem, visto que é inevitável: o tempo. Independentemente da forma como é vivido, o fim será sempre a morte. O sonho também pode ser lido como uma mera representação da conscientização de Barnabé sobre a condição de ser no mundo. Com a fatalidade, o menino de Ucanha despertou para a vida e seus mistérios, para a sua finitude. Nada impede que o sonho seja entendido pelas duas maneiras concomitantemente, pois os recursos narrativos utilizados tecem um enredo que não impõe uma verdade ao leitor, mas o aponta inúmeros caminhos de interpretação, sendo a própria estrutura textual um labirinto para o mesmo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;O extraordinário e o miraculoso são narrados com a maior exatidão, mas o contexto psicológico da ação não é imposto ao leitor. Ele é livre para interpretar a história como quiser, e com isso o episódio narrado atinge uma amplitude que não existe na informação (BENJAMIN, 1985, p. 203).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A escrita, assim como a dicotomia vida e morte, é labiríntica. Os parágrafos são longos e a linguagem, por vezes insólita e enigmática, precisa ser decifrada. Notamos já na forma romance da obra de Mário Cláudio estudada neste trabalho características relevantes da imagem barroca de labirinto sobre qual fala Romano Sant’ana: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;O labirinto não existe apenas como desenho, como jogo, como enigma. Tem uma conotação existencial. Ele só existe porque outro personagem o percorre, que é esse peregrino, esse ser peripatético, que aparece perdido, vagando daqui para ali” (SANT’ANA, 2000, p, 66).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Em &lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt;, Barnabé é o “homo viator”, construído por essa narrativa labiríntica, que percorrerá desde os mais largos aos mais estreitos corredores da vida junto ao leitor que o acompanhará. É Barnabé “A imagem do peregrino [que]&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn6" name="_ftnref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; está geminada a outras imagens barrocas que indicam movimento, trânsito, peripécia, instabilidade” ( SANT’ANA, 2000, p. 67). O personagem, assim como nós, se depara num mundo em que é condenado a agir, porque tudo que o cerca, inclusive ele próprio, se encontra em contínua mudança. Enquanto se está no mundo tudo se transforma, até na morte, pois o corpo se modifica, decompondo-se. Barnabé é o sujeito fadado a essa condição imposta de movimento, sendo essa uma das idéias que fundamentou a visão de mundo do homem barroco:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Toda uma série de conceitos, implicados em diferentes aspectos da cultura barroca, vincula-se a este papel do movimento como princípio fundamental do mundo e dos homens: as noções de mudança, alteração, variedade, ou de caducidade, restauração, transformação ou de tempo, circunstância, ocasião etc são derivação dele (MARAVALL, 1997, p. 284).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O judeu irá tanto viver esse mundo em movimento, quanto ser a sua própria representação, pois no romance nos deparamos com desde as transformações mais comuns a todo ser humano, como as físicas, até as totalmente individuais, como as espirituais. Destaca-se a seguir duas passagens do romance que ilustram ambas transformações respectivamente:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Uma nova paisagem descortina dentro de si, e quanto mais para ela se debruça, mais ela se descerra num abismo. Presencia as metamorfoses do corpo, intuindo que uma coisa e outra andam em uníssono, e com crescente freqüência afoita-se a substituir o toque da flauta pela manipulação do órgão que mais sensível se lhe tornou, mais dotado de uma exigância de maravilhas (CLÁUDIO, p. 48).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;E bichanavam os mareantes acerca do que teria sido que sucedera ao rapaz (...) Observavam-lhes as maneiras admirando-se de que o mesmo não continuasse ele, antes de se houvesse mudado num poço de silêncio que um sorriso brandíssimo guardava por doces palavras replicando à interpelação com que vinham abordar (CLÁUDIO, p. 243).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Na primeira citação percebemos a “metamorfose” tanto do interior quanto do exterior do menino, ou seja, o amadurecimento do corpo e da mente, esse último está mais explícito no seguinte exemplo: “O subterrâneo medo o surpreende, da extinção do sonho e da volatilidade dos fascínios, da ineficácia dos ofícios e da prudência da morte”. Neste trecho o personagem se dá conta de que a vida nem sempre corresponderá às suas expectativas, e sendo ele impotente quanto a isso, terá que aprender a aceitar e seguir em frente. Voltando a segunda citação acima (p. 243), notamos a mudança de Barnabé a partir do estranhamento de seus companheiros marujos sobre o seu comportamento e a sua aparência serena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Encontramos, portanto, nesse romance contemporâneo de Mário Cláudio, a mesma compreensão de mundo de que fala Maravall sobre o Barroco do século XVII: “o Barroco possui uma consciência muito aguda da multiplicidade e variabilidade das manifestações do humano” (MARAVALL, p. 289). Barnabé é o homem “transeunte entre os modos do real; ‘peregrino do ser’, chama-o Gracian. É mutante e movediço” (MARAVALL, p. 289).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;II.I. A peregrinação pelas vias marginalizadas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Ele não tem lugar, é um deslocado. Uma “&lt;i&gt;displaced person&lt;/i&gt;”, como se diz na literatura de língua inglesa, um “excluído”, conforme a retórica social de nossos dias. Exerce todas as profissões e não tem nenhuma. É sempre um “desdichado”, uma peça solta dentro da engrenagem social e econômica. (SANT’ANA, p. 68).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Barnabé se liberta de seus primeiros demônios, título do segundo capítulo “Os demônios”, quando deixa a sua aldeia e vai viver com o primo Joseph no Lamego. Longe de Ucanha, ele também se distancia de sua primeira experiência com a morte e vê abrirem dentro de si novas expectativas: a do trabalho e a do amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Revocata é a filha bastarda de primo Joseph pela qual o judeu se apaixona, sendo igualmente correspondido: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;E botava-se a congeminar o adolescente em que temas se abismaria ela, ignorante de que lhe seguia Revocata com não menor atenção os íntimos movimentos denunciados pelo imperioso pigarro com que presumia ele a firmeza da masculinidade (CLÁUDIO, p. 69).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O amor genuíno que se concretiza entre eles liberta temporariamente o jovem Barnabé de todos os demônios da infância e de Ucanha, possibilitando a reconstrução do seu interior para novos sentimentos de completude e paz: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;iria barnabé na amizade de si mesmo, não se passando jornada sem que com Revocata partilhasse a completude que adquirira (...) Para as entranhas dos Infernos pareciam haver revertido os loucos demônios de Ucanha, e florescia o gaiato na luz angelical como se viesse na gozação de um salmo que tivesse desprendido o rei David das cordas da sua cítara (CLÁUDIO, p. 70 e 71).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O amor, todavia, que liberta Barnabé de seus demônios, será o mesmo que o principiará nas vias marginais. A conseqüência desse amor custará caro aos amantes. Revocata engravida, o que traz grande ressentimento ao primo Joseph que, por sua vez expulsa o de Ucanha de sua casa e o manda para Lisboa: “Larga para Lisboa, filhote de Baal, larga para a Babilónia, que talvez te designe Eloim, nosso pai, o astrozinho que te guie pelo sendeiro da salvação” (CLÁUDIO, p. 71). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O equilíbrio alcançado através do amor por Revocata e pelo afeto do primo Joseph chega a ser cruel de tão efêmero. A harmonia no espírito de Barnabé não se estende por mais de duas páginas do romance e uns poucos meses da vida do judeu. O homem, protegido na segurança do lar e do trabalho oferecido pelo primo, e aconchegado nos braços da mulher que ama, se depara sozinho novamente. A completude se transforma em desolação, levando o personagem mais uma vez à estrada de si mesmo e da vida. A essa altura do romance, podemos ver claramente o que falou Maravall sobre o Barroco: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;Se, para o Barroco, o movimento é o princípio fundamental de sua cosmovisão, compreende-se que não pretenda apresentar a obra de um organismo perfeito, de um corpo arquitetônico, de um tratado sistemático, mas – como observou Woffin – a impressão de um acontecer, de um drama, a agitação do devir, captando uma realidade sempre em trânsito” (MARAVALL,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;p. 286).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;No mesmo trecho em que se descreve a completude de Barnabé, encontramos, por outro lado, a adversativa para “recordar” ao leitor que a vida exige o movimento e, por isso, não poderia o judeu apaixonado se manter por demasiado tempo em “repouso”: “o equilíbrio é um resultado sempre em jogo, e, com freqüência, ameaçado” (MARAVALL, p. 286).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Em Lisboa, o personagem peregrinará pelas ramificações mais profundas e escuras da sociedade, pelas vias mais sujas e confusas da capital. O seu teto será o céu e a sua cama serão as pedras do cais&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn7" name="_ftnref7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Envolvido pelo cenário extremamente barroco, caracterizado pela aglomeração de pessoas, pela mistura de classes sociais pelas ruelas de Lisboa, como pela soma de diferentes cheiros e uma grande interpenetração de conversas&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn8" name="_ftnref8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, Barnabé desempenhará os mais variados papéis: “havia sido eu cabouqueiro, e moço de taberna, pedinte e ajudante de calafate, criado de um boticário, e surrador, coveiro dos mortinhos da Misericórdia, e por cinco anos penara numa enxovia” (CLÁUDIO, p. 76).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Barnabé se perde nos mais escuros corredores da vida, é o que adverte, segundo Maravall, Comenius: “Comenius admoesta sobre o risco de perder-se no ‘ labirinto do mundo, sobretudo como está organizado no presente” (MARAVALL, p. 253). A desarmonia e o desequilíbrio de Barnabé são marcados pelo seu vício, mas sobretudo palas feridas em seu corpo. O capítulo que segue “Os demônios”, no qual o personagem é expulso da casa de seu primo Joseph, se concentrará nas feridas dolorosas que se dão no interior, mas que se expõem também no exterior, no corpo de Barnabé: são as chagas, que também intitulam o capítulo “As chagas”. Temos aí uma correlação entre corpo e alma, que como diz o próprio autor em entrevista: “É nessa conflituidade carne-espírito que se joga o destino humano” (Informação verbal)&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn9" name="_ftnref9" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. A “alma” de Barnabé decaiu e seu corpo junto com ela ganha marcas e cicatrizes. Alma e corpo viciados na fornicação com a prostituta cuja alcunha é “Cono de Ferro”: “volvera-se Barnabé incondicional escravo da voragem da rameira, disposto a tudo sacrificar, e a tudo se desfazer, conquanto lhe fosse autorizado o renovo das delícias da beatitude primordial” (CLÁUDIO, p. 81).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O personagem, como se pode notar, deixa o pedestal e se entranha na imundice. Percorre pelo mais refinado e humano sentimento, o amor, até o mais vulgar, o “instinto”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn10" name="_ftnref10" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, transformando-se num “animal” tomado pelas doenças venéreas: “À amargura que lhe causava a ausência da &lt;b&gt;cabra&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn11" name="_ftnref11" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; que não lhe saía do pensar associava Barnabé, aplicando purgas e enxugando corrimentos, o desprezo por si, e o ímpeto de aniquilar o que lhe haviam dito que fora arquitetado à imagem e presença de Deus, mas descambava numa carga de guilhetas, materializando uma implicável condenação” (CLÁUDIO, p. 82).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Mais uma vez, agora encurralado pelo seu estado miserável, Barnabé é obrigado a se movimentar para o caminho contrário ao que estava seguindo: “Em absoluto desespero foi procurar o seu velho Joseph, mais acendido pela necessidade de apear um fardo de angústia do que iluminado pela esperança de obter um refrigério qualquer” (CLÁUDIO, p. 82 e 83). Reage o judeu em busca de salvação e é ao primo Joseph que procura, desse recebendo apaziguamento do corpo e do espírito. Joseph profetiza sobre a vida de seu primo ajudando-o a sair do seu estado humilhante ao comparar as suas más escolhas às do grande personagem bíblico Salomão, e para as chagas do corpo, receita-lhe um remédio: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;E mostra-se o vício contrário à felicidade, e o excesso inimigo do equilíbrio, mas não desfaleças no intento de trilhar o caminho recto, já que é da juventude a imprevidência e a frivolidade, e nem Salomão escapou a essas chagas, e quanto ao que te dilacera de dor as partes vergonhosas, e que te servirá de acrescida sabedoria, decora esta receita (CLÁUDIO, p. 83).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Esse primeiro passo de Barnabé para deixar o “baixo mundo” social e para abandonar seus vícios será prosseguido pelo despertar do interesse pela navegação. O desejo de marear é o meio naturalmente encontrado para se desprender dessa fase lastimável de sua vida, mas também essencial para o autoconhecimento do sujeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;II.II. O caminho para a transcendência: Barnabé junta-se aos “loucos”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;E ignorando por que motivo recôndito, reputava de vagamente criminosa a investida que teimavam em realizar pelo Atlântico, intrusos num universo de que o Omnipresente com rigor os separara, apenas Noé concedendo, e por causas extraordinárias, o direito de sobre as águas flutuar (...) sofrera Barnabé o incômodo da pequenez do ser a quem não foram concedidas barbatanas, nem asas (CLÁUDIO, p. 153).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O mundo ao redor de Barnabé se transforma radicalmente mais uma vez. A mudança de rumo do personagem o leva a um novo espaço, que se por um lado possui regras a serem seguidas, como a hierárquica, por outro lado apresenta maior instabilidade. Nesse novo espaço, não terá o judeu a firmeza da terra sob seus pés, nem a liberdade de ir fisicamente aonde desejar. A insegurança adentra ainda mais o seu interior perante o mundo desconhecido, em que a natureza muda inesperadamente e as tarefas se confundem a cada onda monstruosa ou vento destruidor que atingem as naus. A figura do capitão Vasco da Gama, que deveria incutir nos marujos alguma segurança, se desfaz a cada ameaça de tempestade, assim como ao som da temida palavra pronunciada: “hidra, hidra, hidra, hidra, hidra, hidra” (CLÁUDIO, p. 136).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A teoria da transformação e do movimento contínuos, estudada no tópico anterior, surge nessa nova etapa do romance representada concretamente no espaço a que agora pertence Barnabé: a nau oscila, os ventos mudam de direção, os minutos próximos são imprevisíveis. Barnabé segue peregrinando numa nova direção que, desde o princípio, o começa modificar: “uma subterrânea metamorfose fora nele trabalhando, a irmaná-lo com os peixes do vasto oceano, o que parece constituir fenômeno nem por isso inabitual na carreira dos mareantes de todo o tempo e todo o lugar” (CLÁUDIO, p. 150). O judeu passa a constituir o grupo dos homens loucos, caracterizados pelo anseio de conquistar o desconhecido, de explorar a si mesmo, colocando-se em situações limites como a morte certa. É sobre essa atmosfera de loucura, denotada nesta obra de Mário Cláudio, que fala Maravall ter qualificado as obras barrocas do séc. XVII: “desde que começaram as mudanças suscitadas pela modernidade, houve quem chegasse a pensar que o mundo e os homens estavam atacados de grande loucura” (MARAVALL, p. 248).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Vemos angustiados, o judeu ser dominado pela culpa da empreitada a que se submeteu ao mesmo tempo, paradoxalmente, em que se vê incentivado, por “seres divinos”, a terminá-la. Barnabé é o marujo que desvenda o caminho para as “Índias”, mas não apenas isso, é o marujo “de todo o tempo e de todo o lugar”, como foi citado na epígrafe, ou seja, é a representação do próprio homem que se aventura a enfrentar a eterna busca pelo sentido da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Uma das questões importantes para o encontro de Barnabé consigo mesmo é a religiosidade: obrigado a se converter à religião cristã, devido ao imperialismo de D. Manuel, o personagem encontra no próprio convívio com os cristãos motivos para se firmar ainda mais na sua verdadeira fé, a judaica: “E não se apertava o bucho do moço no medo de que lhe inferissem o judaísmo, porque terror mais vasto aprendera ele no semblante de Vasco da Gama, o que os tornava idênticos nesse plano (...) e afigurava-se a morte religião comum” (CLÁUDIO, p. 111). Outra problemática relevante e essencial, para que se desprendendo do que foi, ele possa renascer um novo homem, está na superação dos erros cometidos no passado e dos medos que o vêm dominando até o presente momento: “não lances o olhar para o que foi, Barnabé, porque desse modo se morre a cada dia da vida e não temas o que se situa adiante, já que haverá alguém de te acompanhar” (CLÁUDIO, p. 97).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Tendo chegado a essas conclusões, do homem peregrino a busca de si mesmo, podemos estabelecer uma relação entre Barnabé e o homem barroco do séc. XVII de que fala Maravall: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;O homem (...) é um indivíduo em luta, com toda a comitiva de males que à luta acompanha, com os possíveis proveitos que também a dor traz consigo, mais ou menos ocultos. Em primeiro lugar, encontra-se o indivíduo em combate interno consigo mesmo, fonte de tantas inquietações (...) que do seu interior brotam e se projetam em suas relações com o mundo e com os demais homens. O homem é o ser agônico dentro de si (MARAVALL, p. 260).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O recomeço de Barnabé, que agora peregrina por corredores do labirinto que o levarão à transcendência e não ao obscuro, se caracterizará pela inexistência de fronteiras entre o mundo concreto e exterior e o mundo fantástico e interior. As experiências individuais de quase morte serão marcadas por “aparições” de seres superiores, divinos. Não será, por isso, todavia menos doloroso o percurso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;II. III. O homem “gracioso”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn12" name="_ftnref12" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;: a inexistência de fronteiras entre o real e o fantástico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;É nessa conflitualidade carne-espírito que se joga o destino humano. (Informação verbal)&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn13" name="_ftnref13" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Mário Cláudio constrói perfeitamente, em &lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt;, o paradoxo que existe no conflito entre empirismo e fé religiosa. Havia no séc. XVII uma grande tensão entre esses dois pólos, como descreve Maravall, em &lt;i&gt;A cultura Barroca&lt;/i&gt;, decorrente da Contra-reforma, que questionou e oprimiu a visão empírica e natural do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;No romance trabalhado, essa tensão transparece em todo o momento, visto que é construído tendo como base para a sua narrativa a miscigenação entre real e fantástico. Há partes do romance em que não sabemos se o que está acontecendo é real ou fruto apenas da experiência interior de Barnabé, como no capítulo “Os Anjos”, no qual o judeu se vê enfeitiçado pela africana com quem tem uma relação sexual pura e elevada, tão perfeita e harmoniosa que nos faz questionar se não seria a mulher um ser de outro mundo, divino. O que podemos dizer, sem equívocos, é que a história de Barnabé das Índias é uma grande alegoria sobre a condição humana da experiência: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;A atenção à condição do próprio ser humano, que tanto espaço ocupa na mentalidade barroca traduz-se em uma preocupação com o curso da experiência, por meio da qual não se chegará a possuir a estrutura de um saber universal, mas que em última instância – tal é o caso das leis físicas – pode ser um saber universalizável, e que sempre poderá ser válido para organizar a conduta da vida. A arte barroca nos oferece o resultado de uma observação singularizadora do ser humano (MARAVALL, p. 282).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Será a primeira e inesquecível experiência de quase morte de Barnabé uma espécie de primeiro passo rumo à transcendência. A nau São Rafael é atingida por uma forte tempestade, ameaçando o fracasso da grande empreitada lusitana: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;Tomaram-se os homens de extraordinário susto, suspeitosos de que significasse aquela alteração da comum engrenagem dos elementos (...) artimanha dos demônios determinados a imperdir-lhes a difusão do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo (CLÁUDIO, p. 170).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Barnabé é lançado ao mar junto das águas que invadiram a nau, ele afunda e emerge na vastidão do oceano por indefinidas vezes repetitivamente e sente que não conseguirá resistir. O caos em que se encontram ele e todos os aventureiros parece não ter fim, quando enfim a borrasca termina e então tudo se acalma. Nessa hora, mistura-se a experiência concreta de quase morte à outra fantástica, em que Barnabé vê falar o anjo São Rafael, o mesmo esculpido na proa da nau que carrega o seu nome: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;Terminada a imprecação a Iahvé, colhera-o da vertigem de sombras um anjo perfeitíssimo, e atento na face que defronte se lhe postava, entendera o rapaz que não era senão o da figura de proa, representativa do glorioso advogado da sua barca. E sustentando-o num abraço vestido de túnica escarlate, e beijando-o nos beiços de moribundo que já se julgava, nestes termos falou a tranqüilizadora aparição “nada temas, irmão e amigo, pois que venceste agora mesmo a inicial das provações com que deseja o Altíssimo experimentar-te” (CLÁUDIO, p. 173).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A miscigenação entre o palpável da morte e o fantástico se dá de forma natural na narrativa, como se ambos se completassem. Mostra-se, que no ser humano, ainda mais no homem barroco em que a tensão entre os dois pólos é bastante visível, esses dois pólos se encontram sem que a história pareça inverossímil, visto que a narrativa é construída sem limitações entre concreto e não concreto. Mesmo com o narrador em terceira pessoa, não podemos julgar verdadeira ou não, isso em termos empíricos, visto que obviamente foi verdadeira para o personagem em si, a experiência sobrenatural de Barnabé, pois o enredo em nenhum momento se fecha, ou impõe uma forma de leitura ao leitor, mas pelo contrário, forma o que tanto caracteriza as narrativas barrocas de que fala Sant’ana: uma elipse. A troca de narradores, o discurso indireto livre, o estilo próprio de pontuação, a mudança de foco a cada parágrafo não permite esse fechamento, mas deixa o texto aberto para possíveis interpretações, ou melhor, descobertas no percurso como leitor. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;"  lang="EN-US"&gt;Isso porque, &lt;/span&gt;&lt;st1:city&gt;&lt;st1:place&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;"  lang="EN-US"&gt;como&lt;/span&gt;&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:city&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;"  lang="EN-US"&gt; citou Maravall, T. Browne: “The world that I regard is my self”&lt;/span&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn14" name="_ftnref14" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;"  lang="EN-US"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Barnabé é religioso e, portanto, nada mais natural que suas experiências estejam diretamente relacionadas a eventos divinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O que importa, todavia, não é a veracidade ou não da experiência fantástica, mas sim a presença desse questionamento da experiência individual que, dentre muitos outros fatores já mencionados, faz do romance de Mário Cláudio barroco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A sobrevivência à tempestade, alegoricamente interpretada, foi, como disse o anjo, “o inicia das provações”, ou seja, o primeiro e principal obstáculo na vida do homem: o enfrentamento da morte. Obstáculo esse, que independe da condição social ou de instrução de cada um, como fica claro na argüição de São Rafael: “e afirmo-te eu que alguns que superiores te são na ciência e na autoridade, e que nesta viagem se comprometeram, não mais imunes se manifestam ao temor que corrói as entranhas” (CLÁUDIO, p. 173). Tal conclusão nos aponta mais uma vez Vasco da Gama, que também alegoricamente, não enfrenta o medo, a “hidra”, e por isso não descobre as suas “Índias”, como irá admitir mais tarde a Barnabé: “Deus te abençõe, meu rapaz, que foste tu, e mais ninguém, quem essas Índias na verdade descobriu” (CLÁUDIO, p. 278).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A ascensão de Barnabé confunde-se à loucura e vemos no mesmo o homem “gracioso”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn15" name="_ftnref15" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;: “E consentiam em que descuidasse Barnabé as suas tarefas, e sorriam-lhe com a tolerância inconsciente com que enfrentam os comuns, quando não compelidos por essenciais conjunturas de sobrevivência, a suave doideira que se apodera dos santos” (CLÁUDIO, p. 177).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;A “loucura” se agrava conforme avança o personagem no seu percurso, passando por novas experiências. O encontro entre ele e a moçambicana é marcado pela descrição mágica e misteriosa&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn16" name="_ftnref16" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[16]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Ao contrário da prostituta que lhe trouxe as chagas, a africana o eleva em corpo e alma, e ficamos na dúvida sobre a mulher que manteve com ele relações sexuais: seria um anjo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;É, porém, a terceira experiência com o divino definitiva para que o judeu alcance a transcendência. Salvo de uma segunda tempestade, que lhe derruba sobre o peito “o pau com as velas rasgadas” (CLÁUDIO, p. 198), o anjo o leva para conhecer o Universo e os demais mistérios da vida, desvendo principalmente o mistério que de todo homem tira o sono: a morte:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;“agora te visito, Barnabé, para que compreendas, e te despojes das algemas que te ferem os pulsos, e se te desvende o que para além das dunas do medo se situa, e atravessaste a morte de novo, e te alimpaste das chagas que te atormentavam, porque está morto o que vive, e vivo o que morre, e transpuseste as fronteiras que submetem as criaturas (...) e às Índias verdadeiras apostaste, pois que sempre se alojaram elas nos ocultos de ti” (CLÁUDIO, p. 200).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Interessante é a declaração em entrevista de Mário Cláudio a respeito do que pensa sobre a morte, e que podemos aproveitar neste trabalho para enriquecer ainda mais a nossa conclusão sobre a descoberta de Barnabé: “e nessa viagem descobre, através da travessia do medo, se quisermos, que a Morte não existe, que apenas um fenômeno tão natura como o nascimento. Descobre que a mesma dever-se-ia opor ao nascimento e não à vida” (Informação verbal)&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn17" name="_ftnref17" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[17]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;III. Considerações finais: o descobridor das Índias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt; é um convite às viagens do ser humano pelo seu grande universo interior, ao mesmo tempo em que reconstrói de forma extremamente crítica e irônica a história da expansão marítima portuguesa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O romance em si já é uma grande alegoria: acompanhamos o homem peregrinar pela vida em busca da paz do corpo e do espírito. O corpo desse homem, como todos os demais corpos do mundo, se transformará em ruína, disso não há escapatória. Todavia, a ruína não precisa ter um fim em si mesma, como acontece a Vasco da Gama, que não encontra as suas Índias, porque não enfrenta a si e a seus medos; pelo contrário, aprisiona-o dentro do quadro que decora a sua sala, e confessa, apesar de querer manter aos seus semelhantes a falsa superação de seus temores, nada ter descoberto nas suas viagens: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;E perguntando-me alguém que oceanos atravessei, e a que enseadas terei aportado, resposta nenhuma me colhe, vinda dos fundos de um sono de chumbo, porquanto sonho, e em nada mais, singraram as armadas em que me meti (CLÁUDIO, p. 233).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Barnabé, o simples judeu de Ucanha, o homem excluído da sociedade, que não carrega títulos, chega também à ruína física da velhice, mas não à interior, porque encontrou as respostas para as suas perguntas, não existindo mais para ele o mistério que a todos os homens atemoriza: “e que te importa a morte em que se enredam os que em torno de ti adormeceram, se o que nela se contém nenhum mistério implica” (CLÁUDIO, p. 242). Até representada, mesmo que através de extremada ironia, foi a sua ascensão no mundo concreto, visto que tem Joseph a sua profecia, de que ocuparia seu primo o acento de São Pedro, realizada, porque Barnabé serve ao pintor Gaspar Vaz de modelo para a sua pintura do santo: “tudo conforme à profecia do seu primo Joseph, o qual lhe prognosticara que no sólio do Vigário, e com invulgar solenidade, pelos séculos dos séculos haveria ele de assentar” (CLÁUDIO, p. 274).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Tudo isso nos revela a grande alegoria que é a obra de Mário Cláudio, repleta de outras alegorias menores, como a hidra, de Vasco da Gama, a nau São Rafael, o rio descrito por André Mendes, os mares, as tempestades, dentre muitas outras. Walter Benjamin discute as variadas funções e origens da alegoria relacionando-a ao contexto barroco, principalmente quando o tema é a morte. Abarca a alegoria as características ambíguas que denotamos no curso deste trabalho: “Mas a ambigüidade, a multiplicidade dos sentidos é o traço fundamental da alegoria. A alegoria, o Barroco, se orgulham da riqueza das significações. Mas essa ambigüidade é a riqueza do desperdício” (BENJAMIN, 1984, p. 199).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;Acompanhamos toda a metamorfose a que Barnabé foi submetido, e a que são submetidos todos os homens no decorrer da vida, podendo ter sucesso, como teve o personagem judeu, ou não, tal foi o caso do comandante da São Rafael. Vimos, baseados na teoria do movimento e da transformação ilustrada, que está o ser humano consignado a se mover, sendo-lhe inadmissível o descanso, o repouso. A vida, o grande labirinto do qual só existe a temida e única saída, condena o homem a agir, para esse não restando alternativa de senão fugir dos seus medos,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;aprisionando-os dentro de si, para que não saiam e dessa forma não se depare com os mesmos; ou permitir o encontro consigo mesmo e com seus temores, encontrando, assim a paz e a redenção: “nem de salteadores, nem de fantasmas, me temo, vencido o medo destas cousas pelo medo que experimentei” (CLÁUDIO, p. 237).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;O romance, graças às entrelinhas, ironias, fragmentação, ritmo próprio da viagem, forma elíptica, alegorias, ausência de fronteiras ou limites entre as dimensões empíricas e fantásticas, nos permite uma leitura profunda, detalhista e instigante do homem, ser em eterna busca, em eterno conflito consigo mesmo, além de se revelar essencialmente barroco: “a grande empresa não é a que se faz caminhando por fora, mas a que se faz caminhando por dentro. A tese do livro é fundamentalmente essa” (informação verbal)&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftn18" name="_ftnref18" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;[18]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%; font-weight: bold;"&gt;Notas:&lt;/p&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; “Muitos são, portanto, as viagens que o romance tece. Uma é aquela em que a superação das adversidades leva à glória, às benesses. O romance surpreende Vasco da Gama, na velhice, contabilizando os lucros que obtivera, porquanto é o sujeito dessa viagem em busca da fama cujo nome verdadeiro é a vã cobiça, como já sabia o Velho do Restelo. Viagem em que é uma geografia por usurpar. Outra viagem que se faz pelos subterrâneos do ser, pela superação espiritual das misérias do corpo e da alma, viagem interior das sombras à luz, em que não se honrarias, mas conhecimentos” (ALVES, 1999, p. 1).    &lt;div style="" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; CLÁUDIO, p. 63.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Comunicação feita por Mário Cláudio em 18 de junho de 1998 no PÚBLICO, Lisboa.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn4"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref4" name="_ftn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ibdem.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn5"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref5" name="_ftn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;Gracián apud. MARAVALL. José António. &lt;i&gt;A cultura do barroco&lt;/i&gt;. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997. p. 289.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn6"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref6" name="_ftn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Grifo meu.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn7"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref7" name="_ftn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; “as pedras do cais por leito, e os astros por tecto” (CLÁUDIO, p. 76).&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn8"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref8" name="_ftn8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; “E não será de surpreender que, criado na habituação dos remansos de Ucanha que a estada em Lamego não bastara para anular, me atordoasse com a balbúrdia de gentes disparatadas, enxameando as ruas por onde constituía assinalável proeza fazer progredir a fileira dos escudeiros e dos criados (...)expunham as pescadeiras a safra da noite anterior, reclamavam as fruteiras as primícias da cereja, apuravam as frigideiras a gostosura dos salmonetes, das azevias e das solhas...” (CLÁUDIO, p. 72 e 73).&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn9"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref9" name="_ftn9" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ibdem, p. 5.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn10"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref10" name="_ftn10" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; palavra usada pelo próprio autor: “com a vista a ceder às graças da imperatriz de seus instintos” (CLÁUDIO, p.82).&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn11"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref11" name="_ftn11" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Grifo meu: a palavra “cabra” está em negrito para destacar a condição de animal de ambos personagens, Barnabé e a prostituta.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn12"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref12" name="_ftn12" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; MARAVALL, José Antonio. p. 150.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn13"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref13" name="_ftn13" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Comunicação de Mário Cláudio ao Expresso em 06 de julho de 1998 às 18hrs e 16min.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn14"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref14" name="_ftn14" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; MARAVALL, p. 283.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn15"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref15" name="_ftn15" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ibdem, p. 14.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn16"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref16" name="_ftn16" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[16]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;p. 182 e 183.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn17"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref17" name="_ftn17" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[17]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ibdem, p. 3.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn18"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref18" name="_ftn18" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;[18]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ibdem, p. 14.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;IV. Referências Bibliográficas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;ALVES. Maria Theresa Abelha. &lt;i&gt;A peregrinação iniciática de Barnabé das Índias&lt;/i&gt;. In___: Anais do 6º Congresso da AIL (Associação Internacional de Lusitanistas). Rio de Janeiro: UFRJ, 1999 __ Cd ROM.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;BENJAMIN. Walter. &lt;i&gt;Magia e técnica, arte e política&lt;/i&gt;: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1985. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;_________.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Origem do drama barroco alemão&lt;/i&gt;. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;CLÁUDIO, Mário. &lt;i&gt;Peregrinação de Barnabé das Índias&lt;/i&gt;. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;FRANCO. Luísa Mellid-. &lt;i&gt;A oculta viagem de Vasco da Gama&lt;/i&gt;. Portugal: Expresso, 1998. Entrevista. Disponível em: &lt;http: pt="" ed1340="" c36=""&gt;. Acesso em: 10 maio de 2002.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;MARAVAL. José Antonio. &lt;i&gt;A cultura do barroco&lt;/i&gt;. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;QUEIROZ. Luís Miguel. À descoberta de duas Índias. Portugal: Público, 1998. Entrevista. Disponível em &lt;http: pt="" arquivos="" literatura="" htm=""&gt;. Acesso em: 10 maio 2002.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-indent: 36pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: left; line-height: 150%;" align="left"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: left; line-height: 150%;" align="left"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: right; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="right"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt; line-height: 200%;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="1" width="33%" align="left"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-create.do#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="" id="ftn18"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-7588984786387969432?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/7588984786387969432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/08/normal-0-21-microsoftinternetexplorer4_31.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7588984786387969432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7588984786387969432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/08/normal-0-21-microsoftinternetexplorer4_31.html' title='O peregrino do ser em &quot;Peregrinação de Barnabé das Índias&quot;, um romance de Mário Cláudio'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SpwVNQygJuI/AAAAAAAAAM4/kIkNJEXSMPs/s72-c/Amos_3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5383715401632471073</id><published>2009-08-02T15:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T15:30:23.682-07:00</updated><title type='text'>Entre o início e o final</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SnYpwOh-e1I/AAAAAAAAAIY/tEES6EWYkvE/s1600-h/formiga.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365521914569587538" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 366px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SnYpwOh-e1I/AAAAAAAAAIY/tEES6EWYkvE/s400/formiga.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SnYpRrfC3OI/AAAAAAAAAIQ/cLQ5MiemNpE/s1600-h/formiga.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez o final. Mais uma vez o início.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ela não se acostuma mesmo com a vida, alminha difícil!"- disse Deus. A amiga morena olhou enfezada para a amiga loira depois de escutá-la dizer, ao notar a barriguinha de gravidez da outra colega, "Nossa! Tem uma pessoa dentro dela.... vivendo". A loira, que notou a cara feia da amiga, como se ela tivesse feito o comentário mais estúpido da terra, de tão óbvio, retrucou "Pois é. Não me acostumo mesmo com a vida!". Deus falou que "até hoje, acredita, ela costuma ficar olhando as formigas, fica olhando, olhando, olhando... e depois pega um pouco de açucar e se maravilha ao perceber que a formiguinha solitária volta acompanhada de um monte de outras formiguinhas para comer o açucar... e pensa... 'nossa!". Anda na rua como se tivesse acabado de nascer, tudo chama atenção, olha tudo com cautela, devagar, sem destino, mas chega ao destino e quando chega acha que não chegou "Não é este o lugar". "Ela quer parar o tempo" diz Deus, "todos querem, mas ela quer parar só o tempo dela, para ficar olhando o dos outros. Ela precisa viver a própria vida". Mas como viver a própria vida quando o mundo fora de si é tão mais interessante? Tão mais bela também. Fulana vai ser mãe, que bonito, que estranho ter filho, um ser dentro de si, crescendo e todo mundo achando normal. Normal por quê? Só porque quando nascemos já era assim? Porque nascemos assim, de dentro dos outros... E pensar que fomos uma sementinha, e que ela cresce e vira... vira... EU! Diz a ciência que isso tudo é muito natural; e a religião que é um milagre. "O que diz ela?"pergunta Deus, "Ela diz que é tudo uma doidera só, e que o mundo é o mundo mais esquisito do universo e ainda contesta dizendo que 'em algum ponto do universo existe uma vida mais coerente, mais normal' vê se pode!". Porque as pessoas sismam de levantar de manhã e se enfurnar em escritórios, para quê? Para comprar mais, e para quê comprar? Porque quando nascemos já era assim, e porque quando nascemos que já era assim, que é tudo muito natural. Deus dá razão a ela, em parte, quando ela diz que "o ser humano é muito estranho, porque acha errado morrer, quando na verdade morrer é que é natural. A vida não era para se viver, não era para dar certo e realmente não dá, porque tudo morre, e tudo o que se quer é comprar e comprar e matam para isso uma vida que já nasceu morta, porque todos já estão mesmo mortos, quem foi que disse isso mesmo?". É aí que ela se torna boçal mais uma vez, porque ela não desiste à vida, não admite a vida, não admite uma criança no ventre, nem as formiguinhas comendo açucar, nem, nem, nem... ela mesma. "E é por isso que ela não vive" alega Deus "porque ela não acredita, acha que tudo é ilusão" Porque é... e porque ela sim vai matar a charada, e descobrir que nada é.... nem foi... e os cientistas coitados, vão ficar doidinhos, quando descobrirem que tudo fingia ser, e os religiosos vão pirar, quando se darem conta de que Deus não cabe numa caixinha e que ele não criou nada, já que tempo, hora e espaço só existem aqui. "Não há final, não há início. Há tudo e há nada, eis-me aqui" diz Deus "e aí não os há e ela sabe e por isso é boçal, porque na idade dela não se pode continuar a saber a verdade das coisas, que só está com as criancinhas, bem criancinhas e depois se esquece. Mas ela tem que viver, ela precisa viver, porque, de repente, de repente.... de repente, não sabe a minha filha que o que não há é a morte e que a morte sim nunca poderia dar certo, porque não pode dar certo algo que nunca existiu e que o homem inventou, não eu. Ela precisa viver.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Beijos Abraços e Amassos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5383715401632471073?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5383715401632471073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/08/entre-o-inicio-e-o-final.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5383715401632471073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5383715401632471073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/08/entre-o-inicio-e-o-final.html' title='Entre o início e o final'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SnYpwOh-e1I/AAAAAAAAAIY/tEES6EWYkvE/s72-c/formiga.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-7858381675337924663</id><published>2009-07-17T11:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T13:40:59.062-07:00</updated><title type='text'>Motivo para brindar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SmDDBQbTnaI/AAAAAAAAAII/40fUsXXhe6I/s1600-h/mulher+no+campo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359497982927674786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; HEIGHT: 99px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SmDDBQbTnaI/AAAAAAAAAII/40fUsXXhe6I/s400/mulher+no+campo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os que nasceram para viver são frequentemente mal interpretados, tidos como loucos: arriscam, sorriem, choram e sendo sofrimento ou felicidade, tudo bem, sempre haverá para eles um novo sol à espera. Já outros nasceram para envelhecer, porque tudo o que neles existe é medo, medo de sorrir, de sofrer, de se deparar consigo mesmo, de um dia olhar para trás e ver o quanto viveu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem nasce para envelhecer não precisa olhar para trás, pois não há nada para se ver, ao contrário dos que nasceram para viver, que podem mirar o passado cheios de suspiros de onde tiram a força para o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bravos os que vivem! Covardes os que envelhecem. Porque no fim das contas o que sobra para esse último é o vazio, tão vazio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que envelhece não sofre, ou sofre sim pelo nada que a sua viagem e pelos nãos, o máximo que pôde dizer a si mesmo. Será isso o que espera Deus de nós? Que envelhecemos todos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que vivam os loucos, um brinde à vida!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beijos, abraços e amassos!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-7858381675337924663?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/7858381675337924663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/para-os-que-envelhecem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7858381675337924663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7858381675337924663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/para-os-que-envelhecem.html' title='Motivo para brindar'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SmDDBQbTnaI/AAAAAAAAAII/40fUsXXhe6I/s72-c/mulher+no+campo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-3554070828261022034</id><published>2009-07-08T10:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T15:13:31.816-07:00</updated><title type='text'>LOST</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SlntG6-vE1I/AAAAAAAAAHI/-y_Uqieg0dE/s1600-h/llost+ultima+temporada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357573934901302098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SlntG6-vE1I/AAAAAAAAAHI/-y_Uqieg0dE/s400/llost+ultima+temporada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, para variar, não falaremos sobre literatura, mas sobre a série de TV que tem deixado muitos, como eu, maníacos, fissurados e verdadeiramente loucos: LOST! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que parecia uma história simples e até trivial - um grupo de passageiros perdidos numa ilha desconhecida, devido à queda do vôo 816 - torna-se a cada capítulo mais complexo e desafiador à criatividade e perspicácia do telespectador. LOST é uma teia de intrigas e mistérios. Seus criadores reconstrõem na série a temática que mais atrái o homem contemporâneo: ele mesmo. Não há personagens maniqueístas, mas sim repletos de conflitos tanto interiores quanto exteriores. Jack, o médico, peca pela total ausência da fé, já Lock pelo seu excesso. Sawyer, a um primeiro olhar, golpista e mau caráter, revela-se concomitantemente sensibilidade e lealdade para com aqueles em quem confia e de quem gosta, assim como Kate. E o que dizer sobre Sayde, o torturador mais íntegro que já se viu? E mais ainda, sobre Ben, o vilão da história, agora tão perdido quanto os demais?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há personagem que se mantenha o mesmo com o passar da história: eles são os chamados personagens redondos, são complexos e mudam de opinião e posição a cada nova experiência compartilhada e, claro, interesses. Já na quinta temporada, não sabemos em quem confiar: se antes era Jack quem dava as coordenadas, ou seu rival, na liderança, Lock, agora temos Sawyer no comando junto a Juliet, uma dos "outros". Mas quem estará com a verdade? Existe verdade na Ilha de LOST? Existe verdade na nossa ilha, chamada mundo real?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim como nos grandes romances contemporâneos, o tempo na ilha de LOST não é linear, as digressões para o passado ocorrem a todo instante, de acordo com a memória do personagem focado. Estamos a todo o momento viajando para diferentes espaços (a ilha, EUA, Japão, Iraque, etc) e tempos (presente e passado). Viajamos pelas vidas dos passageiros e vivemos com eles os medos, as dúvidas e os erros, assim como as alegrias . &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas LOST não é só isso: é ficção científica também. Não cruzamos a fronteira tempo e espaço somente através da memória dos personagens, mas literalmente. Jack, Kate, Sawyer, Juliet, Hugo, Jin dentre outros voltam para a década de 70, na ilha, incorporando-se obrigatoriamente a não mais misteriosa coorporação Dharma, todavia não por muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A série consegue passar um pouco de nós, seres humanos, que estamos numa desconstrução contínua. Nada é o que parece e tudo muda constantemente. Não existem donos da verdade nem limitações físicas de tempo e espaço. A ilha é instável, assim como o sujeito, e contém mistérios que talvez nunca sejam resolvidos, e por que deveriam ser? A vida não é um mistério? Apesar disso, muitas perguntas de LOST já foram respondidas, outras porém se criaram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, partirei para os meus palpites acerca desses novos mistérios da ilha de LOST.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1) "Os outros":&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela última temporada que passou, já matamos que os outros chegaram naquele navio "Pérola Negra" que colidiu com a ilha. Navio este que miravam Jacob e seu amiguinho mau (pelo menos assim parece no momento) e sobre o qual tiveram aquela conversinha misteriosa. "Os outros" foram tendo filhos e estabelecendo forte relação com a ilha, sendo que um deles, vocês sabem quem, Richard, recebeu um "presente" de Jacob e está vivo desde aquela época, ou seja, há séculos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;2) A Estátua:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Também está bastante claro que existiu ali na ilha uma civilização criadora daquela Estátua, que devia ser a imagem de um deus. Como eles construíram a estátua? Bem, talvez eles não respondam a essa pergunta, visto que não respondemos até hoje qual foi a tecnologia usada pelos egípcios para erguer as pirâmides. Agora... como se extinguiram? Não sei. Deve ter a ver com a chegada dos europeus à ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3)O porquê da ilha se movimentar no tempo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava pensando na possibilidade de ela estar localizada em algum suposto ponto do globo, em algum trópico, onde existiria algum portão do tempo, alguma "dobra" entre as dimensões. Quando Ben moveu a alavanca, assim como Lock, posteriormente, ele liberou a energiia desse portal, que transportou a ilha para aquele tempo passado, dec. de 70. Mas como se trata de dimensão, é possível que se manifestem passado e futuro ao mesmo tempo, como está acontecendo na intrigante ilha de LOST. Assim, fica claro o porquê de todos saírem da ilha, ao girarem a alavanca, naquele deserto, ali é a saída do, outro portal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4) O que há na sombra da Estátua:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, primeiro é preciso entender que a sombra da estátua não passa de uma metáfora, logo é preciso saber o que é essa sombra. Aí vai, eu acho que a sombra da Estátua é aquela fumacinha preta, que aterroriza todo mundo. E o que é ela? Bem... há mais de uma possibilidade: talvez ela seja um tipo de ser que transita entre as dimensões. Ela não pertenceria a nossa dimensão, humanos, mas a outra, assim como Jacob e seu amiguinho bonitinho de preto. Dessa forma, estaria explicado como ela saberia sobre o passado das pessoas, ela circularia entre os tempos, podendo ir e voltar do passado de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5) O homem de preto que "matou" Jacob:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o próprio Jacob, "o de preto" é outro ser de uma dimensão diferente, a mesma da fumacinha preta. Ele, ao contrário do Jacob, não acredita no ser humano, não crê na capacidade deles mudarem, então brigam pelo poder na Ilha, que no momento estaria com aquele. "O de preto" quer voltar à mesma dimensão em que Jacob se encontra, que no caso seria o presente, e o Lock, por ter muita fé, seria uma espécie de portal para ele. Só com a morte de Lock, ele poderia assumir definitivamente a sua forma e voltar para matar Jacob. Todas as demais pessoas mortas que apareceram, como o pai de Jack, eram esse cara, só que não eram portais, ao contrário de Lock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6) "Eles estão voltando":&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que os que estão voltando são os personagens que estão na déc. de 70: Jack e sua turma. Yuuupiii! Zorra Zorra!! Finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palpites sobre o que pode acontecer:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jack, o médico arrogante, que se acha o dono da verdade, fez uma besteira mais uma vez, acredito eu, ao explodir aquelas escavações. Creio que este sim foi o motivo pelo qual tiveram que construir a escotilha. Logo, o que acontecerá não será a volta de todos para o aeroporto, mas para a própria Ilha, só que agora para o presente, onde estão o suposto "Lock", Richard e seus amiguinhos, ah! e a esposa do Jin, coitada, a coreana.&lt;br /&gt;Juliet, que se estrepou toda, caindo naquele poço profundo, morrerá, e Sawyer, que tinha progredido como ser humano, irá regredir: adeus Kate, nunca mais pegará o loiro novamente, visto que ele voltou para a ilha com sua amada, Juliet, por culpa daquela, e acabou perdendo seu mais novo amor: a loira. Sendo assim, Sawyer odiará Kate, e mais ainda o médico, por quem jamais nutriu grande apreço.&lt;br /&gt;Sozinho e muito triste, além de cheio de ódio em seu "little heart", Sawyer acabará morrendo, para o lamento de nós, mulheres. Por isso ainda bem que a série está acabando, pois sem Sawyer não tem a menor graça. Ele deve morrer salvando alguém, para ficar mais dramático. OH!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;======= #=======&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me arrisquei demais. Esse é o meu máximo, então acabo por aqui. Espero acertar pelo menos uma coisinha, tornar-me-á um ser humano mais feliz! hahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, brincadeiras à parte, esse foi um texto que começou formal e terminou uma bobeira só, super informal . Isso às vezes acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico por aqui ansiosa pelo que irão inventar os malucos criadores de LOST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que venha mais uma vez LOST para me alienar (ou não) ainda mais do MUNDO real!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos, abraços e amassos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-3554070828261022034?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/3554070828261022034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/lost.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3554070828261022034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3554070828261022034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/lost.html' title='LOST'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SlntG6-vE1I/AAAAAAAAAHI/-y_Uqieg0dE/s72-c/llost+ultima+temporada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-770046628526464330</id><published>2009-07-02T10:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T11:31:04.952-07:00</updated><title type='text'>João Cabral de Melo Neto e Fernando Sylvan: os mares</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skz4UpzPxyI/AAAAAAAAAHA/C7wZ66uA8dY/s1600-h/mar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353927090738546466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skz4UpzPxyI/AAAAAAAAAHA/C7wZ66uA8dY/s400/mar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Infância&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Fernando Sylvan - Timor Leste)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;as crianças brincam na praia dos seus pensamentos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e banham-se no mar dos seus longos sonhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a praia e o mar das crianças não têm fronteiras&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e por isso todas as praias são iluminadas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e todos os mares têm manchas verdes&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas muitas vezes as crianças crescem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem voltar à praia e sem voltar ao mar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A voz fagueira de Oan Timor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sem título&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(João Cabral de Melo Neto - Brasil)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mar soprava&lt;em&gt; sinos&lt;/em&gt;,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os &lt;em&gt;sinos secavam&lt;/em&gt; as flores,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As flores eram cabeças de santos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha &lt;em&gt;memória&lt;/em&gt; cheia de palavras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meus &lt;em&gt;pensamentos&lt;/em&gt; procurando fantasmas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meus &lt;em&gt;pesadelos&lt;/em&gt; atrasados de muitas noites.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De madrugada, meus pensamentos puros &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voavam como telegramas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E nas janelas acesas toda a noite&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O retrato da morta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fez esforços desesperados para fugir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pedra do Sono&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Proposta:&lt;/strong&gt; Pequena comparação entre os poemas de Fernando Sylvan, &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt;, e de João Cabral de Melo Neto, sem título.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No poema &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt;, de Fernando Sylvan, nos deparamos com o tom saudosista do eu lírico pela etapa da vida em que não há limites entre o fantasioso e o chamado mundo real, onde está a concretude das atividades e relações humanas: a infância. No mundo da criança sadia e protegida não existem fronteiras entre os homens e entre as nações (o que seria a Nação para a criança?), entre o idealizado e o encontrado no cotidiano, e é da fase adulta que lastima o eu lírico a efemeridade desse “território” sem regras criadas consecutivamente pelo próprio sujeito, junto à imposição sociocultural. Uma vez retirado da inocência, dificilmente alcançará o indivíduo a liberdade de espírito, assim como a autonomia para circular por esses diferentes mundos cheios de “manchas verdes”, que seriam, em outras palavras, a esperança.&lt;br /&gt;O eu lírico de João Cabral de Melo Neto se mostra lastimoso da vida que o tempo leva, da impotência humana perante a vida que se esvai, que se transforma, que desaparece, tornando-se apenas “palavras”, “fantasmas”, “pesadelos”. Não se pode dizer que há neste poema o saudosismo tranqüilo do primeiro, pois nele não existe a chance de voltar, sendo impossível recuperar o tempo perdido; ao contrário daquele em que, nos últimos versos, notamos um pequeno espaço para o otimismo através da locução adverbial “muitas vezes”, que deixa margens para possíveis voltas ao que já foi: “muitas vezes as crianças crescem/ sem voltar à praia...”. Ou seja, não é impossível ser quem se foi no melhor da vida, mesmo que sejam poucas as pessoas a conseguirem esse retorno.&lt;br /&gt;Interpretados sinteticamente os dois poemas, optamos aqui por destacar em ambos uma imagem comum: o mar. Se em &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt;, o mar surge como uma alegoria aos desejos, esperanças e idealizações das crianças, e, até mesmo, como a própria infância, fase ingênua e livre dos preconceitos entre os homens; no poema de Cabral, o mar aparece como o precursor de todas as mudanças, ou seja, o tempo, como o elemento que empurra a primeira peça de dominó, que derrubará todas as outras postas em fileira: é o mar que sopra os sinos, que secarão as flores, que foram cabeças de santos.&lt;br /&gt;De uma forma ou de outra, o que pode se pode destacar é a instabilidade que caracterizam esses mares. O mar representa o que muda, o que passa independentemente do desejo humano: a infância é passageira, porque o tempo é movimento contínuo e se assim o é, poucos voltarão à doce fase que por ele foi dissolvida. Em Sylvan, busca-se o tempo transformado, a praia que as ondas do mar já modificaram: “as crianças crescem sem voltar à praia e sem voltar ao mar”; em Cabral anseia-se pela libertação do inevitável, de si mesmo, das lembranças, único vestígio deixado pelo tempo, o sopro do mar: “E nas janelas acesas toda a noite/ O retrato da morta/ fez esforços desesperados para fugir”. As janelas acesas, de Cabral, mostram na noite um sujeito atormentado, que não dorme, e talvez não durma porque não pode voltar, como lastima Fernando Sylvan em seus versos, mas também não consegue se libertar das lembranças da vida e das vidas que já não existem mais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-770046628526464330?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/770046628526464330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/infancia-fernando-sylvan-timor-leste-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/770046628526464330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/770046628526464330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/infancia-fernando-sylvan-timor-leste-as.html' title='João Cabral de Melo Neto e Fernando Sylvan: os mares'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skz4UpzPxyI/AAAAAAAAAHA/C7wZ66uA8dY/s72-c/mar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-2275778582992287976</id><published>2009-07-02T09:55:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T10:27:58.357-07:00</updated><title type='text'>As ilhas de Drummond e Saramago: um diálogo entre "Divagações sobre as ilhas" e "O conto da ilha desconhecida"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skzpzt0jh8I/AAAAAAAAAG4/CBrWBlEkjME/s1600-h/Ilha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353911131719305154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skzpzt0jh8I/AAAAAAAAAG4/CBrWBlEkjME/s400/Ilha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Proposta e biografia:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tecer um diálogo entre &lt;em&gt;Divagações sobre as ilhas&lt;/em&gt; (1978), do escritor e poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, e &lt;em&gt;O conto da ilha desconhecida&lt;/em&gt; (1998), de José de Sousa Saramago, este português, é o principal objetivo do presente trabalho, que busca em ambos os contos semelhanças e divergências acerca da reflexão sobre o homem contemporâneo e os seus anseios. Não somente isso, pretende-se, por meio deste, analisar os recursos narrativos peculiares aos diferentes autores, nos quais, tendo comparadas as suas biografias, se pode notar alguma semelhança.&lt;br /&gt;Apesar de oriundos de diferentes nações, Drummond, o Brasil, e Saramago, Portugal, podemos destacar alguns traços comuns em suas trajetórias, como o fato terem nascido em cidade pequena, o primeiro em Itabira, interior de Minas Gerais, e o segundo na aldeia de Ribatejo, chamada Azinhaga, se mudando com a família dois anos depois para Lisboa. Os autores também se assemelham quanto à vida simples, visto que Drummond pertencia a uma família de fazendeiros em decadência, e Saramago à classe média baixa da sociedade, o que o impediu de ingressar, apesar da paixão pelos estudos, no curso superior, ao contrário do poeta brasileiro, que apenas por insistência da família se formou em farmácia na cidade de Ouro Preto, em 1925.&lt;br /&gt;Com diferença de vinte anos de idade, Drummond (31 de outubro de 1902) e Saramago (16 de novembro de 1922), os dois revelam em suas obras literárias uma visão crítica a respeito do sistema ideológico e político de seu país. Drummond, por exemplo, desde cedo se mostrou irreverente, quando foi expulso por motivo de “insubordinação mental” do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e mais tarde foi o principal precursor do modernismo no seu estado, fundando com outros escritores &lt;em&gt;A Revista&lt;/em&gt;, que teve vida breve, mas foi essencial para a afirmação do movimento em Minas Gerais. Saramago, em tempos de repressão, por exemplo, foi demitido do jornal Diário de Notícias, após cometer o que acreditavam ser “exageros” da Revolução dos Cravos. A partir dessa informação, notamos outra semelhança: ambos trabalharam em jornais, desempenhando função quer fosse de cronista, poeta, contista dentre outras. Além disso, Saramago passa a se dedicar, após ser demitido, apenas à literatura e Drummond também, após se aposentar, em 1962.&lt;br /&gt;A ironia, sátira e ceticismo social são características comuns aos dois autores, que antes de se solidificarem como os grandes intelectuais e críticos percorreram longo caminho literário, indispensável para o reconhecimento pela crítica literária em conseqüência do amadurecimento.&lt;br /&gt;Drummond faleceu no dia 17 de agosto do ano de 1987, logo após a morte de sua única filha, Maria Julieta Drummond de Andrade; e Saramago continua a escrever incessantemente, tendo publicado agora em 2009, o seu mais recente romance &lt;em&gt;A viagem do elefante&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ao realizar esse jogo comparativo sobre pouco das vidas, descritas muito resumidamente, dos grandes autores, almeja-se, desde a introdução, despertar, ou quem sabe, persuadir o leitor do trabalho ao diálogo que se estabelecerá nas próximas páginas, engendrando-no o movimento desse olhar crítico e comparador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre os enredos e as narrativas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Publicado em 1998, &lt;em&gt;O Conto da Ilha Desconhecida&lt;/em&gt; é um livro do escritor português José Saramago em que o leitor poderá ler o aspecto das relações humanas e políticas e sociais através de uma grande metáfora. Tais relações, muitas vezes, serão expressas em forma de crítica, como é o caso da crítica ao poder governamental e à burocracia. Outras serão percebidas através das relações entre as personagens, como a questão do amor. Outras, ainda, são identificadas através de reflexões que o leitor pode traçar a partir da conduta e da moral da personagem principal: o homem.&lt;br /&gt;Tudo começa com um homem que resolve ir à porta do castelo do rei para fazer-lhe um pedido. Como é de costume, o rei não atende pessoalmente a pedidos, mas o homem insiste que quer fazer seu pedido somente ao rei. Após três dias, o rei resolve atender ao homem e aparece à porta do castelo para perguntar-lhe qual era o seu pedido. O homem pede ao rei que lhe dê um barco. Estranhando o inusitado do pedido, o rei pergunta-lhe para que quer o barco. E, para maior surpresa do rei, o homem responde-lhe que objetiva seguir em busca da Ilha Desconhecida. Em tom de galhofa, o rei diz ao homem que já não existem ilhas desconhecidas e que seu objetivo é uma perda de tempo, visto que as ilhas existentes já são conhecidas e mapeadas, sendo todas sua propriedade real. O homem ousa e insiste. O rei diz-lhe então que vá, mas que, no caso de encontrar a Ilha desconhecida, deverá entregá-la ao rei. O homem discorda. Cansado do homem e acreditando ser toda aquela empreitada uma grande bobagem, e diante de uma indiscutível manifestação popular que se formou ao redor daquele pedido, o rei resolve ceder. Concede ao homem a tão esperada embarcação; não uma grande, visto que o rei não queria perder dinheiro; mas uma que fosse segura e navegasse bem, visto que ele não queria se responsabilizar por nenhum possível acidente; na condição de não lhe ceder junto à tripulação, a qual o homem deveria formar sozinho.&lt;br /&gt;Toda a cena é presenciada pela mulher da limpeza, que inicialmente atendeu ao homem que bateu na porta, e depois passou a escutar a conversa. Após a saída do homem, a mulher, abandonando seu posto de limpeza do castelo, sai pela porta das decisões, decidida a seguir aquele homem em sua busca pela Ilha Desconhecida. Segue, então o homem até a Doca e o observa, de longe, a falar com o capitão do porto. O homem mostrava a ele o cartão do rei e pedia-lhe a embarcação que tinha direito. O capitão do porto pergunta ao homem se ele tem carta de navegação. Ao ouvir-lhe que não, tenta dissuadi-lo da empreitada. Vendo fracassada a sua tentativa, aponta ao homem a embarcação que lhe daria, e nesse momento a mulher da limpeza se revela como a primeira tripulante que irá acompanhá-lo. Ela vai ao barco e começa a limpeza, ele segue em busca de tripulantes para iniciarem a viagem. O dia passa, a noite chega. O homem retorna ao barco, a mulher a sua espera. Constatam juntos, dentro do barco, a realidade que não viam: ninguém mais vai acompanhá-los nessa louca empreitada. Estão sozinhos, na busca de um sonho, o sonho da Ilha Desconhecida, o sonho de um mundo diferente.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Divagação sobre as ilhas &lt;/em&gt;é o texto de abertura do livro de crônicas de Carlos Drummond de Andrade. Diferentemente de uma narrativa comum, com enredo, tempo e personagens, a crônica de Drummond assume um tom confessional em que o seu narrador nos dá a ver seus desejos interiores.&lt;br /&gt;A divagação se inicia a partir de uma hipótese de surgimento de alguma pecúnia ao narrador. Considerando está possibilidade, surge a questão do que seria feito com o dinheiro, no que se decide comprar uma ilha. A imaginação, então, começa a navegar e passamos a ler a idealização dessa ilha que se almeja adquirir. A divagação gira em torno de como será esta ilha. Primeiramente, são dados ao leitor os elementos que esta ilha deve conter em si, e, em seguida os elementos que para ela serão carregados. Também será discutida a questão dos moradores ou visitantes desta ilha, não sendo permitida a entrada de qualquer pessoa. A crônica de Drummond vai tratar da idealização de um mundo paralelo: a ilha, no qual os defeitos da terra firme não existem.&lt;br /&gt;Cabe, então, comparar a estrutura narrativa do conto do escritor português Saramago com a estrutura narrativa da crônica do poeta brasileiro Drummond. Para falar da ilha, Saramago dá voz a um narrador onisciente que tem um enredo, do qual não participa, para contar. Drummond também dá voz a um narrador, mas aqui, ele não é onisciente e não se vale de enredo. O foco narrativo da crônica de Drummond é em primeira pessoa, e mais do que personagem, o narrador drummoniano é o confessor das divagações.&lt;br /&gt;Nesse sentido, o tom das narrativas tratadas aqui é diverso. Em Saramago, temos uma estória que é contada ao leitor, enquanto que em Drummond temos uma confissão que é feita a ele. Saramago trata da questão da ilha por meio de um narrador que narra uma estória a parte para tal fim, os sentimentos deste narrador não são expressos, ele está de fora e não vive a busca pela ilha. Drummond trata da mesma questão através de um narrador que se envolve. É dele a suposição de ter dinheiro para adquirir a ilha e é dele a divagação pela ilha ideal que compraria. O narrador de Drummond é o dono dos pensamentos que se desenvolvem na crônica, estando, portanto, intimamente envolvido com ela.&lt;br /&gt;A diferença do tom das narrativas permite, também, a identificação da diferença entre as personagens das mesmas. Enquanto o narrador de Saramago se vale de personagens para narrar a estória sobre a ilha desconhecida, o narrador de Drummond não necessita delas, já que ele não se vale de enredo para falar da ilha. No conto de Saramago, chama a atenção o fato da identidade das personagens não ser importante para o desenrolar da narrativa. As personagens não possuem nome, sendo identificadas pela posição social que ocupam. Disso, pode-se entender uma aproximação entre as narrativas no que tange a escolha da apresentação das personagens. Em ambas, seja pela ausência de personagens (caso de Drummond), seja pela não identificação identitária das mesmas (caso de Saramago), nota-se um tênue descompromisso no que tange o indivíduo, donde se conclui que o desejo pela ilha não é individual, mas universal.&lt;br /&gt;A ilha é, em ambos os textos, uma tentativa de fuga à terra firme. Ela funciona como metáfora da busca pelo novo, pelo sonho, pelo mundo diferente do que até aqui se pode encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As Ilhas de Drummond e Saramago&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Divagação sobre as ilhas&lt;/em&gt;, o narrador deseja uma ilha que não seja nem muito perto e nem muito longe do litoral, pois para ele “a arte do bem viver” está relacionada não com uma fuga permanente, mas com uma “fuga relativa” do mundo. Muitos de nós, seres humanos, sonhamos durante a vida inteira, com uma ilha, de acordo com os nossos diferentes anseios, enumerados pelo autor, como natureza, solidão ou felicidade não alcançada na sociedade comum. Entretanto, o narrador, quando pensa em comprar uma ilha, aponta outros motivos para estar nela, já que, segundo ele, carrega consigo a solidão, e quanto à felicidade, diz: “E felicidade não é em rigor o que eu procuro” (ANDRADE, 1973, p. 796).&lt;br /&gt;A ilha o satisfaz por ser uma pequena porção de terra em que se exclui o ruim do mundo e se resume o que nele há de bom, além de possuir “a vantagem de ser quase uma ficção sem deixar de constituir uma realidade” (ANDRADE, 1973, p. 796). Ou seja, o sujeito pode caminhar pelos dois planos, o imaginário e o real, sem abandoná-los. A ilha também é a busca do indivíduo pela liberdade de desfrutar a vida, objetivo primeiro do homem, perdido em meio ao progresso, que impõe regras e normas de se viver; antes do espaço para consigo mesmo, tem o sujeito o dever das taxas e a submissão às fiscalizações:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(...) o progresso técnico teve isto de retrógrado: esqueceu-se completamente do fim a que se propusera, ou devia ter-se proposto. Acabou com qualquer veleidade de amar a vida, que ele tornou muito confortável, mas invisível. Fez-se numa escala de massas, esquecendo-se do individuo, e nenhuma central elétrica de milhões de kw será capaz de produzir aquilo de que precisamente cada um de nós carece na cidade iluminada: certa penumbra.&lt;/em&gt; (ANDRADE, 1973, p. 796).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras palavras, na ilha é possível constituir a “veleidade de amar”, é também possível nos fazer enxergar o que estava invisível diante de nossos olhos e nos dá a “penumbra” de que nós precisamos.&lt;br /&gt;O narrador ao falar de sua ilha, idealiza os elementos que ela deve conter, como a presença de animais de plumagem gloriosa que não sejam superiores à força e ao medo humano. Não se deve levar, contudo, bíblia, nem discos, mas é fundamental levar um amigo que saiba contar histórias e o jornal, único meio que o comunicaria as notícias da sociedade que teria deixado. Por ser a ilha um lugar de recreação, os poetas que forem a este lugar devem deixar a profissão, os seus “tiques profissionais”, o “tecnicismo” e a “excessiva preocupação literária”. Para pertencer à ilha, os homens devem estar em harmonia com o meio, eles devem ser “homens razoáveis, carentes, humildes, inclinados à pesca e à corrida a pé, saibam fazer uma coisa simples para o estomago, no fogão improvisado” (ANDRADE, 1973, p. 797). O narrador aconselha também aos leitores, quando forem à ilha, a deixarem na cidade toda os problemas de hegemonia, ciúme e enfim, todos os perigos da convivência urbana a que estão inseridos.&lt;br /&gt;Segundo o narrador, a idéia de fuga tem sido alvo de críticas há anos, seja a fuga de um perigo, de um sofrimento ou de uma caceteação. É como se quisessem que o homem encarasse apenas dura realidade, sem fugas, o que faz com que eles sejam infelizes, e conseqüentemente, fazendo o seu próximo infeliz. Para o narrador não há porque ter sempre o pensamento voltado para os problemas do mundo e a para a salvação do mesmo, pois segundo ele, “por bondade abstrata nos tornamos atrozes. E o pensamento de salvar o mundo e dos que acarretam as mais copiosas e inúteis carnificinas” (ANDRADE, 1973, p. 798). É justamente em prol do pensamento de bondade e da constante vontade de salvar o mundo, que as sociedades vêm há séculos entrando em guerra. É através dessas reflexões que o narrador reafirma a necessidade de irmos para as ilhas, lugar de “meditação despojada”, ir às ilhas é uma forma de não sermos cúmplices dos “equívocos mentais generalizados”. Sendo assim, podemos concluir que a ilha é “o refugio último da liberdade, que em toda parte se busca destruir” (ANDRADE, 1973, p.798). É por isso que devemos, conforme o narrador disse, amar a ilha.&lt;br /&gt;No conto de José Saramago, &lt;em&gt;O conto da ilha desconhecida&lt;/em&gt;, várias são as interpretações encontradas em relação ao conceito de “ilha”. A principal é dita pelo próprio escritor, quando esse menciona que “todo homem é uma ilha”, (SARAMAGO, p. 41/42). Logo, a procura do personagem principal é encontrar a si mesmo, e para isso é necessário fugir da realidade, deixando tudo para trás e começar uma vida nova, longe de tudo que estava relacionado com sua vida no “continente”. A vitória está em superar-se, ir onde nenhum outro jamais esteve, descobrir algo fora de si que eleve o entendimento das verdades mais profundas, escondidas na alma como uma ilha.&lt;br /&gt;Sem profissão aparente o personagem segue no compromisso e determinação de ser e aprender tudo o que é necessário para realizar seu sonho, desde capitão de um barco a cultivador de grãos e frutos. Ele acredita tanto nisso, que com muito otimismo e seriedade, desafia a autoridade do rei, a experiência do capitão de mar e a todos os candidatos à marinharia em busca de seu objetivo, que é, na verdade, a busca pelo seu “eu” interior, sua identidade e sua ocupação. Esta busca por si mesmo, no mundo literário, é uma das mais antigas, relacionando o mistério e a coragem, refletidos em cada um de nós, fazendo desta busca um sonho universal.&lt;br /&gt;Ao relacionarmos os dois textos, percebemos que ambos falam da procura pela “ilha” dentro de cada um de nós. A ilha, encontrada nos mesmos, e resumidamente aqui descritas, é a alegoria da busca incessante do ser humano por si mesmo, pelo autoconhecimento, por um espaço dentro de si que o liberte de um sistema fechado em que as regras, assim como as mediocridades, já existiam muito antes de ele chegar ao mundo. Se por um lado, temos em &lt;em&gt;Divagação sobre as ilhas&lt;/em&gt;, essas no plural, um narrador franco e direto, que descreve a sua ilha, mas deixando no título subentendidas as ilhas dos demais indivíduos, inclusive a do leitor, ou até mesmo, outras ilhas diferentes dentro de si; temos, por outro lado, em &lt;em&gt;O conto da ilha desconhecida&lt;/em&gt;, um texto repleto de recursos narrativos que fazem do leitor mais um investigador dos sentidos de suas metáforas, do que um confidente, como acontece no primeiro.&lt;br /&gt;Tanto o conto do brasileiro quanto o do português nos permite refletir acerca desse conflito existencial do sujeito que, se desde o Renascimento deixou de mirar ao divino para estar consigo, agora, na contemporaneidade, se vê perdido em meio ao barulho do progresso sem tempo e espaço para a realização desse encontro com ele mesmo.&lt;br /&gt;Para concluir, podemos interligar os contos afirmando que a tentativa do mal do progresso, denotada por Drummond, não pode ser um entrave, ou em outras palavras, um forte elemento de desistência para cada indivíduo de encontrar a sua ilha desconhecida, descrita por Saramago, porque por mais que se tente no atual sistema capitalista (e o antigo burguês) transformar o homem em cópias uns dos outros, são todos diferentes entre si: únicos. Resta apenas desafiar “o rei” – o sistema – e incentivar os demais a deixar o comodismo e a embarcar para as suas ilhas desconhecidas, visto que sempre haverá o que se descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência bibliográfica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDRADE, Carlos Drummond de. &lt;em&gt;Poesia completa e prosa&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1973. (p. 795 – 798).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SARAMAGO, José de Sousa. &lt;em&gt;O conto da ilha desconhecida&lt;/em&gt;. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enciclopédia livre. &lt;em&gt;José Saramago&lt;/em&gt;. Disponível em: &lt;&gt;. Acesso em: 18 de junho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enciclopédia livre: &lt;em&gt;Carlos Drummond de Andrade.&lt;/em&gt; Disponível em: &lt;&gt;. Acesso em: 18 de junho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autores do trabalho: Carolina Chebel, Luiz Daniel, Marcela Teixeira e Patrícia Roque&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-2275778582992287976?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/2275778582992287976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/as-ilhas-de-drummond-e-saramago-um.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2275778582992287976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2275778582992287976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/07/as-ilhas-de-drummond-e-saramago-um.html' title='As ilhas de Drummond e Saramago: um diálogo entre &quot;Divagações sobre as ilhas&quot; e &quot;O conto da ilha desconhecida&quot;'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Skzpzt0jh8I/AAAAAAAAAG4/CBrWBlEkjME/s72-c/Ilha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-3385117429240923279</id><published>2009-06-08T13:09:00.000-07:00</published><updated>2009-06-08T13:41:27.612-07:00</updated><title type='text'>Memorial: Percurso do leitor privilegiado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Si13THBBJrI/AAAAAAAAAGw/kngH_Uefoyc/s1600-h/ler+e+bom.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345059502943184562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Si13THBBJrI/AAAAAAAAAGw/kngH_Uefoyc/s400/ler+e+bom.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O porquê deste memorial &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;No dia sete de maio deste ano, foi proposto a minha turma de Pesquisa e Prática de ensino IV um desafio: relembrar quais percursos realizamos para que nos tornássemos hoje leitores de literatura, e em quais motivos nos calcamos para a escolha do magistério como a profissão de nossas vidas, já que cursamos na Universidade Federal Fluminense o último semestre do curso de Letras (Português/ Literaturas).&lt;br /&gt;Vejo na proposta de avaliação um desafio, porque para tal é preciso, em meio à correria do dia-a-dia, parar por alguns instantes e olhar para dentro de mim, procurando no passado, que não é tão distante assim, mas pelo qual passei tão distraída, títulos de obras e nomes não apenas dos autores dessas obras, como também de pessoas que fizeram parte da minha vida, incutindo-me o gosto pela leitura e a admiração pela figura do professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A bagunça eram os livros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de meu pai não ter encontrado nenhum incentivo à leitura nos meus avós, visto que esses nem chegaram à faculdade, ele se tornou um leitor assíduo. Lembrado sempre por minha avó como uma criança curiosa e inquieta, meu pai nem sempre encontrou nos livros de literatura as respostas para as suas perguntas, todavia mais importante do que isso, ele encontrou na literatura um espaço para a reflexão e a ampliação dos seus conhecimentos. E assim, vendo-o sempre com um livro nas mãos, foi o meu primeiro contato com o objeto livro.&lt;br /&gt;Eu, como morava na casa deste assíduo leitor, estava sempre a encontrar livros pela casa: abertos, fechados, embaixo do sofá, na mesinha de cabeceira, nas estantes, uns divertidos, com desenhos ou fotografias nas capas, outros todos pretos e por isso sem graça... O fato é que encontrando qualquer um deles, gostava de fingir de ler e fingia não só em casa, como também nas livrarias em que ele e minha mãe frequentemente me levavam, quando saíamos juntos a passeio. Os livros eram, portanto, já bastante presentes na minha vida. Mesmo antes de aprender a ler, já nutria por eles grande admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Deixando de fingir de ler para LER &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;A minha primeira leitura, realizada apenas por mim, sem ajuda dos pais ou da professora, aconteceu no antigo C.A e foi também a minha primeira decepção com os livros. Apesar da história, que se constituía de um vaga-lume e a sua descoberta do mundo, não ter me agradado, li até o fim por motivos de compromisso e solidariedade: nós, alunos do C.A, teríamos uma tarefa em classe sobre o livro e, além disso, não poderia mesmo deixar o vaga-lume perdido lá no meio da história. Conheci, já na alfabetização, a tão repudiada pelos estudantes “leitura obrigatória”.&lt;br /&gt;Teresa Colomer, em obra &lt;em&gt;Andar entre livros&lt;/em&gt;, nos descreve concisamente no primeiro capítulo, &lt;em&gt;Ler na escola: os livros e a leitura&lt;/em&gt;, o percurso ao longo da história, desde os gregos até a contemporaneidade, da literatura imposta pela instituição educacional, que, por exemplo, visaria alcançar diferentes objetivos por metodologias diversas, como o desenvolvimento da retórica através do estudo das obras greco-romanas ou mais tarde a habilidade do aluno de reconhecer a boa ou má literatura de acordo com os recursos estilísticos usados pelo autor e mais recentemente a valorização da leitura na formação do sujeito por meio da leitura em classe, cuja finalidade seria que “cada um teria lido ao menos um livro completo em sua vida” (COLOMER, 2007. p. 16-17).&lt;br /&gt;Quanto a minha escola, acredito que o objetivo, quando nos impôs a leitura do livro que tanto detestei, foi não apenas o de nos colocar em contato com as letras, visto que estávamos no processo de alfabetização, mas também o de engendrar-nos o desejo pelo mundo dos livros. Creio que a intenção foi a melhor possível, a metodologia, entretanto, foi bastante descuidada, porque, talvez para facilitar o trabalho da professora que teria que ler apenas um livro, não tivemos nós, alunos, a opção de escolher outros, que mais poderiam nos interessar. O que era, portanto, para ser um incentivo, foi para mim o oposto, e não quis mais saber dos livros indicados, ou melhor, impostos pela escola.&lt;br /&gt;Na terceira série, hoje quarto-ano, através do projeto da professora, que consistia na criação de nossa própria biblioteca dentro da sala de aula por livros escolhidos e levados por cada coleguinha de classe, entrei para nunca mais sair do mundo da leitura. A professora pôs em prática o contrário do que se realizou no meu C.A e a que critica Colomer: “Todos estes conteúdos escolares quase sempre são lembrados como áridos, absurdos e desconectados da vida” (COLOMER, 2007. p. 18). Ela criou um espaço na sala de aula em que os alunos puderam levar a sua realidade, os seus interesses, seus sonhos e compartilhá-los com os demais.&lt;br /&gt;Nessa fase, aprendi, mesmo que inconscientemente, um dos principais conceitos de literatura: a reconstrução da realidade para a reflexão do mundo; a materialização e a problematização dos sentimentos do homem e a sua visão sobre si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Da leitura de entretenimento para o cânone&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A minha adolescência foi repleta dos suspenses de Agatha Christie, escritora de romances policiais, e de histórias de amor de autores variados. Posso dizer que o meu primeiro contato com o cânone, ao longo dos séculos considerado “alta literatura”, foi na escola, no primeiro ano do Ensino Médio. Não foi, todavia, uma leitura imposta pelo colégio. Eu, numa das minhas visitas rotineiras à biblioteca da escola, encontrei um livro que me chamou atenção pela face morena, triste e distante de uma moça muito bonita na capa. Era Ana Terra, a versão em desenho da personagem principal do romance regionalista de Érico Veríssimo, &lt;em&gt;Ana Terra&lt;/em&gt;. Atraída pela melancolia da moça da capa do livro, e pelo seu sobrenome curioso, Terra, optei por iniciar a leitura, e me apaixonei pela sua história triste, pelo seu amor não realizado, pela morte do homem por quem se apaixonou, tão diferente dela, um indígena. Revoltei-me com a injustiça que sofreu na carne, chorei junto dela a morte de seu pai e seus irmãos. A narrativa reconstruía um século XVII que me mostrava o quanto o ser humano continuava igual já na contemporaneidade a que eu pertencia: continuava a se frustrar pelos desejos não realizados, a ter amores impossíveis, a sofrer as perdas de pessoas queridas pela violência. Deparei-me com um século distante muito próximo de mim e perdi o preconceito contra os clássicos.&lt;br /&gt;Dessa forma, foi com grande gosto, diferente de muitos colegas de classe, que iniciei a leitura, dessa vez obrigatória, de &lt;em&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;, de Machado de Assis. A simpatia pela obra não se prolongou, entretanto, por muitos capítulos: a narrativa era pesada, lenta, difícil, causava estranhamento e a história ia se arrastando. Apesar do labor para ler as memórias do defunto-autor, finalizei a leitura. Foi nessa hora, como uma epifania que acontece às personagens de Clarisse Lispector, ao fechar o livro, que percebi o quanto era genial o romance machadiano e tive vontade de o reler com mais calma, mas, dessa vez, consciente de que tudo o que encontraria no romance não estava ali por distração do autor, mas por um propósito.&lt;br /&gt;Nas aulas que se seguiram, aprendi que a narrativa pesada e a linguagem densa eram recursos utilizados pelo autor para nos mostrar o quanto a vida pode ser tediosa, repetitiva, sem esperanças, como acreditavam os realistas nos fins do século XIX. Apaixonando-me pelo que me dizia cada obra de Machado de Assis sobre o Rio de Janeiro daquele século, quis conhecer melhor o que outros grandes escritores também teriam a me contar sobre a nossa sociedade, sobre a humanidade, e foi esse um dos motivos pelos quais prestei vestibular no ano de 2004 para a faculdade de Letras da Universidade Federal Fluminense – UFF, e fui aprovada.&lt;br /&gt;Nilma Lacerda, em &lt;em&gt;Desarmando as armadilhas da exclusão em leitura: o jaguar lambendo as patas&lt;/em&gt;, nos proporciona um espaço de reflexão sobre o que é o leitor, quando compartilha conosco uma experiência sua com uma professora que, apesar de ter acabado de ler um grande e complexo romance de José Saramago, não se considerava leitora, visto que teria lido &lt;em&gt;O memorial do convento &lt;/em&gt;apenas para a faculdade. A partir desse ocorrido segue-se a seguinte questão:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ela não estava autorizada a se reconhecer leitora, a se saber trânsfuga em campo alheio para colher o que quisesse, deter-se nas moitas do seu interesse, decidir-se nas encruzilhadas, dispersar-se nos letreiros que o campo não parece ter. Mas podia andar pelas trilhas já percorridas, com cercas limitadoras de sua arte de fazer que se mostrava então arte de cumprir. Podia ler os livros como tarefa da faculdade, não como caminho pessoal para significar o mundo (LACERDA, 2007. p. 7)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ao contrário de muitos brasileiros, que como essa professora, não se reconhecem leitores, porque antes não se vêem sujeitos de sua vida, fazedores da história, eu sempre, mesmo antes de ler literatura, me reconhecia como leitora. Talvez a explicação esteja na minha educação familiar, que, junto da escola, me treinou para o mundo: difícil não se reconhecer leitora com tantos livros arredor, com tantas histórias sendo recontadas dos livros pelo discurso oral de meus pais. Quem sabe, porque meu pai já me deixava livre entre as prateleiras da livraria, com a liberdade de escolher o livro que eu quisesse, não tive o dilema descrito por Nilma Lacerda tão comum na contemporaneidade do Brasil:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Revela-se, em sua fala, [da professora] a existência de protocolos para a autorização de leitura, no Brasil. Para as classes mais abastadas, o acesso a quaisquer literaturas, sobretudo as que se convencionam chamar de alta literatura, é livre e estimulado desde cedo. Às classes trabalhadoras e aos que a custo se incluem nas práticas da cultura escrita reserva-se a leitura funcional, instrumental, capaz de produzir riqueza para bolsos alheios e contribuir para o progresso do país (LACERDA, 2007. p. 7). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Infelizmente, reconheço que, no meu país, são poucos os que, como eu, possuem as mesmas oportunidades. No país repleto de desigualdades, é a minoria detentora do privilégio de desde a infância ser preparada para se tornar leitora, antes da literatura, do mundo. E o que não nos permite desanimar de nosso papel de professor e educador é o testemunho de que, se por um lado podemos nos deparar com o indivíduo que, apesar de todas as condições familiares, educacionais e econômicas, opta pela alienação; podemos, por outro lado, nos surpreender positivamente com o sujeito que, em situação oposta daquele, encontra o seu lugar como ser ativo e leitor da sociedade. A prova disso, está na obra biográfica de um dos maiores escritores mundiais do século XX, o brasileiro alagoano Graciliano Ramos, &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou – e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. Atirava rápido meia dúzia de letras, ia jogar solo. À tarde pegava o côvado, levava-me para a sala de visitas – e a lição era tempestuosa. Se não visse o côvado poderia dizer qualquer coisa. Vendo-o me calava. Um pedaço de madeira, negro, pesado, na largura de quatro dedos” (RAMOS, 1975. p. 105).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos castigos violentos, que estavam atrelados ao ato de ensinar, por que passou o escritor nordestino, e mesmo com a descrença de seu pai a sua capacidade de aprender, Graciliano Ramos conquistou o seu espaço no mundo das letras, tornando-se, antes de grande autor de obras literárias, um cidadão plenamente consciente das questões sociais e políticas brasileiras, sendo mais tarde perseguido e preso pelo Estado repressor:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Com o tempo deixei de espantar-me, julguei entrever o mecanismo que impulsiona esquisitas celebridades vazias. O louvor de várias formas, em vários tons, cargas sucessivas de elogios, impressionam a massa, levam-na a enxergar numa personagem a grandeza conveniente. Virtudes escassas aumentam, desenvolvem-se até o absurdo, os defeitos esmorecem, obliteram-se. Prepara-se desse modo uma personagem destinada a figurar como síntese de qualidades alheias, voluntariamente ocultas (RAMOS, 2008. p. 112)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A escolha pelo magistério em Língua Portuguesa e Literaturas&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A figura do professor sempre me despertou admiração. Minha relação com esses profissionais, desde a escola à faculdade, foi de muito respeito e reconhecimento. Para mim, era como se eles fossem mais do que pessoas comuns, como se estivessem em outro patamar e eu almejava essa posição. Frente às turmas de em média trinta alunos, eles me pareciam geralmente inabaláveis, seres humanos completos de conhecimento e segurança.&lt;br /&gt;Cedo, na faculdade, vi se desfazer essa idealização dentro de mim. No espaço universitário o professor já não se colocava tanto em destaque, mas procurava, pelo contrário, estar entre nós, formando conosco um círculo em que, ao invés de nos dar respostas ou pregar virtudes, fazia-nos perguntas, exigia-nos uma postura ativa, o oposto do que a instituição escolar esperava de nós.&lt;br /&gt;Essa nova realidade me causou profundo estranhamento, talvez o mesmo causado aos alunos do professor norte-americano Frank Mc Court. A metodologia de se recitar receitas culinárias como se fossem poesias, de se escrever um pedido de desculpas pelo pecado original a Deus, foi uma das muitas maneiras que encontrou o professor de incutir nos jovens o questionamento sobre as visões de mundo, de como tudo poderia e pode ser diferente segundo as ações humanas: o que pode ser considerado poesia? O que não pode? Podemos reconstruir a história? Podemos ser agentes da história?&lt;br /&gt;A minha postura ao ingressar no curso de letras da UFF era a mesma dos alunos de Mc Court: “Isso era uma coisa que eu já deveria saber desde o início: os alunos das minhas turmas, adultos entre dezoito e sessenta e dois anos, achavam que a opinião deles não valia nada” (COURT, 2006. p. 127). Pude ler no romance &lt;em&gt;Ei, professor&lt;/em&gt; uma afirmação parecida com a que ouvira de meu professor de Teoria da Literatura III, que era mais ou menos isso: duvidem de todo e qualquer discurso, inclusive do meu; no romance o argumento semelhante era: “Vocês não precisam engolir tudo o que eu disser. Ou o que qualquer pessoa disser para vocês” (COURT, 2006, p. 127).&lt;br /&gt;Mais avançada no curso, tive a excelente oportunidade de ser bolsista da professora Nilma Lacerda, aplicando projetos da universidade no colégio Universitário Geraldo Reis, COLUNI. Foi a minha primeira experiência com turmas de alunos do Ensino Fundamental e confesso que a realidade a que me vi presente me chocou bastante. Deparei-me com o que só conhecia por ler nos jornais: estudantes em séries avançadas que mal conseguem entender o que lêem, violência no falar e no agir de algumas crianças e adolescentes, sempre na defensiva contra o professor. Realidade que minha orientadora conhecia bem e a qual intervíamos num trabalho de equipe, olhando para os alunos e reconhecendo nas duas formas de arte, cinema e literatura, um meio de reconstrução do indivíduo, daqueles alunos.&lt;br /&gt;Conscientizar-se da realidade do aluno não significa necessariamente absorve-la somente, trabalhando apenas com leituras e filmes de entretenimento, mas consiste em não vê-los com preconceitos ou espanto, em abrir espaço para esses, conciliando e apresentando concomitantemente o que acreditamos ser de direito de todo o cidadão conhecer: “uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é direito inalienável” (CÂNDIDO, 1976. p. 126).&lt;br /&gt;Acredito, como argumenta Jean Lebrum, que o espaço escolar deve tornar possível o que não teriam acesso os estudantes fora do mesmo, não, obviamente, desprezando as “leituras selvagens”, mas também não se rendendo a elas simplesmente:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O problema não é tanto o de considerar como não-leituras estas leituras selvagens que se ligam a objetos escritos de fraca legitimidade cultural, mas é o de tentar apoiar-se sobre essas práticas incontroladas e disseminadas para conduzir esses leitores, pela escola mas também sem dúvida por múltiplas outras vias, a encontrar outras leituras. É preciso utilizar aquilo que a norma escolar rejeita como um suporte para dar acesso à leitura na sua plenitude, isto é, ao encontro de textos densos e mais capazes de transformar a visão do mundo, as maneiras de sentir e de pensar (CHARTIER,1945. p. 104).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo pensamento observamos em Nilma Lacerda, quando diz: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O domínio de reserva técnica precisa ser dissolvido na acolhida a outros paradigmas. Ler enquanto eu e nós no mundo, ler de outras maneiras, ler outros materiais. Não temer quadrinhos, coelhos, júlias e sabrinas, antes acolher e respeitar essas leituras, considerar que são muitos os caminhos das letras, e que as margens da via estreita da literatura costumam receber refugos, que servem, conforme a época, à construção da literatura (LACERDA, 2007. p. 12).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para fim de conversa&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No fim deste memorial, as conclusões a que chego são, primeiro a de que tendo os livros desde cedo em minha companhia, o fato de ter me tornado leitora de literatura e de outros, mas principalmente literatura, meu objeto de trabalho, foi um grande privilégio em comparação a massa do meu país. Segundo, quanto à admiração que sempre nutri pela imagem do professor, retifico-me aqui quanto ao que disse mais acima: a idealização a que afirmei desfazer-se não se desfez, e sim se transformou em um olhar maduro e consciente sobre o profissional que antes de tudo, é formador de sujeitos e transformador da sociedade, aquele que se atreve a fazer-se questionar, a questionar o que é dito, o que já estava pronto quando nós, sujeitos de nossa história, chegamos ao mundo. O professor que se entende como detentor da verdade nada mais representa do que o atraso.&lt;br /&gt;A essa altura em que me encontro, no último semestre do curso de Letras, vejo-me mais consciente do que encontrarei fora dos muros da faculdade e dentro dos muros das escolas. Não posso negar o receio e a insegurança que me assolam quanto ao que está por vir, visto que a rotina de quatro anos de intensa dedicação aos deveres da faculdade estará cumprida, pelo menos no que diz respeito à graduação, e terei outras responsabilidades diferentes da que de certa forma já me encontrava acostumada.&lt;br /&gt;Independentemente do que seja, tenho dentro de mim a vontade e , antes disso, o dever de contribuir com a sociedade e compartilhar com a mesma o que aprendi na minha caminhada, além de, claro, aprender também, segura de que sem a educação, sem o letramento de que fala Magda Soares, em Letramento: um tema de três gêneros, de nossos cidadãos, o Brasil continuará a ser o país do futuro. Creio, porém, que a nova geração de professores, da qual faço parte, quer transformar esse bordão, agindo para tornar o Brasil o país do presente. Certos de que essa transformação não se dará de uma hora para outra, mas que precisa começar o quanto antes: aqui vamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências bibliográficas: &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;CÂNDIDO, Antônio. &lt;em&gt;Direitos humanos&lt;/em&gt;. In_ &lt;em&gt;Direitos humanos e&lt;/em&gt;... São Paulo: ed. Brasiliense, 1976.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;CHARTIER, Roger. &lt;em&gt;A aventura do livro:&lt;/em&gt; do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo de Moraes - São Paulo: UNESP/ Imprensa Oficial do Estado, 1999.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;COURT, Frank Mc. &lt;em&gt;Ei, professor&lt;/em&gt;. Trad. Rubens Figueiredo. Rio de Janeiro: ed. Intrínseca, 2006.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;LACERDA, Nilma Gonçalves. &lt;em&gt;Desarmando as Armadilhas da exclusão em leitura&lt;/em&gt;: o jaguar lambendo as patas. in_: &lt;http:www.alb.com.br&gt;.&lt;http:www.alb.com.br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;http:www.alb.com.br&gt;RAMOS, Graciliano. &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt;. São Paulo: ed. Livraria Martins, 1975.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;http:www.alb.com.br&gt;_______ &lt;em&gt;Memórias do Cárcere&lt;/em&gt;. 44ª edição. Rio de Janeiro: ed. Record, 2008.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;http:www.alb.com.br&gt;SOARES, Magda. &lt;em&gt;Letramento:&lt;/em&gt; um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2001.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = http /&gt;&lt;http:www.alb.com.br&gt;&lt;/http:www.alb.com.br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-3385117429240923279?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/3385117429240923279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/06/memorial-percurso-do-leitor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3385117429240923279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3385117429240923279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/06/memorial-percurso-do-leitor.html' title='Memorial: Percurso do leitor privilegiado'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Si13THBBJrI/AAAAAAAAAGw/kngH_Uefoyc/s72-c/ler+e+bom.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-4591190114425651501</id><published>2009-05-30T15:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T16:15:27.173-07:00</updated><title type='text'>Impotentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SiG95Iu8kHI/AAAAAAAAAGo/EIVzYsYApDU/s1600-h/face+triste.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341759422332702834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SiG95Iu8kHI/AAAAAAAAAGo/EIVzYsYApDU/s400/face+triste.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;E porque nós criamos a nossa verdade.&lt;br /&gt;E porque nós decidimos ser quem somos.&lt;br /&gt;E porque nós depositamos a nossa felicidade no que não temos e porque nós insistimos nisso.&lt;br /&gt;E porque nós não dominamos o tempo e não podemos mudar o que já foi nem impedir os que se vão.&lt;br /&gt;E porque nós somos meros animais.&lt;br /&gt;E porque nós estamos num lugar desconhecido.&lt;br /&gt;Atrapalhados e dependentes do quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;Beijos, abraços e amassos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-4591190114425651501?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/4591190114425651501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/impotentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4591190114425651501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4591190114425651501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/impotentes.html' title='Impotentes'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SiG95Iu8kHI/AAAAAAAAAGo/EIVzYsYApDU/s72-c/face+triste.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6240293696465830814</id><published>2009-05-23T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T10:37:09.572-07:00</updated><title type='text'>Um anel na areia - Resenha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ShgzG8GHPxI/AAAAAAAAAGY/dqJC7kwyQhE/s1600-h/um+anel+na+areia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339073552551722770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ShgzG8GHPxI/AAAAAAAAAGY/dqJC7kwyQhE/s400/um+anel+na+areia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;RUI, Manuel. &lt;em&gt;Um anel na areia&lt;/em&gt;: estória de amor. Luanda: Nzila, Lda, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Informações sobre o autor e introdução:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Manuel Rui é advogado e escritor angolano. Nasceu na cidade de Nova Lisboa, que hoje se chama Huambo, no ano de 1941. Além de ser ativo na vida política, civil e educacional de seu país, dedica-se ao mundo literário, tendo já publicados nove livros de poemas e mais de uma dezena de ficção. Muitos desses já se encontram traduzidos em vários idiomas, como &lt;em&gt;Quem me dera ser onda&lt;/em&gt; (2007), que também foi adaptado para o teatro e para a TV, sendo reeditado diversas vezes. Por essa obra teve reconhecido o seu trabalho como autor de ficção através do “Prêmio Caminho das Estrelas”. Manuel Rui não se destaca somente como escritor no mundo das Letras, visto que é membro Fundador da União dos Artistas e compositores angolanos, pertencente à Sociedade de autores angolanos e da União de escritores angolanos.&lt;br /&gt;A presente resenha trata do romance &lt;em&gt;Um anel na areia&lt;/em&gt; (2002). Pretendemos aqui despertar o interesse do leitor para o mundo de Marina e Lau, os dois personagens principais da obra, que vivem um dos grandes períodos de transformação política e cultural de Angola. Além disso, cabe-nos destacar alguns dos recursos literários empregados pelo autor, responsáveis pela não obviedade do decorrer da história, mantendo assim o mistério e a curiosidade do leitor pelo seu desfecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resumo:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Somos testemunhas, em &lt;em&gt;Um anel na areia&lt;/em&gt;, de parte das vidas de Marina e Lau, um jovem casal de namorados que, apesar de apaixonados, são muito diferentes um do outro. Marina tem uma visão mais sensível do mundo, já Lau é bastante prático e questionador dos costumes sociais. A história de amor começa na noite em que acaba, por alguns minutos, a luz na escola onde estudam juntos na mesma classe. O rapaz aproveita essa oportunidade para se dirigir até Marina e beijá-la. A moça, encantada por ele, escreve e arremessa ao mesmo um bilhete transformado em aviãozinho de papel: “Sabes que gosto muito de ti e quero-te beijar de dia?” (p. 9). A narrativa se inicia três anos a frente desse ocorrido, que é rememorado pela personagem. Marina nos confidencia sentir-se grávida de Lau desde aquele primeiro beijo na escuridão da sala de aula.&lt;br /&gt;A insegurança e o medo fazem parte da rotina do casal, pois Angola está em plena Guerra Civil e Lau não tem os documentos que o dispensariam de “defender” o seu país. Homens estão morrendo nas frentes de batalha, deixando mães e irmãs desamparadas e mulheres sem maridos e perspectiva de formar uma família. Este é o caso de Gui, amiga de Marina, que não tem namorado nem trabalho e, além disso, não foi privilegiada pela natureza: Gui é feia, Marina é linda. A rotina, portanto, deve ser discreta, sem chamar atenção da polícia, mais precisamente dos tropas do governo: “Vamos embora, ainda arranjas uma maka sem a polícia, não tens papel de recenseamento militar e pronto.” (p. 12).&lt;br /&gt;Apesar do clima tenso por que passa o país africano, o clímax do romance não está contido apenas na questão histórica, mas na religiosa também. Marina, após ser presenteada pelo namorado com um lindo anel de ouro, viverá um angustiante conflito interior, visto que em agradecimento ao anel de noivado, deita no mar os seus anéis de fantasia, ou seja, ela oferece a Kianda, a deusa das águas, seus anéis falsos, sem valor comercial. A preocupação que ocupa o coração e a mente da moça se dá ao fato de que ela poderia estar trapaceando ou zombando da deusa, visto que os anéis são de mentira, e em conseqüência disso teria azar na vida.&lt;br /&gt;Angustiada, a menina procura uma autoridade religiosa para discutir a gravidade ou não de sua atitude. Juntos, ela e o padre, irão questionar onde estaria o verdadeiro valor das relações humanas, se nas boas intenções e na pureza dos sentimentos, ou se no preço comercial das coisas que representariam a fé e o agradecimento das pessoas. Marina tem a sua frente um longo caminho repleto de questionamento e incertezas acerca do mundo que a envolve e, se por um lado, ela tem o namorado, que a apóia e lhe mostra um ponto de vista cético e prático sobre a tradição social e as doutrinas religiosas; por outro lado, ela tem a tia Aurora, mais conservadora e temente ao divino.&lt;br /&gt;Não descreveremos aqui o desenrolar dessa problemática, visto que é ela uma das responsáveis por instigar o leitor a acompanhar a história de amor de Marina e Lau. Podemos, então, avançar para uma análise mais detalhada acerca dos elementos narrativos e da temática que maior curiosidade nos despertou como leitor crítico: a coexistência do mundo tradicional religioso e do mundo materialista, capitalista portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sobreposição do novo:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Percebemos que &lt;em&gt;Um anel na areia&lt;/em&gt;, mais do que uma história de amor, é uma narrativa que problematiza de maneira direta, porque é uma das principais temáticas da novela, e sutil, porque é repleto de entrelinhas que exigem o leitor atento, o conceito de valor e a dicotomia religiosidade e materialismo, representada ora por Lau, materialista e liberal, ora por tia Aurora, religiosa e conservadora. Entre esses dois pólos está Marina que se pergunta: em que está o verdadeiro valor das relações humanas, no preço estabelecido de nossos pertences materiais ou no que pensamos e sentimos? Quem possui a verdade: os céticos e materialistas, ou os fiéis a uma dimensão divina e a uma tradição religiosa?&lt;br /&gt;É claro que a obra não pretende responder a essas perguntas, mas sim questionar até quando sobreviverão juntas essas duas vertentes em Angola, até quando resistirá a tradição, que vem sendo esmagada pela ideologia ocidental, a do lucro.&lt;br /&gt;Tia Aurora, por exemplo, representa uma grande ambigüidade frente à pergunta de Marina: “Mas, tia Aurora, uma pessoa pode gostar mais de um anel de fantasia do que dum anel de ouro. Pode ser um anel de fantasia que lhe deu a mãe que já morreu ou o namorado que foi na tropa não voltou nunca mais e ninguém sabe nada, tia, um anel assim tem muito mais valor, não acha?” (p. 21). Afinal, mundo espiritual e mundo material se correspondem? Não teria mais crédito o amor depositado em cada coisa do que o valor estipulado por homens?&lt;br /&gt;Os pensamentos de Lau vão de encontro aos da tia de Marina. O rapaz não só questiona como nega o discurso religioso e tradicional dos antepassados, despindo as gerações de Aurora, por exemplo, de sua suposta autoridade: “os mais velhos como a tua tia Aurora é que andam sempre a falar que no tempo antigo que era (...) se naquele tempo é que era bom como é que eles pariram esta merda que estamos” (p. 32). Ele recusa os ideais antepassados, pois esses são esmagados pelo ideal presente no qual eles estão, e neste ideal não há espaço para o antigo, o que é “velho” é considerado ultrapassado e é por isso facilmente e continuamente substituído pelo “novo”. Lau se identifica com esse novo que vem substituindo a visão dos antigos: “somos nós, os que obedecemos e penso que devemos desobedecer, qual sociedade civil qual merda! É desobediência civil, desobedecer todo sítio!” (p. 81).&lt;br /&gt;Gui, amiga de Marina, também aparece como refutadora das heranças tradicionais e dos discursos das gerações anteriores. Desesperançada de realizar seu sonho de casar, e sem oportunidades de trabalho entra para o mundo dos “negócios” e tenta desestabilizar a moral pregada pelos antigos: “Elas falam tudo que no tempo delas não era assim (...) É mentira (...) Punham no meio do mato e no escuro dos quintais (...) É uma espécie de brincadeira, uma coisa de fingir na mesma quando vão na igreja e usam véu” (p. 35).&lt;br /&gt;Temos, dessa forma, uma tensão entre esses dois mundos muito bem representada nos diálogos que se dão sempre entre Marina ora com tia Aurora, ora com Lau ou com Gui: a anteposição que se dá entre o mundo em que tudo se torna descartável, inclusive o ser humano- como acontece com tia Aurora, caracterizada em quase todas as citações do rapaz como velha e antiga – e onde não há tempo para rituais tradicionais, como o casamento, por exemplo; e o mundo que tenta resistir a imposição ocidental que desvaloriza o tradicional e a religião.&lt;br /&gt;Marina parece ocupar o lugar do leitor, analisando os dois discursos antepostos e tentando encontrar a sua própria verdade no meio desses. A jovem possui dentro de si a esperança, representada pelo seu sentimento de gravidez: Marina é aquela que “espera” por um casamento e por uma Angola melhor. Ela não ignora o discurso de seu namorado, mas também não nega as virtudes de sua tia. Mesmo assim, temos a impressão de uma inevitável sobreposição do primeiro discurso, ocidental, ao segundo, tradicional e religioso.&lt;br /&gt;Parte do temário apresentado não é o único elemento que apreende o gosto do leitor pelo romance. Os recursos narrativos causam estranhamento e exigem experiência de leitura. Os diálogos se sobrepõem confundindo até mesmo o leitor experiente. A confusão, entretanto, é passageira, após as primeiras páginas, absorvido pela história, o leitor não encontra maiores dificuldades, a não ser a do vocabulário, porém nada que prejudique a compreensão, na narrativa fragmentada bastante marcada pelo discurso indireto livre, que dá maior verossimilhança à obra. A oralidade e o fluxo de pensamento de Marina são características relevantes e constituem mais um traço que nos leva mais contundentemente àquela realidade e a compartilhar bem de perto a inquietude da moça.A essa altura da resenha, torna-se redundante a afirmação de que &lt;em&gt;Um anel na areia&lt;/em&gt; vai além da história de amor de Marina e Lau, visto que, além disso, é um convite a reflexão sobre uma nova realidade social e cultural pela qual vem passando Angola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6240293696465830814?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6240293696465830814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/rui-manuel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6240293696465830814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6240293696465830814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/rui-manuel.html' title='Um anel na areia - Resenha'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ShgzG8GHPxI/AAAAAAAAAGY/dqJC7kwyQhE/s72-c/um+anel+na+areia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-2872133358367143697</id><published>2009-05-14T06:35:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T07:14:19.570-07:00</updated><title type='text'>Poema do Derrotado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgwe309zAXI/AAAAAAAAAGQ/0D84Upj10UI/s1600-h/a+melancolia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335673602986672498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgwe309zAXI/AAAAAAAAAGQ/0D84Upj10UI/s400/a+melancolia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para não cair&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não subo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não tropeçar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não avanço&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não errar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não arrisco&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não perder&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não ganho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não odiar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não amo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não temer&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não creio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não fracassar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não tento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para não sofrer&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não vivo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas sofro ainda assim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não viver também é dor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Beijos, abraços e amassos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-2872133358367143697?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/2872133358367143697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/poema-do-derrotado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2872133358367143697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2872133358367143697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/poema-do-derrotado.html' title='Poema do Derrotado'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgwe309zAXI/AAAAAAAAAGQ/0D84Upj10UI/s72-c/a+melancolia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6609624303642122608</id><published>2009-05-10T13:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T14:02:44.034-07:00</updated><title type='text'>Sós, enfim</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgc8oDgN_gI/AAAAAAAAAGI/NTu_f7uvpbA/s1600-h/solidao+homem+e+mulher.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334298942476516866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgc8oDgN_gI/AAAAAAAAAGI/NTu_f7uvpbA/s400/solidao+homem+e+mulher.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgc8Rr2YmOI/AAAAAAAAAGA/oN9fRc5p65M/s1600-h/solidao+homem+e+mulher.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seus olhos me olham&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seus olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me veem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vazios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seus lábios me falam&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seus lábios&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me dizem &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Indecifráveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estarão seus olhos vazios&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou serão &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os seus olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reflexo dos meus?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dirão nada seus lábios &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou serão &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os meus lábios&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Frios aos seus?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Beijos, abraços e amassos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6609624303642122608?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6609624303642122608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/sos-enfim.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6609624303642122608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6609624303642122608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/sos-enfim.html' title='Sós, enfim'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sgc8oDgN_gI/AAAAAAAAAGI/NTu_f7uvpbA/s72-c/solidao+homem+e+mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-844882996291547090</id><published>2009-05-05T07:57:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T08:43:26.637-07:00</updated><title type='text'>BEIJOIJEB</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SgBZXr2Wv7I/AAAAAAAAAF4/fPvOBRhGGVk/s1600-h/beijo+picasso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332360222249238450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 303px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SgBZXr2Wv7I/AAAAAAAAAF4/fPvOBRhGGVk/s400/beijo+picasso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua boca&lt;br /&gt;Fonte&lt;br /&gt;Desejo&lt;br /&gt;Palpitar acelerado&lt;br /&gt;Salivar inconsequente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua boca&lt;br /&gt;Fonte&lt;br /&gt;Prazer&lt;br /&gt;Sentir em dois um&lt;br /&gt;Sentimento e boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;Beijos, abraços e amassos ;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-844882996291547090?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/844882996291547090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/beijo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/844882996291547090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/844882996291547090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/05/beijo.html' title='BEIJOIJEB'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SgBZXr2Wv7I/AAAAAAAAAF4/fPvOBRhGGVk/s72-c/beijo+picasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6955597562819389556</id><published>2009-04-25T09:16:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T10:14:34.016-07:00</updated><title type='text'>Crônica: Meu eterno vício</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SfNCIJiTg3I/AAAAAAAAAFw/XVmkEp-UXBA/s1600-h/meu+eterno+vicio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328675491875619698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SfNCIJiTg3I/AAAAAAAAAFw/XVmkEp-UXBA/s400/meu+eterno+vicio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sou uma dependente de pessoas. Com os olhos atraio-as a mim e com elas permaneço. Faço-as minhas, eu as possuo, as respiro. As escolhidas, cada uma a seu tempo, se tornam a minha matéria-prima, a minha fonte de energia, meu combustível para a vida. Assim, eu vivo, vivo com elas, morrendo e renascendo a cada minuto.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Então, quando tudo parece durar para sempre, logo logo estou me apropriando de outras. Retenho as suas imagens até que outras as venham novamente substituir, sem que eu mesma perceba. E no caso de esquecê-las, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;passo semanas, anos, por vezes séculos a vagar, como uma alma perdida pelo baixo mundo, sem energia e sem inspiração para ser. As lembranças não se esvaem, mas deixam marcas que ora não mudam nada ora me penetram ainda mais na escuridão.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E quando pareço perdida e me desespero, como um espectro que anseia por se libertar do negrume da melancolia, eis que cruza uma luz à minha fronte, e sem vacilar sugo-a para mim, não dando a ela nenhuma chance. Confisco-a e dela faço o que é bem de desejo meu: apodero-me da vida, até que a luz não me desperte mais nada e eu passe por tudo mais uma vez eternamente.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Caminho colecionando vidas, imagens, pessoas, possuida pelo mais profundo desejo de que, num dia ou numa noite qualquer, encontre aquela que me ajude a encerrar a coleção, não se tornando em mim apenas mais uma lembrança, mas o meu presente. Para sempre.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Beijos, abraços e amassos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6955597562819389556?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6955597562819389556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/04/cronica-meu-eterno-vicio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6955597562819389556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6955597562819389556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/04/cronica-meu-eterno-vicio.html' title='Crônica: Meu eterno vício'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SfNCIJiTg3I/AAAAAAAAAFw/XVmkEp-UXBA/s72-c/meu+eterno+vicio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-8384940922564892056</id><published>2009-04-07T09:31:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T10:01:53.705-07:00</updated><title type='text'>Ladrão cristalino: que cura e que destroi</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SduEnCp6BRI/AAAAAAAAAFo/DU_amlVLPHY/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321993190930777362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SduEnCp6BRI/AAAAAAAAAFo/DU_amlVLPHY/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estou estudando o período barroco e tudo o que ele significou para a nossa história, para a nossa arte e encontrei um poema muito divertido no livro de Ana Hatherly, &lt;em&gt;O ladrão cristalino: Aspectos do Imaginário Barroco.&lt;/em&gt; O livro é ótimo pra quem se interessa pelo tema, contém diversos artigos interessantíssimos, mas o que importa aqui neste &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; o poema, então aí vai.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;(A imagem acima é do quadro de Antonio de Pereda, &lt;em&gt;El sueño del caballero&lt;/em&gt;, sec. XVII. Sendo o poema barroco, não poederia deixar de ilustrar essa postagem com uma pintura também barroca e que trata obviamente da efemeridade da nossa vida e de nossos sonhos)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao tempo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Jorge da Câmara - sec. XVII)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O tempo de si mesmo pede conta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é necessário dar conta do tempo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas quem gastou sem conta tanto tempo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como dará sem tempo tanta conta?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não quer levar o tempo em conta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pois conta se não faz de dar-se tempo&lt;br /&gt;onde só conta havia para tempo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se na conta do tempo houvesse conta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que conta pode dar quem não tem tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em que tempo dará, quem não tem conta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que quem à conta falta falta o tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejo-me sem ter tempo e com ruim conta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sabendo que hei-de dar conta do tempo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e que se chega o tempo de dar conta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;------- (fim do poema) ----------------&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conclusão: Dispomos de pouco tempo e muita conta para darmos conta ao pouco tempo que temos para dar conta da conta que temos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Beijos, abraços e amassos sempre!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-8384940922564892056?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/8384940922564892056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/04/poema-barroco.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8384940922564892056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8384940922564892056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/04/poema-barroco.html' title='Ladrão cristalino: que cura e que destroi'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SduEnCp6BRI/AAAAAAAAAFo/DU_amlVLPHY/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-4508046229204778104</id><published>2009-03-21T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T09:34:54.822-07:00</updated><title type='text'>Resumão: Oríon, de Mário Cláudio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ScZlo8ZMqEI/AAAAAAAAAFg/H8eg-mn2BPM/s1600-h/montagem+mario+e+orion.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316048164238436418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ScZlo8ZMqEI/AAAAAAAAAFg/H8eg-mn2BPM/s400/montagem+mario+e+orion.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais um resumão!!! Desta vez, do romance &lt;em&gt;Oríon,&lt;/em&gt; cuja autoria pertence ao escritor português contemporâneo Mário Cláudio. É excelente para quem gosta de história colonial e quer conhecer, através do fantástico e ficcional, um pouco mais sobre a perseguição aos judeus naquela época: é uma viagem para o Portugal dos séculos XV e XVI e para a Ilha de São Tomé e Príncipe. BOA VIAGEM!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Antes, um pouquinho sobre o autor:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mário Cláudio é apenas o pseudônimo do escritor, que na verdade se chama Rui Manoel Pinto Barbot Costa. Além de autor de romances e licenciado em direito, Mário Cláudio, escreve também poesias, peças de teatro e ensaios, tendo já reconhecida a qualidade de seu trabalho com prêmios como &lt;strong&gt;APE de romance e novela&lt;/strong&gt;, com a obra &lt;em&gt;Amadeo&lt;/em&gt;, de 1984; &lt;strong&gt;Prêmio Pessoa&lt;/strong&gt; em 2004 e &lt;strong&gt;Prêmio Vergílio Ferreira&lt;/strong&gt; em 2008. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Resumo: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Oríon&lt;/em&gt; (2003), de Mário Cláudio, conta a história de sete crianças judias, Abel, Raquel, Débora, Caim, Benjamin, Séfora e Jairo, que devido à perseguição religiosa do reino português, mais precisamente, D. João II, aos judeus, são bruscamente separadas de suas famílias, sendo expulsas de Portugal e exiladas na Ilha de São Tomé e Príncipe como uma forma de punição aqueles que ousassem "desafiar" os mandamentos cristãos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Em 1493, pisam as crianças, pela primeira vez, o solo da colônia portuguesa, deixando para sempre a sua terra e as suas desoladas mães. A partir daí, cada uma delas seguirá o seu próprio caminho, separadas, com exceção de Abel e Raquel, que se casam, umas das outras, mas unidas, entretanto, pela sua origem, história de vida e de fé. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A narrativa, que não é linear, mas fragmentalmente constituída através das reminiscências do narrador-personagem Abel, exige a malícia do leitor para organizar cronologicamente os fatos sem confundí-los. Abel, que tem intercalada a sua narração com outro foco narrativo, esse em terceira pessoa, conta tudo o que pode lembrar de sua jornada, desde a perseguição, em Portugal, até o presente momento, em São Tomé, de que parte a narrativa. Apesar de velho e doente, Abel se vangloria pelas conquistas que teve de se tornar senhor de engenho, contrariando totalmente as expectativas do rei de Portugal e de toda a gente de Lisboa, que acreditavam na morte certa das crianças judias ou na pútrida e insalubre viagem ou na própria Ilha, perdidas na selva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Raquel, que também teve seu momento de glória, ao casar-se com Abel e, portanto, tornar-se igualmente dona de engenho, morre muito jovem. Ela se caracteriza principalmente pelo dom de cura que herdou da mãe, ambas consideradas, por esse motivo, feiticeiras. Sobre Débora recai toda a crueldade humana. Violentada durante a viagem marítima pelo juiz Gonçalo Anos, a criança destrói a boneca que sempre carregava e se torna promíscua, dormindo com todos os homens da Ilha, casados ou não. Após ter perdido violentamente os três filhos, assassinados, retira-se para a selva, e numa caverna se metamorfoseia em cobra, realizando, ao lado de seu parceiro e protetor, um delinquente português também mandado a conlônia, vários milagres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Caim, menino considerado apto aos afazeres religiosos, comete o pecado original, o da fornicação, com a sedutora Úrsula, e é por ela denunciado às autoridades de São Tomé. Depois de ser humilhado e condenado, consegue fugir para o interior da selva e ser aceito no quilombo, desenvolvendo o seu lado obscuro. Caim se torna chefe do quilombo com o passar dos anos e instaura uma revolta que irá fazer vítimas homens, mulheres e crianças inocentes moradores da Ilha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A criança dourada, Benjamim, doce e pueril desaparece, causando grande embaraço em autoridades, como o donatário da colônia Álvaro de Caminha. O sumisso misterioso de Benjamim produz a crença de que se tornou divino e subiu aos céus. A partir daí, a história será sempre alimentada com casos e mais casos de milagres supostamente realizados pela criança arrebatada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Séfora herda a fortuna de seu senhor António Carneiro impondo-se, após a morte do mesmo, sobre as demais amantes; e Jairo, por fim, menino ambicioso, que sempre se mostrou frio e desapegado aos seus semelhantes, e bastante habilidoso na labuta marinha, conquista a confiança de Álvaro de Caminha e se torna traficante de escravos. Violenta centenas de meninas e mulheres escravas, tornando-se obcecado pela fornicação, morre de forma lastimável, tomado pelas doenças venéreas e sofre da maudade que ele mesmo cometeu ao se conscientizar na hora da morte do mal que fez a tantas crianças e mulheres de quem ele abusou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Com o pouco que podemos observar neste resumo, notamos que o leitor tem o papel imprescíndivel nesse romance, assim como tem o astrônomo ao observar as estrelas. Como esse último, que junta em uma linda constelação, transformando todas as sete estrelas de Oríon, separadas por milhares de quilômetros, em uma única e grande figura; depende do olhar do ledor para que essas sete crianças separadas de seus pais e de sua terra tornem-se todas, mesmo que fisicamente distantes umas das outras, uma única e grande representação da história que perseguiu e matou, mais do que corpos, almas. Carregando a mesma história, a mesma natureza, assim como as estrelas, as crianças formam um excelente romance para se pensar o passado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#cc33cc;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-4508046229204778104?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/4508046229204778104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/03/resumao-orion-de-mario-claudio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4508046229204778104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4508046229204778104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/03/resumao-orion-de-mario-claudio.html' title='Resumão: Oríon, de Mário Cláudio'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/ScZlo8ZMqEI/AAAAAAAAAFg/H8eg-mn2BPM/s72-c/montagem+mario+e+orion.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-8019426497693257917</id><published>2009-03-12T09:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T10:29:26.065-07:00</updated><title type='text'>Crônica: Uma fatia de torta e um pouco de sexo, por favor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SblCHrIlbPI/AAAAAAAAAFY/1w38bxKlWnw/s1600-h/torta+versus.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312349935065459954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SblCHrIlbPI/AAAAAAAAAFY/1w38bxKlWnw/s400/torta+versus.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca acreditei nas pesquisas que apresentavam maior porcentagem de mulheres que preferiam comer chocolate a fazer sexo. É evidente que para tudo, seja qual for a escolha, há prós e contras. Existem lá suas vantagens e desvantagens em comer um bom chocolate, assim como em fazer sexo; mas, para mim, independentemente de qualquer que fosse o chocolate, sexo, quando bem feito, seria sem dúvidas insuperável. Todavia, da mesma forma como acontece às personagens de Clarice, toda a minha certeza acerca do assunto abalou-se em questão de segundos: "Explosão"!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bastou um talher, um prato, a torta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto tudo girava ao meu redor, tamanho era o gozo, entendi o que antes era para mim inadimissível: sim, existe prazer maior do que o alcançado com o sexo. Meu eu vacilou, uma exceção estava transformando a minha visão de mundo: me dei conta do quanto fui cruel ao julgar frígidas aquelas pobres chocólatras entrevistadas. Não senti culpa, entretanto, visto que naquele momento de degustação plena, eu não era mais nada além de torta e boca, assim como não se é nada no instante em que morremos e renascemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perdida naquele pedaço que se desfazia dentro de mim, somente o olhar fixo e espantado dos que me rodeavam trouxeram-me de volta à realidade compartilhada. O mundo se tornou chato outra vez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, quando pensei estar convencida de que aquela, não outra, apenas e unicamente aquela torta era melhor do que sexo, eis que uma das atendentes abre a porta de acesso para a cozinha, permitindo-me, por breve instante, ver o confeiteiro: per-fei-to! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Novamente vacila o meu eu interior, mais uma vez minha certeza titubeia: talvez eu só estivesse com muita fome, aquela torta não podia ser melhor do que sexo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como não é possível ter tudo na vida, como não é direito entrar em uma confeitaria e pedir "uma fatia dessa torta e sexo com aquele confeiteiro, por favor" contentei-me em comprar uma outra fatia para viagem, certa de que, sendo eu uma pessoa ativa, amante de exercícios físicos, não poderia aquela torta me decepcionar no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Beijos, abraços e amassos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#3333ff;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-8019426497693257917?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/8019426497693257917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/03/cronica-uma-fatia-de-torta-e-um-pouco.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8019426497693257917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8019426497693257917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/03/cronica-uma-fatia-de-torta-e-um-pouco.html' title='Crônica: Uma fatia de torta e um pouco de sexo, por favor'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SblCHrIlbPI/AAAAAAAAAFY/1w38bxKlWnw/s72-c/torta+versus.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-8999499835844449334</id><published>2009-02-22T17:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T18:06:18.490-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SaICuYieRPI/AAAAAAAAAFQ/POrxvIj-t78/s1600-h/mulheres+bandeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305806306880144626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SaICuYieRPI/AAAAAAAAAFQ/POrxvIj-t78/s400/mulheres+bandeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SaIBrVffKyI/AAAAAAAAAFI/Pj0zf5yGv34/s1600-h/quadrinho+mulher.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Mais um desabafo juvenil! ;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Nosso direito de ser incoerente (sobre mulheres)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Hoje estava a observar na rua o quanto as mulheres da minha cidade são iguais. Elas são tão iguais que chega a irritar! Esses clones ambulantes estão sempre acompanhados de suas calças jeans mais do que apertadas, achando-se as rainhas da cocada preta (por que não branca?). A única peça que apresenta sutil mudança é a blusinha, que é sempre colada também. Talvez, esses seres intrigantes , que são as mulheres, sejam iguais em toda parte, só que nunca havia reparado. Já que minha cidade natal é mínima, e como tantos aqui, eu não tinha nada para fazer, ou melhor, tinha que estudar alguma coisa, mas não estava afim, fiquei a observar o estranho ser racional que polui a terra com suas futilidades, e pensamentos infantis (Nossa! Essa doeu até em mim!)! E então percebi o quanto as mulheres são tolas.&lt;br /&gt;Por favor mulheres, comigo não fiquem raivosas (digo, nervosas!). Terminem de ler, e talvez percebam que nem vocês se agüentariam caso tivessem a oportunidade de observar e estar consigo mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, às vezes tenho vontade de ser homem. Eu olho pra mulher e caio na real: nunca vi bicho (bicho? Alguém disse bicho: disse SER) mais chato e confuso do que esse. Simplesmente não existe! E sabe por que elas são assim? Cabe relacionarmos aqui os tipos mais comuns:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Mulher tudo é meu:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é daquele tipo que vai correndo comprar aquele vestido preto básico lindo que você ficou babando há horas na vitrine e fez a burrice de comentar que o compraria para ir à tal festa. Ela também tem a mania de achar que todos os homens bonitos e interessantes da cidade são dela, mesmo que nenhum jamais a tenha notado. E se o bonitão estiver interessado em você, adeus amiga. Ela vai ficar emburrada durante anos inteiros, e vai contar pra todo mundo que você dá em cima dos pretendentes dela (olha onde a criatura chega: pretendentes!!!). Ela não apresenta os amigos dela pra você, porque eles são SÓ dela... a rua é dela, o olhar daquele policial gato que parou o trânsito para você passar foi pra ela , viu? Enfim, TUDO o que você pode imaginar é dela! Até você mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulher insegurança completa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aquele tipo que não apresenta ninguém pra ninguém porque tem medo de você ser melhor do que ela e roubar as amizades que a mesma tanto lutou pra conseguir, quando isso nunca iria acontecer. Ou aquela que não pode chegar uma mais bonita e já puxa briga com provocações da idade da pedra, do tipo: Nossa! Como você engordou, hein!. Outra que dá risinho do visual diferente da colega porque chama mais atenção, ou que fala que você esta com feições de doente logo após de ter saído daquele cabeleleiro gay maravilhoso, e ter recebido cantadas de tudo que é homem que passava. A que acha que todo mundo está dando em cima do namorado dela e que afirma o tempo todo que é melhor do que Deus e o mundo, pra ver se ela mesma acredita, enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulher mamãe não me ensinou a me comportar&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a mais lamentável, e nem vale três linhas se quer. Além de sentar com uma perna no Pólo Norte e com a outra no Pólo Sul (mesmo de saia... e se estiver na primeira fila da sala de aula e com um professor gatão dando aula, melhor ainda!!), é do tipo que fala palavrões em momentos inadequadíssimos, que adora rodar a baiana (coitada da baiana) e dizer que bate em todo mundo. Coitada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulher não peça explicação:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é das minhas. É aquela que termina sem saber ou dizer o por quê.&lt;br /&gt;-Olha, não quero mais.&lt;br /&gt;-Não quer mais o quê?&lt;br /&gt;-Como o quê? A gente.&lt;br /&gt;-Hãm??? Mas por quê? Foi algo que eu fiz ou...&lt;br /&gt;-Não, eu simplesmente não quero mais!&lt;br /&gt;-É outro então...&lt;br /&gt;-Não, não é...&lt;br /&gt;-Então... eu mereço uma explicação...&lt;br /&gt;-Não, você não merece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deixa o cara ir embora com pulgas e mais pulgas atrás da orelha recorrendo passo a passo tudo o que fez pra tentar lembra algum fato que possa tê-la feito terminar com o mesmo. Até que descobre e liga pra te pedir perdão e dizer que não teve importância. Se você já sabia, tudo bem... se não... bem... você o mata no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulher nasci pra ser mãe:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É aquela coleguinha de escola chata, com voz fraca e irritante que parece falar com um bebe o tempo todo. É a ultima a casar e ter filhos. Até lá, vai a sua casa todo santo o dia deseducar os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre tantas outras espécies, há a pior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulher sou todas essas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dá pra imaginar né!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento deves estar pensando... -Mas que incoerente é esta mulher que escreve este texto... começa falando que todas as mulheres são iguais, e ao terminar do tempo nos apresenta tantas diferentes.&lt;br /&gt;Então eu lhes digo: Pense nos pássaros. Estes se encontram por toda parte e em várias espécies, mas no fundo são todos iguais, todos cantam, todos voam, etc etc e etc. Todavia, se mesmo assim, ainda continua achando-me uma incoerente, lembre-se que sou mulher, e no momento, estou em crise, portanto, só leve em consideração o que lhe for de interesse maior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que eu digo que todos os homens vão para o céu. Porque aturar a gente aqui, já seria o preço do castigo pra toda a eternidade!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#3333ff;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa.&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;01 de dezembro de 2004.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-8999499835844449334?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/8999499835844449334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/mais-um-desabafo-juvenil-nosso-direito.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8999499835844449334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8999499835844449334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/mais-um-desabafo-juvenil-nosso-direito.html' title=''/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SaICuYieRPI/AAAAAAAAAFQ/POrxvIj-t78/s72-c/mulheres+bandeira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-3617477200315225874</id><published>2009-02-19T12:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T09:11:43.968-08:00</updated><title type='text'>"Viagens" de adolescente: crônica 3 / Quadrinhos: Passeio no bosque</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZ3M-gijaxI/AAAAAAAAAFA/LHHTuu66P6Q/s1600-h/quadrinhos+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304621310371130130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 189px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZ3M-gijaxI/AAAAAAAAAFA/LHHTuu66P6Q/s400/quadrinhos+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto aos quadrinhos: não façam isso com seus amigos, porque é muito feio! Além disso, não podemos sair por aí derrubando árvores... como é que fica nossa responsabilidade em relação ao aquecimento global?! Não, não tombem árvores, muito menos com a cabeça de seus amigos, ora!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dado o recado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à crônica: estou em um período saudosista!!! Mais uma viagem de adolescente! Esta é daquelas bem dramáticas... adolescente é mesmo um ser exagerado... não é não?! Tudo é demais ou é de menos! Ora trágico ora uma verdadeira e deliciosa comédia!rs Ah! Desta vez a crônica não foi escrita em sala de aula, mas em algum outro lugar que não me lembro agora... no quarto... talvez na casa de uma amiga? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beijos e abraços e amassos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mais do que bruxas e príncipes encantados&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que as pessoas, devido ao acúmulo de aborrecimentos, ou por desgosto da vida, nos culpam por diversas atitudes das quais não temos consciência, ou até mesmo, não temos culpa. Era nessa reflexão que me encontrava no dia em que aquele homem subiu a colina.&lt;br /&gt;A colina de que falo fica não tão distante de minha casa, apenas alguns poucos kms. Perdida em meus pensamentos, comecei a refletir sobre o que estaria ele fazendo lá, no tão alto. Teria subido a colina simplesmente para pensar? Para isolar-se do mundo ou somente para mirar uma pequena parte de nossa civilização e ver o quanto somos inúteis? Estaria ele procurando seu cachorro que fugira? Não, isso não parecia ser. Teria o homem, como objetivo, drogar-se solitariamente ou praticar qualquer outro ato ilegal talvez?!&lt;br /&gt;Isso eu nunca saberei, assim como nunca saberei quem ele é. Mas se ele subiu apenas para mirar-se pequeno, e sair-se do mundo, eu já o admiro, e gostaria de conhecê-lo.&lt;br /&gt;Minha grande vontade hoje, é de fazer o mesmo, isolar-me para sentir a vida sem suas futilidades, suas competições idiotas, sem pessoas tolas, coisas como essas, que na nossa ausência não existiriam. Assim então, a vida vai. Milhares de pessoas vão e vêm com seus problemas, e nós nem aí, vivendo nosso pequeno e miserável mundo de mentiras, com máscaras de fingir que está tudo bem quando não está. Nascemos numa sociedade já formada, e quando decidimos seguir a NOSSA ideologia, nos chamam de malucos, não é mesmo? Crescemos errado. Papai e mamãe nos liam contos de fadas como se fossem esses a doce realidade, então nós “esticamos” achando que encontraremos bruxas, fadas , príncipes e princesas pelo caminho; e encontramos de fato algumas bruxas, alguns príncipes, alguns sapos na nossa caminhada... a diferença entre os contos de fada e este mundo doido é que neste não temos a certeza de um final feliz, mesmo quando procuramos fazer tudo certo: ser bonzinho no mundo real não é passaporte para "e eles terminaram felizes para sempre"!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todavia, não os culpemos, esse ocorrido já é “hereditário”, também os educaram assim. Cabe aos futuros pais mostrar aos futuros filhos a vida como ela é, ou abrir a janela e deixá-los descobrir por eles mesmos (atenção, disse janela, não porta. Porta só depois dos 18). Óbvio que deveremos estar sempre por perto, para auxiliá-los quando necessário.&lt;br /&gt;Ser feliz é um dilema universal enfrentado há séculos pela raça humana, só quando pararmos de lutar pela felicidade realmente seremos felizes, pois estaremos em paz. O homem que subiu a colina é feliz? Talvez não... certamente não. Quem sabe foi por isso que ele subiu a colina... para ver que a carga, que carrega nas costas, é e continuará sendo mínimo quando comparado a esse “todo”, e assim se sentir melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18 e 19 de outubro de 2004.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-3617477200315225874?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/3617477200315225874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/ehhhh-estou-em-um-periodo-saudosista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3617477200315225874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/3617477200315225874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/ehhhh-estou-em-um-periodo-saudosista.html' title='&quot;Viagens&quot; de adolescente: crônica 3 / Quadrinhos: Passeio no bosque'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZ3M-gijaxI/AAAAAAAAAFA/LHHTuu66P6Q/s72-c/quadrinhos+2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-7083970070506771169</id><published>2009-02-18T04:22:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T09:06:25.144-08:00</updated><title type='text'>"Viagens" de Adolescente: crônica 2 / Quadrinhos: Que menino bonzinho!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZwAtOlHn2I/AAAAAAAAAEw/F9faIyEHAnM/s1600-h/quadrinhos+mar.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304115238143500130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 352px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZwAtOlHn2I/AAAAAAAAAEw/F9faIyEHAnM/s400/quadrinhos+mar.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Pelo amor de todos os santos... não pendure na janela: veja o que pode acontecer! Esses quadrinhos são apenas a exteriorização do tamanho do tédio que me preenchia durante as aulas que julgava desinteressantes, e certamente não eram. Eu que era "aborrecente" demais!rs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma crônica &lt;em&gt;TEEN&lt;/em&gt;! Também escrita durante a aula, obviamente! Só não sei se de matemática, física ou química... as únicas aulas que prendiam a minha atenção eram mesmo as de português (às vezes), literatura e história...&lt;br /&gt;Beijos e abraços e amassos! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Se eu pudesse...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atire a primeira pedra quem nunca citou a frase: “se eu pudesse...”. Quando somos crianças, essa famosa e tão usada sentença, está sempre presente em nossa vida, e a culpa é dos nossos pais, que vivem nos proibindo de tudo. Por que se irritar tanto com crianças pulando no sofá ou na cama? Se a vida é tão passageira, imagine as coisas, os objetos... eles não servem para nada; a não ser para&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;acomodar essa carcaça que prende a nossa alma. Eta! Minha alma não agüenta mais, ela quer sair dessa carcaça! Não que eu queira morrer, longe disso, mas bem que ela poderia dar umas voltinhas de vez em quando... Todavia, por que as crianças pulam no sofá? Acho que é porque a alma ainda não se acostumou com essa veste constituída de proteínas, sais minerais dentre muitas outras substâncias estranhas. Então ela, a alma, fica pulando, virando dentro da gente, e como pra cada ação tem uma reação, a bagunça que a mesma faz lá dentro, reflete cá fora.&lt;br /&gt;Há almas que não conseguem se adequar: são aquelas pessoas agitadas, como eu. Eu vivo pulando aqui em casa: só aqui em casa (não tenho o prazer de sair quicando pelas ruas, como uma amiga minha). Também existem aquelas que se acomodam demais: aquele tipo de pessoa que de qualquer jeito “tá bão”, e são essas que ainda não se livraram da idosa frase: “ se eu pudesse iria para a escola sozinha”, porém não sabem e nem querem saber para que lado fica a escola, falando nisso, pra que lado fica a escola, hein? Se este fosse um texto de auto-ajuda, eu diria que você pode sim, é só analisar os fatos, observe: se a vida é assim tão rápida, por que não lutar com todas as garras pelo seu sonho, por mais absurdo que ele seja? Lutar nos faz feliz, ainda mais quando é por um sonho, sabia? E caso você não consiga, o que eu acho difícil, quando um anjo de Deus vier buscá-lo, você poderá dizer honradamente: “eu tentei Gabriel, eu tentei!” Para uns pode parecer trágico, mas pra mim, é heróico! (O que não deixa de ser trágico de alguma forma, já que os heróis vêm mesmo da tragédia grega... mas danem-se os gregos! Não é disso que quero falar!)&lt;br /&gt;Eu diria às vezes que se eu pudesse, seria Luiz Fernando Veríssimo. Só que neste caso, eu já estou ultrapassando todos os limites das leis naturais, o da física, por exemplo, de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Hummm!! Se essa lei da física visse o que nós vemos nas badaladas de hoje, talvez ela fosse mudada, hehe! Mas bem, se eu pudesse (começou...) viveria escrevendo, acho que a alma possui assuntos muito mais loucos e interessantes do que imaginamos, e só deixando-a escrever , pintar, cantar , compor dentre outras maneiras, é que no final nos conheceremos de verdade , e abandonaremos de vez a frase que tanto me incomoda e me gera sentimento de impotência, a “ se eu pudesse...”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#3333ff;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;. &lt;strong&gt;05-09-04&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-7083970070506771169?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/7083970070506771169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/mais-uma-cronica-teen-tambem-escrita.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7083970070506771169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7083970070506771169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/mais-uma-cronica-teen-tambem-escrita.html' title='&quot;Viagens&quot; de Adolescente: crônica 2 / Quadrinhos: Que menino bonzinho!'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SZwAtOlHn2I/AAAAAAAAAEw/F9faIyEHAnM/s72-c/quadrinhos+mar.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-1033490422667829823</id><published>2009-02-08T10:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-08T11:04:38.555-08:00</updated><title type='text'>"Viagens" de Adolescente: crônica</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SY8stNZiPoI/AAAAAAAAAEo/L2qSgCQCGQw/s1600-h/matematica_large.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300504441640861314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SY8stNZiPoI/AAAAAAAAAEo/L2qSgCQCGQw/s400/matematica_large.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Lição de matemática&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Às Vezes acho que assistir aula de matemática é um desperdício,enquanto você se preocupa em entender esse incompreensível mundo, você poderia estar pensando em outros assuntos mais interessantes.Pensando bem,a matemática é útil pra isso,ela te faz pensar em outra coisa,talvez se eu não estivesse em uma aula como esta,não estivesse pensando em nada. Por exemplo:eu devia estar prestando atenção agora,mas em vez disso,estou pensando em pessoas-frutas,sabe,assim,deixe-me ver...Aquele sujeitinho que tem o queixo para frente,que tem tudo o que quer,ou então, que é tudo o que deseja,ele parece um abacaxi, tem uma coroa na cabeça e sai espetando todo mundo,ora por inveja,ora porque ele se acha demais mesmo, e por isso, se torna esnobe.Estou sentada no fundo da sala,cheguei atrasada e roubaram meu lugar,(é,eu sei,tem sempre um chato querendo roubar o seu lugar) e daqui de trás eu ouvi um comentário,e de acordo com este,eu classificaria a pessoa que o fez como uma uva,que é pequena,roxa ou verde,é doce ou azeda...a cor varia de acordo com o temperamento,se é verde,é aquele tipo de gente que chega e todo mundo faz:ARGH!!Se for roxa,é porque se irrita com qualquer coisa( meu pai,não que ele seja uma uva,é que ele se deixa aborrecer facilmente,basta um peteleco na orelha).Voltando ao assunto o comentário foi: NOOOSSAA!QUE PASSARINHO CHATO!Ela falou isso,pois o passarinho estava cantando.Como uma pessoa pode achar chato,o canto de um passarinho?É a poesia dele,é lindo porque é vida,e é inocente ,e por ser tão inocente,faz-me deprimida,entende?(Tive que fingir que fazia o dever agora,o professor olhou pra mim).A uva que fez esse comentário deve ser uma dessas,taradas por matemática(fique claro que eu tenho nada contra os tarados,desde que eles não judiem dos passarinhos) e verde,deve ser do tipo que nada pode ouvir na hora da explicação desse mundo tão doido que é pra mim(não posso falar muito,sou capaz de cometer um crime contra alguém que fale sem parar nas aulas de literatura,literatura é um sonho...vejo literatura como duas esferas (hêêê matemática),uma contém um céu azul,com nuvens brancas,flores azuis,rosas,vermelhas,borboletas multicores,um homem gostoso!A outra é sempre noite,nuvens carregadas,urubus,mortos vivos,mas também é muito interessante com suas casas velhas e misteriosas).Como pode notar,também sou uma uva,metade verde,metade roxa,vale misturar as frutas também,e delas fazer uma só,ou ficará ruim,ou mais gostosa ainda,prefiro ficar com a segunda opção.Falar a verdade é cruel,mas falarei,acho que todos nós somos um pouco uva,somos muito pequenos em relação ao tudo que nos envolve,uns vão,outros ficam, e nada muda por isso, o céu continua refletindo-se no mar...nada muda por nós.Não desanime por tal motivo,não há só frutas pequenas,há maçã.Chegue a conclusão por você mesmo,só darei as coordenadas(matemática de novo).Ela é,você querendo ou não,gostosa,mesmo que não goste dela,ela é vermelha,que te lembra essa cor????Paixão,sedução,amor, e o pior TENTAÇÃO.Desde o tempo de Adão e Eva ela vem mexendo com muita gente...ela é redonda...tudo bem,tudo bem,nem todas são redondinhas,uma vêm com algumas falhas,mas não deixam de ser saborosas por isso(quem disse que pra ser gostosa,tem que ser perfeita,não é mesmo?),às vezes acontece de a mais imperfeita ser a mais prazerosa,mistérios da vida!Mas e você aí?? Conhece alguma maçã?Porém,não se esqueça de que existem as maçãs verdes,é o temperamento azedo,lembra?De vez em quando passa um cara e eu penso: - NOSSA QUE MAÇÃ!!!!! PENA QUE É VERDE!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;OBS: Talvez eu repita de ano devido a ess ideiada toda,mas valeu a pena...as aulas de matemática te proporcionam “viagens FANTÁSTICAS”!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-1033490422667829823?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/1033490422667829823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/viagens-de-adolescente-cronica.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/1033490422667829823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/1033490422667829823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/viagens-de-adolescente-cronica.html' title='&quot;Viagens&quot; de Adolescente: crônica'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SY8stNZiPoI/AAAAAAAAAEo/L2qSgCQCGQw/s72-c/matematica_large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-4449242568233327945</id><published>2009-02-06T04:01:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T05:00:20.677-08:00</updated><title type='text'>Resumo: O Púcaro Búlgaro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYwx5VdauMI/AAAAAAAAAEg/7hbPXo3p7Yg/s1600-h/bulgaria01.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 298px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYwx5VdauMI/AAAAAAAAAEg/7hbPXo3p7Yg/s320/bulgaria01.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299665722591066306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais um resumão!!! Agora do romance&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O Púcaro Búlgaro, &lt;/span&gt;de Campos de Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:130%;" &gt;Resumo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        P&lt;span style="font-size:100%;"&gt;odemos dizer que, pelo menos, um dos objetivos do romance &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Púcaro Búlgaro&lt;/span&gt;, de Campos de Carvalho, é apontar a alienação que caracteriza a nossa sociedade. A história é narrada pelo personagem principal do romance: um senhor herdeiro que vive a espiona&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;s janelas vizinhas com o seu binóculo e a escrever os acontecimentos do seu dia em seu diário.  O personagem começa a sua narrativa afirmando que o que escreve em seu diário é uma &lt;i&gt;"&lt;/i&gt;grande e misteriosa empreitada – tão misteriosa que eu mesmo me esqueci de qual seja&lt;i&gt;" (pág 319),&lt;/i&gt;  levando o leitor, desde o princípio, a desconfiar que talvez a personagem não domine bem as faculdades mentais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O personagem deixa a mulher sozinha na Filadélfia após se deparar com um púcaro búlgaro no Museu Histórico e Geográfico de Filadélfia. Inconformado, pois ele não acredita na existência da Bulgária, por isso o púcaro não poderia ser búlgaro, deixa os EUA e volta para o Brasil decido a confirmar se o que se passara no museu fora verdadeiro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Depois de ter confirmado pelo diretor do museu, através de troca de correspondências, a existência do púcaro búlgaro, a personagem, ainda incrédula da existência de um púcaro que seja búlgaro, toma uma segunda medida: anuncia na página "mais lida" do jornal, a necrológica, uma expedição à Bulgária.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A partir daí entrarão na história personagens também não muito lúcidas como Radamés, o professor de bulgarologia; Penacchio, que só anda inclinado para esquerda devido a uma neurose adquirida por morar ao lado da Torre de Pisa, na Itália; Ivo que viu a uva, dono de todos os zeros do mundo e Expedito que foi aceito na expedição imediatamente por causa do seu tão sugestivo nome. Não se pode esquecer de Rosa, personagem feminina que aparece apenas como objeto sexual ao longo de toda a narrativa.&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Todos eles, com exceção desta última, trabalharão para, quem sabe se em dias ou séculos,  descobrir a Bulgária e decretar se ela é ou não um mito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Depois do MSPDIDRBOPMDB (Movimento Subterrâneo Pró-Descoberta ou Invenção&lt;br /&gt;Definitiva do Reino da Bulgária Ou Pelo Menos De Búlgaros) finalmente decidir que partirão rumo a Bulgária, num navio um pouco maior do que um daqueles feitos dentro de garrafas, e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;quantos quilos de vaselina ou quantas garrafas de uísque ou gim ou cachaça, dentre muitas outras coisas "úteis", levarão para a viagem, percebem-se impossibilitados de realizar a expedição, visto que foram furtados por Expedito e por Rosa, não possuindo, portanto, recursos para a viagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Os expedicionários, sem mais expedição, separam-se, e eis que Radamés revela-se búlgaro e confessa ter entrado nessa empreitada apenas para ficar mais próximo de Rosa, mulher que o atraía há um tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;É claro que o romance não tem apenas o objetivo de contar a história de cinco loucos que não acreditam na Bulgária: é através das divagações e conversas sem sentido entre eles, que o autor lança, quando menos se espera, críticas relevantes contra e para a sociedade. Como prova disso temos a esposa da personagem principal que, assim como Rosa,  aparece somente como objeto sexual; a primeira como um produto que já perdeu a validade, “&lt;i&gt;Foi uma mulher boa enquanto foi boa, depois as nádegas lhe cresceram tanto que eu tinha dificuldade até de atingir a cozinha, estando ela nas imediações&lt;/i&gt;” (pág. 320), e a segunda como a que dá para o gasto: “Rosa dá para o gasto, e eu sou o gasto” ( pág. 351). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Críticas sobre o homem inconsequente, que fala demais, aparecem não apenas uma vez: “&lt;i&gt;Se o morto é tão acatado e respeitado é justamente devido ao seu espantoso silêncio, algo que escapa à compreensão de qualquer mortal e o torna, ao morto bem entendido, o menos entendido de todos os mistérios da natureza, seja ela feminina ou masculina&lt;/i&gt;” (pág. 323-324) e mais à frente, “&lt;i&gt;O expedicionário e professor Radamés contestou veemente que se tratasse de uma degenerescência, parecendo-lhe tal fato antes um sinal de sabedoria e manifesta superioridade sobre o homem, que justamente se perde pela boca e vive perdendo a cabeça (...) defecamos tanto por cima quanto por baixo&lt;/i&gt;” (pág 359). A narrativa contém temas como antropofagia para questionar a “civilidade” humana: “&lt;i&gt;muito pior do que comer o seu semelhante é fazer com ele o que se vem fazendo desde que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o mundo é mundo, sobretudo entre as classes dominantes e cujo domínio é tão incerto quanto os domínios britânicos ou de qualquer espécie&lt;/i&gt;” (pág. 359) e mais à frente sobre a ambição, “&lt;i&gt;o gato não devora o rato quando se sentia enfastiado, ao passo que o homem mesmo enfastiado devoraria o seu semelhante se tivesse a certeza de que a carne deste era tão boa quanto a carne de vaca ou mesmo de cavalo (...) conceitos ou preconceitos morais e religiosos nunca evitaram coisíssima nenhuma, como atestam os tempos de guerra e sobretudo os tempos de paz&lt;/i&gt;” (pág. 360) .&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;              As críticas não param por aí, elas surgem para apontar a hipocrisia da vida em sociedade, “&lt;i&gt;Sempre fui, sempre serei um crápula. Um crápula que dorme com uma rosa, no escuro para que o julguem menos crápula – os crápulas&lt;/i&gt;” (pág. 325), os idosos, “&lt;i&gt;Pessoalmente tenho uma teoria muito particular sobre esses venerandos destroços que insistem em continuar atravancando o nosso caminho”&lt;/i&gt; (pág. 339), os crentes, por exemplo, “&lt;i&gt;Eu adoro os veados, mas a longa distância como fazem os crentes com o seu deus, que fazem tudo para ver o mais tarde possível, se possível nunca&lt;/i&gt;” (pág. 354) os indivíduos e o governo, “&lt;i&gt;Você deixa que os outros pensem por você e decidam sobre o que você deve fazer; e como os outros, por sua vez, estão deixando que alguém pense ou decida por eles, acaba&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ninguém pensando nem decidindo coisa nenhuma, o que é justamente o que o governo quer faz o possível para que aconteça&lt;/i&gt;” (pág. 253)  e, por fim, e talvez mais relevante a alienação, por exemplo, “&lt;i&gt;O único perigo, acrescentou, é encontrar petróleo...&lt;/i&gt;” (pág 369).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outro fator importante, mas que não aprofundaremos aqui,  é o jogo de palavras presente em quase todo o momento dentro do texto: “&lt;i&gt;Mas um &lt;u&gt;procurador&lt;/u&gt;, além de ser difícil &lt;u&gt;procura-&lt;/u&gt;lo (...) como todo &lt;u&gt;procurador&lt;/u&gt; que bem &lt;u&gt;procura&lt;/u&gt;”&lt;/i&gt; (pág. 336); “&lt;i&gt;as da tataraneta ainda mais sensuais sob o &lt;u&gt;justo&lt;/u&gt; mas &lt;u&gt;injusto&lt;/u&gt; vestido negro&lt;/i&gt;” (pág. 351).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:times new roman;" &gt;            O Púcaro Búlgaro é o romance que usa do cômico para lançar questionamentos e críticas à sociedade de forma bem descontraída e engraçada, de maneira que, se tratando de um leitor distraído, o romance não passará de uma história engraçada, enquanto para o leitor atento, será mais um objeto de  séria reflexão sobre o mundo ao seu redor.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-4449242568233327945?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/4449242568233327945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/resumo-o-pucaro-bulgaro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4449242568233327945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4449242568233327945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/02/resumo-o-pucaro-bulgaro.html' title='Resumo: O Púcaro Búlgaro'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYwx5VdauMI/AAAAAAAAAEg/7hbPXo3p7Yg/s72-c/bulgaria01.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-4775928346480257856</id><published>2009-01-29T07:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T13:41:20.405-08:00</updated><title type='text'>Resumo do romance Todos os homens são mortais, de Simone de Beauvoir</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYHJZ8KEI1I/AAAAAAAAAEY/pzWmyBM6ycI/s1600-h/infinito+8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296736084246668114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYHJZ8KEI1I/AAAAAAAAAEY/pzWmyBM6ycI/s320/infinito+8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYHJL9yTdUI/AAAAAAAAAEQ/jhHKB9vmQiE/s1600-h/infinito.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumão do romance francês &lt;em&gt;Todos os homens são mortais&lt;/em&gt;, da magnífica escritora Simone de Beauvoir. Cuidado: é revelado o final da história! Então, se gosta de mistérios e este romance está na lista de livros a serem lidos, não prossiga na leitura deste texto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive um excelente professor na UFF, André Dias, de Teoria da Literatura, que nos fazia ler um romance a cada semana, ou quinze dias, e apresentar um resumo do mesmo. Foi a melhor coisa que aconteceu naquela faculdade no que diz respeito às disciplinas! Nunca li tanto em um só período! Foi árduo, mas valeu! Gostei desse resumo e apresento aqui. ;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumo: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O livro &lt;em&gt;Todos os homens são mortais&lt;/em&gt;, de Simone de Beauvoir, conta a história de Fosca, rei de Carmona, personagem nascido no ano de 1279 (séc. XIII), que em uma situação de angustia - seu reino estava sendo ameaçado pelos genoveses - bebe o remédio da imortalidade, que, ao contrário do que ele imaginava, o torna um “amaldiçoado” sobre a terra, condenado a viver para todo o sempre.&lt;br /&gt;O livro se divide em Prólogo, tem cinco partes e epílogo. A história nos é inicialmente apresentada pelo foco narrativo em terceira pessoa, “O pano ergueu-se, Régine inclinou-se e sorriu” (pág. 9, cap. 1), que nos descreverá a primeira personagem que aparece no romance: Régine. Entretanto, ainda no início do romance, a narrativa se mistura com monólogos interiores indiretos dessa personagem, interrompendo, em diversos momentos, o narrador em terceira pessoa, “Ah! Se eu pudesse ser duas, uma que falasse, e outra que ouve...”. Será através dela que conheceremos Fosca, o homem que se torna imortal, e é por volta dela que, a princípio, gira o enredo.&lt;br /&gt;Régine é atriz e se caracteriza por ser invejosa, “Tenho inveja dele. Não sabe que a terra é tão grande e que a vida tão curta” (pág. 13, cap. 1), arrogante, “Florence engana-se, ela não passa de uma menina sem gênio; nenhuma mulher pode comparar-se a mim” (pág 11. cap.1) e egocêntrica, “Não há então nenhum meio de impedi-los de existir sem mim? É uma insolência” ( pág.54, cap. III). A personagem, com todas essas características malévolas, é uma anti-heroína que reconhece seus defeitos e se arrepende dos mesmos, mesmo sabendo que não conseguirá mudá-los: “Como se a maldade fosse gratuita! Como se a gente fosse má por prazer!”(pág. 16, cap. I). Régine quer ser imortal e, por isso, não suporta a idéia de que ao morrer o mundo continuará a existir sem ela, “Tudo será exatamente igual e eu não estarei aqui. É isso a morte (...) Se ao menos a gente deixasse uma marca no ar...”( pág. 19, cap.I), não suporta saber a felicidade das pessoas, porque não é ela a responsável por essa felicidade, “ É verdade. Não gosto de felicidade dos outros e agrada-me fazer com que sintam a minha força” (pág. 56, cap. III).&lt;br /&gt;Depois de o narrador deixar claro o anseio de uma simples mortal pela imortalidade, mais do que qualquer outro ser humano; depois de levantar as questões sobre a existência e a fugacidade da vida através dos monólogos de Régine e até mesmo, através seu comportamento e suas manifestações, eis que surge para o leitor, pelos olhos da atriz, Fosca, “Esse homem! – disse ela. – Por que se levanta tão cedo?”.&lt;br /&gt;Régine se incomoda com o marasmo, ou talvez, com a indiferença que “esse homem” possui perante a vida, “Não lhe interessava saber se ele comia ou não. O que desejava era saber o segredo do olhar dele” (pág. 19. cap. I). Mais tarde, depois de estabelecer contato com Fosca e resolver ajudá-lo a voltar a viver, o antigo rei lhe conta seu segredo, o de ser imortal, e a partir daí, Régine torna-se obcecada pela a possibilidade de alcançar a imortalidade: pertencendo à memória dele. A atriz, disposta a sacrificar tudo para se tornar imortal, deixa Roger, homem que ama, para se fazer amar por Fosca e assim realizar o seu maior desejo, “Daqui a dez mil anos alguém se lembraria de mim” (pág. 46. cap. II).&lt;br /&gt;A partir da primeira até a quinta parte do romance, o foco narrativo muda completamente para narrador-personagem (narrador em primeira pessoa): Fosca passa a narrar a história de sua vida, desde o seu nascimento em 17 de maio de 1279, até o presente momento, tendo Régine como sua ouvinte. Assim, passaremos a conhecer Fosca junto a Régine. O imortal vai apresentando toda a sua trajetória e nós, leitores, vamos conhecendo as vantagens e desvantagens de ser imortal.&lt;br /&gt;Fosca carregava, no século XIII, a angústia de quase todos os seres humanos: a de querer fazer algo importante para a humanidade e não possuir o tempo necessário para isso: “Morrerão todos e Carmona será salva. E então eu morrerei, e a cidade cairá nas mãos dos florentinos ou de Milão. Terei salvo Carmona e nada terei feito” (pág. 91, 1ª Parte). Quando o rei de Carmona se depara com a chance única de se tornar imortal, tomando a fórmula que o idoso mendigo, que seria executado, lhe oferece, não tem dúvidas, “Quantas coisas poderia eu fazer!”(pág. 94.1ª Parte), e a toma sabendo que a partir daquele momento tudo seria diferente para ele, “Nunca mais veria aquele quarto com os mesmos olhos” (pág. 94, 1ª Parte).&lt;br /&gt;A principio, Fosca encontra-se realizado, torna-se intolerante e insensível perante aquelas vidas tão efêmeras, “- Eu só tenho uma vida. Dei de ombros. O que era uma vida?”(pág 100, 1ª Parte), e o sentimento de ser soberano e deus na terra o acompanha por muitos séculos, “Não tinha certeza naquela época de que o céu fosse vazio, mas não me preocupava com o céu; e a terra não pertencia a Deus. A terra era meu domínio” (pág. 103, 1ª Parte). Esse desejo de ser soberano o faz guerrear por muito tempo, até que chega a conclusão, depois de sofrer com os fenômenos da natureza, como as tempestades, a peste e etc..., de que para nada serve guerrear, e que nunca se alcança à vitória, se é que, segundo a personagem, existe vitória, “...como se a vitória tivesse sido uma verdadeira vitória, como se a palavra vitória tivesse um sentido...” (pág. 136, 1ª Parte).&lt;br /&gt;Durante o seu percurso como rei, surgem-lhe vozes de sabedoria que o acompanharão para toda a sua eternidade e que transformarão aos poucos a sua visão sobre o mundo. Uma dessas vozes que o acompanha é a do monge que lhe diz: “Acredita ter realizado grandes coisas, e o que fez não é nada” (pág. 103. 1ª Parte). A partir daí, a personagem repetirá sempre a mesma pergunta, “Útil a quem? A quê?”, em relação à arrogância dos seres humanos, a que ele também pertence, “Lançara crianças aos fossos. Por quê?” (pág. 121. 1ª Parte), que sacrifica outros seres humanos por um fim inexistente. Assim, o que antes, com a sua visão de mortal fazia-lhe sentido, com o passar do tempo, vendo as coisas se repetirem diferentemente do que imaginara, perdem totalmente o sentido.&lt;br /&gt;Fosca desanima da vida e passa a buscar respostas para suas perguntas nos seres humanos, assim como é através deles que tenta viver, já que não se percebe mais capaz de SER um deles. Primeiramente decide ter um filho para preencher o seu vazio interior, a sua insatisfação, para se sentir completo como um deus: “Fui eu quem fez o seu destino (...) deve-me a vida, deve-me o mundo” (págs. 126-127, 1ª Parte).&lt;br /&gt;Depois de ter o filho, Antônio, morto numa guerra sem sentido, como todas as outras, Fosca acredita que a sua felicidade está em dominar o mundo.&lt;br /&gt;Mais uma vez, Fosca torna-se inflexível e capaz de tudo para alcançar o seu objetivo: é capaz do mal para conquistar algo maior, “- Com a condição de que o mal seja útil” (pág. 187, 2ª Parte). Após muitos outros massacres, chega a mesma conclusão que chegara outrora em Carmona, “tudo mudava, e tudo continuava igual” (pág. 189, 2ª Parte) e descobre que o que destruíra, com o objetivo de expandir o seu mundo era exatamente o mundo que gostaria de possuir, “Eis o império que destruímos, o império que eu desejava estabelecer sobre a terra e que não soube construir” (pág. 200, 2ª Parte).&lt;br /&gt;Fosca, desolado, mais uma vez, caminha solitário por entre desertos e florestas do “coração desconhecido do continente” (pág 212. 3ª Parte), e só encontrará novamente uma razão para sua vida ao se deparar com o Pierre Carlier, que o põe numa situação nova. Carlier o vê como um amigo, e não se prende ao fato de Fosca ser imortal, o que faz com que este se sinta “diferente”, e conseqüentemente, disposto a “renascer”, “Ele falava-me como se eu fosse seu semelhante; por isso é que ele me era caro” (pág. 219. 3ª Parte).&lt;br /&gt;Carlier, porém, acaba, com o passar do tempo, invejando-o, assim como todos os outros que se encontram com o mesmo na jornada de suas vidas. Conscientizando-se de que jamais realizaria o seu sonho, e mesmo que realizasse não o alcançaria plenamente, já que estaria morto, “Agora, não posso suspeitar a idéia de que você verá todas as coisas e eu não as verei” (pág. 223, 3ª Parte), suicida-se, deixando Fosca, mais uma vez, sem um sentido para continuar, “E agora, o que vai ser de mim?Se não o houvesse encontrado, talvez tivesse podido continuar a caminhar durante cem anos, mil anos” (pág. 233, 3ª Parte).&lt;br /&gt;Marianne é quem o faz sentir novo para a vida novamente. Os dois se apaixonam e vão viver juntos. Eles têm filhos e fundam uma Universidade. Antes de Marianne, Fosca encontrava-se numa triste situação: invejava os seres humanos e gostava de lhes assistir a morte, incentivava-os ao suicídio; era um homem frio, mas com seu novo amor, transforma-se novamente para o bem: sua vida passa a girar ao redor de Marianne. A relação, todavia, é incompleta, pois ele sofre por não poder compartilhar junto dela as mesmas emoções que ela sente. Logo vem o sentimento de traição à humanidade, visto que ele se percebe enganando Marianne e todo o resto, já que ele não é um deles, não pertence aquele tempo: “Não estava entre eles. Esse futuro, para eles puro, lido, inacessível como o azul do céu, tornar-se-ia para mim um presente que teria de viver dia por dia, na fadiga e no tédio” (pág. 326, 5ª Parte).&lt;br /&gt;Assim como Fosca não vive as emoções de Marianne, não vive também as conquistas e vitórias dos demais, como a de Armand, de Garnier, de Laure e de todo o povo e a humanidade. Apenas vê as pessoas de forma muito prática, “Sabia eu o que valiam aos olhos dele a vida, a morte? Cumpria-lhes decidir. Por que viver não é apenas não morrer? Mas morrer para salvar a vida não era o pior dos enganos?” pois não lhes resta opção, visto que todos morrerão e somente ele ficará para sempre.&lt;br /&gt;No final da quinta parte do romance, a narrativa é preenchida por flashbacks. Lembranças, vozes e imagens do passado se misturam às imagens do presente, às imagens da revolução, “das ruas vizinhas chegavam homens carregando macas (...) As praças de Roma estavam vermelhas, nas sarjetas os cães disputavam entre si estranhas coisas rosadas e brancas, um cão gania e mulheres e crianças voltavam para a lua seu rosto mutilado pelos cascos dos cavalos, as moscas zumbiam em torno dos corpos estendidos na terra batida entre as choças de bambu...” (pág. 334-335. 5ª Parte), “A multidão aclamava: Viva a República! Viva Carmona!” (pág. 337, 5ª Parte). No meio da confusão da revolução, Fosca lembra-se de Marianne e sente por ela não estar ali, pois ela sentiria a mesma emoção que aquelas pessoas, e através dela ele poderia sentir a vida, “Marianne!,dentro de mim. Ela teria tido olhos para ver, ouvidos para ouvir, e meu coração teria batido; para ela também o futuro teria flamejado: a liberdade, a fraternidade” (pág. 336, 5ª Parte). Podemos concluir, portanto, que ele passa a viver a vida através do outro, das emoções daqueles de quem ele não é mais um semelhante.&lt;br /&gt;A narrativa é quebrada sempre no final de cada parte para voltar ao foco narrativo em terceira pessoa e ao momento presente em que Fosca conta sua história a Régine, com exceção da quinta parte, que termina ainda com o narrador em primeira pessoa, o narrador-personagem, Fosca. É no epílogo que o narrador onisciente retorna e assim, retorna também o presente, em que se encontram Fosca e Régine. A atriz encontra-se muito angustiada com toda essa história, e não sente vontade, assim como Fosca, de continuar a viver, “Quando ele tiver terminado, será preciso transpor essa porta e por trás ainda haverá alguma coisa. Não poderei dormir e não terei coragem de morrer” (pág. 343, Epílogo). Fosca termina o que tinha para contar e decide por andar mundo afora, deixando Régine sozinha, com ela mesma, que o acompanhando com os olhos até vê-lo desaparecer na curva da estrada, grita. Grita porque não há saída para a sua angústia: cabe a ele seguir por entre milênios, amaldiçoado, e a ela, ser uma formiga, uma folga de erva até não mais existir, “...ela permanecia tal qual ele a fizera: uma folha de erva, um mosquito, uma formiga, um pouco de espuma” (pág. 345, Epílogo).&lt;br /&gt;O romance, feito de personagens redondos e uma narrativa miscigenada - por vezes time-shift, ora em terceira pessoa, ora em primeira, preenchida de monólogos interiores e flashbacks - é grandioso e oferece ao leitor momentos de intensa reflexão que desestabiliza conceitos que, observados superficialmente, parecem óbvios, mas não são. Existe realmente a vitória ou já nascemos todos derrotados? Todos esses e muitos outros temas oscilam dentro de nós durante a leitura da obra de Simone de Beauvoir, porque a história nos dá a visão da imortalidade não através de um mortal, que tanto a deseja; pois se assim fosse, nada de novo traria a narrativa; mas sim através de um imortal, levando o leitor a analisar de maneira mais cuidadosa e delicada os muitos assuntos apresentados, afinal, a imortalidade pode não ser tão boa quanto parece. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-4775928346480257856?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/4775928346480257856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/resumo-do-romance-todos-sao-mortais-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4775928346480257856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/4775928346480257856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/resumo-do-romance-todos-sao-mortais-de.html' title='Resumo do romance Todos os homens são mortais, de Simone de Beauvoir'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SYHJZ8KEI1I/AAAAAAAAAEY/pzWmyBM6ycI/s72-c/infinito+8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-8403469521146083697</id><published>2009-01-23T09:55:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T10:44:08.642-08:00</updated><title type='text'>Poema (Sobre o que poucos conseguem alcançar)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SXoMdgLYedI/AAAAAAAAAEA/V-58OwovBLo/s1600-h/universo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294558012920854994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SXoMdgLYedI/AAAAAAAAAEA/V-58OwovBLo/s400/universo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os pássaros cantam, as crianças sorriem, o mar se acalma: sim! Deus existe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os doentes gemem, os animais caçam-se, os homens choram, as crianças morrem de fome, o mar se agita: sim! Deus existe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As borboletas voam, o aleijado se arrasta, os pássaros cortam os céus, e os vermes a carne fria: sim!Deus existe!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deus é bom, Deus é mau, Deus é justo, ou não é, perante os nossos olhos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É Deus! É Deus! Querendo ou não o homem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É flor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É germe&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É cura&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É vírus&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É Vida&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É Morte&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É Deus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;As pessoas sempre me inspirando: isso é Deus também, por mais que não possamos entender!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Dessa vez foi outra amiga blogueira: Ana Paixão, com o poema &lt;em&gt;Deus. Link abaixo:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://appaixao.blogspot.com/"&gt;http://appaixao.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Deus está dentro de nós, independentemente da crença, da cultura, de ser ateu ou não. Porque Deus está dentro de tudo: de cada gota da água do mar, e de cada átomo e de cada grão de areia. Podemos inventar religião, mas não podemos inventar Deus, porque ele está aqui antes de nós e estará depois de nós! Apenas o nomeamos: D E U S ou G O D ou A L Á! Não importa. Nós não importamos. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Beijos a todos e Deus nos abençõe de dentro para fora, para que assim possamos também abançoar os outros (Somos todos UM)!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-8403469521146083697?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/8403469521146083697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/poema-sobre-o-que-poucos-conseguem.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8403469521146083697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/8403469521146083697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/poema-sobre-o-que-poucos-conseguem.html' title='Poema (Sobre o que poucos conseguem alcançar)'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SXoMdgLYedI/AAAAAAAAAEA/V-58OwovBLo/s72-c/universo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6225854894810930341</id><published>2009-01-03T05:47:00.000-08:00</published><updated>2009-01-03T06:18:35.476-08:00</updated><title type='text'>Sobre "O novo diferente" - comentário</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV9zgQKydnI/AAAAAAAAAD4/G8M9b7ygWKI/s1600-h/amor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287071485489477234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV9zgQKydnI/AAAAAAAAAD4/G8M9b7ygWKI/s320/amor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recomendada a crônica de Rômulo de Souza &lt;em&gt;O novo diferente&lt;/em&gt;, amigo e blogueiro &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(Inter)dito [escritos cotidianos]&lt;/span&gt;. O texto me levou a seguinte reflexão que compartilho aqui com vocês:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;link para a crônica: &lt;a href="http://romulopsouza.blogspot.com/2008/12/o-novo-diferente.html"&gt;http://romulopsouza.blogspot.com/2008/12/o-novo-diferente.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amar não é para todo mundo” (frase retirada da crônica). Eis a mais pura verdade! Que não conhecemos plenamente o amor... verdade também! A verdade omitida, ou esquecida por distração pelo autor de &lt;em&gt;O novo cotidiano,&lt;/em&gt; mas que apresento agora é: tão difícil aceitar que amar não é para todo mundo, principalmente quando quem não sabe amar é aquele a quem amamos hoje ou amamos algum dia. O texto é delicioso. Parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6225854894810930341?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6225854894810930341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/sobre-o-novo-diferente-comentrio.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6225854894810930341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6225854894810930341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/sobre-o-novo-diferente-comentrio.html' title='Sobre &quot;O novo diferente&quot; - comentário'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV9zgQKydnI/AAAAAAAAAD4/G8M9b7ygWKI/s72-c/amor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-7292433951947710207</id><published>2009-01-02T20:24:00.000-08:00</published><updated>2009-01-02T20:45:58.362-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Martha Medeiros</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV7sndiNjSI/AAAAAAAAADw/_uHJBoV6rz8/s1600-h/recortes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286923175266716962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV7sndiNjSI/AAAAAAAAADw/_uHJBoV6rz8/s200/recortes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava relendo uns recortes meus. Fui arrumar o armário, onde guardo dentre muitas outras coisas, pastas com recortes de textos, charges, entrevistas etc que leio em revistas e jornais e que me conquistam. Acho que esta crônica não deveria ter sido esquecida na pasta azul. Merece ser compartilhada com vocês. A autora é Martha Medeiros (1961), escritora gaúcha, formada em Propaganda e Publicidade. Trabalha para o famoso jornal Zero Hora como colunista e também colabora com a revista Época.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fizeram a gente acreditar&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Martha Medeiros&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois a um”,duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação, que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora dele deveriam ser reprimidos.&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar que os bonitos e mágicos são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.&lt;br /&gt;Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, e para todo, e os que escaparam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah também não nos contaram que ninguém vai contar tudo isso para a gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-7292433951947710207?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/7292433951947710207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/crnica-martha-medeiros.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7292433951947710207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7292433951947710207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/crnica-martha-medeiros.html' title='Crônica - Martha Medeiros'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SV7sndiNjSI/AAAAAAAAADw/_uHJBoV6rz8/s72-c/recortes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5795482658218693115</id><published>2009-01-01T04:29:00.000-08:00</published><updated>2009-01-02T21:29:23.757-08:00</updated><title type='text'>Conto - Sem faz de conta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SVy7U7oX7HI/AAAAAAAAADo/6kYeLNzF70o/s1600-h/solidao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286306030904929394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SVy7U7oX7HI/AAAAAAAAADo/6kYeLNzF70o/s320/solidao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Este conto já teve várias outras formas. Gostei da idéia, mas nunca gosto da forma. Eu não tenho o tempo da lavadeiras de Alagoas e invejo os parnasianos, então... exponho aqui o meu conto. Ruim, mas meu e ponto final! Faço com o que escrevo o que nos aconselha fazer Antônio Cândido em relação a nossa literatura: "comparada às grandes literaturas, a nossa é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não a amarmos, ninguém o fará por nós" (&lt;em&gt;A formação da literatura brasileira&lt;/em&gt;, fico devendo a página e a edição)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem faz de conta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marcela Teixeira Barbosa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite de sexta-feira, o apartamento fora invadido pela pressa. Tinha que ser rápida, havia uma festa para ir e já estava bem atrasada. Todos os seus amigos estariam lá, amigos que não via há tempos, por causa da correria da vida.&lt;br /&gt;Deixara tudo preparado antes de sair de casa pela manhã: a roupa já estava escolhida, assim como a sandália e os acessórios. Só faltava tirar a roupa, tomar um banho e se vestir. Teria também, claro, que pegar um engarrafamento mostro: noite de expectativas, de muitos carros na rua.&lt;br /&gt;A festa estava maravilhosa e o destino não satisfeito ainda traçou o seu reencontro com um grande amor. Depois da troca de olhares e o principiar de uma deliciosa conversa, o rapaz lhe ofereceu vinho branco, que ela adorava. Ela estendeu a mão para aceitar a gentileza, mas antes que pudesse tocar a taça, olhou para as suas próprias mãos e as encolheu no peito, deixando que a mesma caísse no chão.&lt;br /&gt;O rapaz se assustou. Riu procurando entender, à espera de uma desculpa ou justificativa para o arrependimento repentino dela em aceitar a bebida. Ela abriu os lábios, vacilou, não conseguiu falar. A verdade era que suas unhas estavam por fazer. Lembrara-se de todos os detalhes, a roupa, o sapato, os brincos, a escova no cabelo. Mas as unhas... as unhas não estavam feitas e sentiu vergonha disso. Então encolheu as mãos antes que o seu grande amor as pudesse ver.&lt;br /&gt;Ele ignorou o acontecido e se ofereceu para ir buscar outra, percebendo que ficara atordoada. Como ela negou, ele prosseguiu com a conversa.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando estava triste, ela esquecia de fazer as unhas, esquecia-as completamente. Quando estava mal, muito mal, quando estava cansada e se sentia perdida no mundo de todos os dias, ela não tinha mãos, não tinha unhas. Tinha todo o resto, menos as mãos, menos os dedos, menos as unhas. Mas não se percebera infeliz desde o fim do ano. Até então, tudo corria bem. Então teve medo. Temia que não estivesse. Estaria infeliz sem saber? Há quanto tempo estava vazia? Há quanto tempo não sentia as suas mãos? Não, ela não poderia estar triste sem saber, era patético. Estaria entrando no jogo do mundo: o faz de conta?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Linda, está tudo bem? Precisa de alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Sem perceber, ela o deixara falando sozinho há tempos.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Não está tudo bem, não está NA-DA bem, com licença...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desviou de mais umas pessoas a sua frente e não atendeu ao chamado de amigas que ao notar que ela partia a chamavam sem compreender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então que saiu da festa, entrou no primeiro táxi que viu, seguiu para a casa e ao chegar lá, fez as unhas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5795482658218693115?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5795482658218693115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/conto-faz-de-conta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5795482658218693115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5795482658218693115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2009/01/conto-faz-de-conta.html' title='Conto - Sem faz de conta'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SVy7U7oX7HI/AAAAAAAAADo/6kYeLNzF70o/s72-c/solidao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5375340375494611249</id><published>2008-12-18T06:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T09:20:44.051-08:00</updated><title type='text'>Opinião:-Revista VEJA: Entrevista</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUp-iwV1ISI/AAAAAAAAADg/1FVX-_Oko2k/s1600-h/eunice+durham.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUp9ukY7MGI/AAAAAAAAADY/V2LTPx7BFFI/s1600-h/educacao+charge.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281171752041001058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 292px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUp9ukY7MGI/AAAAAAAAADY/V2LTPx7BFFI/s400/educacao+charge.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Estou devendo a mim mesma a postagem da entrevista da Dr. antropóloga Eunice Durham para a revista VEJA. Aqui me dei a liberdade de colocar em vermelho alguns questionamentos meus. A entrevista incita discussões relevantes. Acredito que todos os professores, e demais atuantes na área da educação, deveriam refletir a respeito... portanto, aproveitem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista: Eunice Durham&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fábrica de maus professores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma das maiores especialistas em ensino superior&lt;br /&gt;brasileiro, a antropóloga não tem dúvida: os cursos&lt;br /&gt;de pedagogia perpetuam o péssimo ensino nas escolas&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUp9Eomk0UI/AAAAAAAAADI/cYYDQcB6zv4/s1600-h/eunice+durham.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monica Weinberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: "Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores". Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sua pesquisa mostra que as faculdades de pedagogia estão na raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Como?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(A antropóloga foi muito feliz e responsável na sua resposta. Veja que ela não generaliza, "MUITOS profissionais", me senti aliviada e justiçada com esse cuidado. Sobre o que ela diz, eu pude presenciar na prática. Recebi um email de uma colega de faculdade em que se lia "descanÇo", dentre outros erros!) &lt;/span&gt;nem expor conceitos científicos de média complexidade &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Realmente! Para aprender a expor conceitos é preciso prática e total conhecimento do assunto, obviamente. Mas percebo, no meu curso, que poucos alunos participam das aulas: não emitem opinião, não respondem as perguntas do professor... e pior, não lêem os textos sugeridos e até os obrigatórios na maioria das vezes!!!)&lt;/span&gt;. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas. Minha pesquisa aponta as causas. A primeira, sem dúvida, é a mentalidade da universidade, que supervaloriza a teoria e menospreza a prática. Segundo essa corrente acadêmica em vigor, o trabalho concreto em sala de aula é inferior a reflexões supostamente mais nobres. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Injusto é responsabilizar apenas os cursos de pedagogia. Superar erros ortográficos, por exemplo, depende mais dos próprios estudantes do que da instituição. O triste é eles conseguirem ser aprovados cometendo erros torpes.. estranho, não!?).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Essa filosofia é assumida abertamente pelas faculdades de pedagogia?&lt;/strong&gt;O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Aqui já acho que ela errou. O equívoco não está em a universidade ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos e etc, visto que isso também é necessidade real e indispensável SIM das escolas, mas em parar por aí. A Universidade, além disso, deveria focar, antes de tudo, as necessidades mais básicas, e não excluir tais conhecimentos. E como assim, estudantes UNIVERSITÁRIOS pouco escolarizados??!! E caso sejam, todos são capazes de estudar e alcançar, uns com mais esforço, outros com menos, dos mais simples aos mais complexos pensamentos. Esse argumento é absurdo! Pressupõem-se que todos que chegam à faculdade de Pedagogia são uns BURROS!)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que, exatamente, se ensina aos futuros professores?&lt;/strong&gt;Fiz uma análise detalhada das diretrizes oficiais para os cursos de pedagogia. Ali é possível constatar, com números, o que já se observa na prática. Entre catorze artigos, catorze parágrafos e 38 incisos, apenas dois itens se referem ao trabalho do professor em sala de aula. Esse parece um assunto secundário, menos relevante do que a ideologia atrasada que domina as faculdades de pedagogia.&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Nos cursos de Letras da UFF, existe, nos últimos quatro períodos, uma disciplina chamada Pesquisa e Prática de Ensino (PPE), em que o futuro professor terá contato direto com a sala de aula através dos estágios, tanto de observação como de atuação, ou seja, ele terá que observar e realizar projetos que pensem a prática da sala de aula em que se encontra como estagiário, apresentando saídas para as deficiências do ensino e da escola, podendo inclusive aplicar seu projeto na mesma, caso a direção da escola e o professor (da turma observada) estejam de acordo).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Como essa ideologia se manifesta?&lt;/strong&gt;Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Carece de exemplo, poderia ter citado pelo menos um autor, assim não vale!)&lt;/span&gt;. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Argumento duvidoso... só sabendo a que base teórica ela se refere para dar crédito ou não a esta resposta!)&lt;/span&gt;. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(QUAIS???). &lt;/span&gt;O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Em que situações? Numa palestra? Durante uma reunião? Numa simples conversa com algum professor ou estudante? Isso faz diferença!)&lt;/span&gt;. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Ué! E não precisa?)&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quais os efeitos disso na escola?&lt;/strong&gt;Quando chegam às escolas para ensinar, muitos dos novatos &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Mais uma vez ela não generaliza. Parabéns!) &lt;/span&gt;apenas repetem esses bordões. Eles não sabem nem como começar a executar suas tarefas mais básicas. A situação se agrava com o fato de os professores, de modo geral, não admitirem o óbvio: o ensino no Brasil é ainda tão ruim, em parte, porque eles próprios não estão preparados para desempenhar a função&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Pode ser. Argumento válido, sem dúvidas! Parabéns para o "em parte"! Muito bom!)&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por que os professores são tão pouco autocríticos?&lt;/strong&gt;Eles são corporativistas ao extremo. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Epa! Argumento perigoso!) &lt;/span&gt;Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Epa, epa... vamos com calma! Essa é mesmo a realidade do professor! O que não é desculpa, claro, para reallizar mal o seu trabalho. Mas manter a qualidade do ensino tendo que dar aula em mais de duas escolas, pegando de 15 a 20 tumas, cada uma com no mínimo trinta alunos, é bastante complicado! É fisicamente impossível! nem voz resta ao "querido" professor!Infelizmente professor também é ser humano: tem que comer e pagar contas!) &lt;/span&gt;. É um cenário preocupante&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Sem dúvida!)&lt;/span&gt;. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Alguns sim, outros não. O fato é, se não há um salário justo, se não há realmente condições de trabalho justas, essas desculpas continuarão a existir! Há uma forma bem simples de resolver isso, adivinnhem qual é!!!! Reconhecer o valor do professor! Assim como reconhecem dos defensores e promotores públicos; dos procuradores, dos juízes, e olha que legal, dos deputados e senadores!)&lt;/span&gt;– e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Que coisa feia falar assim!)&lt;/span&gt;. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como os sindicatos prejudicam a sala de aula?&lt;/strong&gt;Está suficientemente claro que a ação fundamental desses movimentos é garantir direitos corporativos, e não o bom ensino&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Cada coisa tem o seu lugar!)&lt;/span&gt;. Entenda-se por isso: lutar por greves, aumentos de salário e faltas ao trabalho sem nenhuma espécie de punição&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Ora, ora... faltas ao trabalho devem ser punidas sim, óbvio! Mas lutar através de greves por aumento de salário é digno, é um direito! E esse é um dos motivos pelo qual existe o sindicato! Como disse antes, cada coisa tem o seu lugar!)&lt;/span&gt;. O absenteísmo dos professores é, afinal, uma das pragas da escola pública brasileira. O índice de ausências é escandaloso&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Quero nomes de instituições! Quero números!). &lt;/span&gt;Um professor falta, em média, um mês de trabalho por ano e, o pior, não perde um centavo por isso&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Generalização não, madame! Mas em todo caso, realmente, tem que haver punição nesses casos!)&lt;/span&gt;. Cenário de atraso num país em que é urgente fazer a educação avançar. Combater o corporativismo &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Epa, epa... argumento perigoso! Radical!!!) &lt;/span&gt;dos professores e aprimorar os cursos de pedagogia &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Aprimorar é sempre bom!)&lt;/span&gt;, portanto, são duas medidas essenciais à melhora dos indicadores de ensino.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A senhora estende suas críticas ao restante da universidade pública?&lt;/strong&gt;Há dois fenômenos distintos nas instituições públicas. O primeiro é o dos cursos de pós-graduação nas áreas de ciências exatas, que, embora ainda atrás daqueles oferecidos em países desenvolvidos, estão sendo capazes de fazer o que é esperado deles: absorver novos conhecimentos, conseguir aplicá-los e contribuir para sua evolução. Nessas áreas, começa a surgir uma relação mais estreita entre as universidades e o mercado de trabalho. Algo que, segundo já foi suficientemente mensurado, é necessário ao avanço de qualquer país. A outra realidade da universidade pública a que me refiro é a das ciências humanas. Área que hoje, no Brasil, está prejudicada pela ideologia e pelo excesso de críticas vazias&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Como por exemplo... ?)&lt;/span&gt;. Nada disso contribui para elevar o nível da pesquisa acadêmica&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Disso o quê? Críticas vazias?? Como por exemplo... ? Ih! Não tem exemplo de novo! Não vale!)&lt;/span&gt;. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Um estudo da OCDE &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Qual? Gostaria de dar uma olhadinha.)&lt;/span&gt;(organização que reúne os países mais industrializados) mostra que o custo de um universitário no Brasil está entre os mais altos do mundo – e o país responde por apenas 2% das citações nas melhores revistas científicas. Como a senhora explica essa ineficiência?&lt;/strong&gt;Sem dúvida, poderíamos fazer o mesmo, ou mais, sem consumir tanto dinheiro do governo&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Tadinho do governo! O melhor mesmo é investir nas viagens dos senadores, dos deputados, nos jatinhos do presidente, nas cuecas, no caixa-dois... investir para instruir o povo... pra quê!?)&lt;/span&gt;. O problema é que as universidades públicas brasileiras são pessimamente administradas&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Ih! Generalizou de novo! Tcs... tcs...)&lt;/span&gt;. Sua versão &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(qual?) &lt;/span&gt;de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Explica isso direito, não deu pra entender não! Democracia = burocracia = gasto público!?? Eiiiita!)&lt;/span&gt;. Essa é uma situação que piorou, sobretudo, no período de abertura política, na década de 80, quando, na universidade, democratização se tornou sinônimo de formação de conselhos e multiplicação de instâncias. Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Ela só pode estar brincando! Um bolsista do CNPq da graduação ganha 350, 00! Será que ela sabe quanto custa um livro no Brasil? Será que ela pega ônibus, sabe o preço da passagem?) &lt;/span&gt;de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Não sei se MAIS tempo, porém BASTANTE tempo, com certeza!)&lt;/span&gt;. Para agravar a situação, os maus profissionais não podem ser demitidos&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Isso realmente é verdade! Um ponto que merece ser revisto!)&lt;/span&gt;. Defino a universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora?&lt;/strong&gt;Sou contra. Nos países &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(como por exemplo... ?) &lt;/span&gt;onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Será?)&lt;/span&gt;. Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados. Estes são, naturalmente, uma minoria&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (Cruel, mas verdadeiro!)&lt;/span&gt;. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Como por exemplo...?)&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As faculdades particulares são uma boa opção para os outros estudantes?&lt;/strong&gt;Freqüentemente, não. Aqui vale a pena chamar a atenção para um ponto: os cursos técnicos de ensino superior, ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros, formam gente mais capacitada para o mercado de trabalho do que uma faculdade particular de ensino ruim. Esses cursos são mais curtos e menos pretensiosos, mas conseguem algo que muita universidade não faz: preparar para o mercado de trabalho. É estranho como, no meio acadêmico, uma formação voltada para as necessidades das empresas ainda soa como pecado. As universidades dizem, sem nenhum constrangimento, preferir "formar &lt;span style="color:#000000;"&gt;cidadãos"&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; (O erro não está aí!).&lt;/span&gt; Cabe perguntar: o que o cidadão vai fazer da vida se ele não puder se inserir no mercado de trabalho? &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Verdade...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos alunos freqüentam essas escolas técnicas. No Brasil, são apenas 9%. Por quê?&lt;/strong&gt;Sempre houve preconceito no Brasil em relação a qualquer coisa que lembrasse o trabalho manual, caso desses cursos&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Verdade.)&lt;/span&gt;. Vejo, no entanto, uma melhora no conceito que se tem das escolas técnicas, o que se manifesta no aumento da procura&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Que bom!)&lt;/span&gt;. O fato concreto é que elas têm conseguido se adaptar às demandas reais da economia. Daí 95% das pessoas, em média, saírem formadas com emprego garantido. O mercado, afinal, não precisa apenas de pessoas pós-graduadas em letras que sejam peritas em crítica literária ou de estatísticos aptos a desenvolver grandes sistemas&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Claro que não!)&lt;/span&gt;. É simples, mas só o Brasil, vítima de certa arrogância&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(???)&lt;/span&gt;, parece ainda não ter entendido a lição&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Não entendi!)&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Faculdades particulares de baixa qualidade são, então, pura perda de tempo?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados – daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante. Que ninguém espere entrar numa faculdade de mau ensino e concorrer a um bom emprego, porque o mercado brasileiro já sabe discernir as coisas. É notório que tais instituições formam os piores estudantes para se prestar às ocupações mais medíocres. Mas cabe observar que, mesmo mal formados, esses jovens levam vantagem sobre os outros que jamais pisaram numa universidade, ainda que tenham aprendido muito pouco em sala de aula. A lógica é típica de países em desenvolvimento, como o Brasil. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por que num país em desenvolvimento o diploma universitário, mesmo sendo de um curso ruim, tem tanto valor?&lt;/strong&gt;No Brasil, ao contrário do que ocorre em nações mais ricas, o diploma de ensino superior possui um valor independente da qualidade. Quem tem vale mais no mercado. É a realidade de um país onde a maioria dos jovens está ainda fora da universidade e o diploma ganha peso pela raridade. Numa seleção de emprego, entre dois candidatos parecidos, uma empresa vai dar preferência, naturalmente, ao que conseguiu chegar ao ensino superior. Mas é preciso que se repita: eles servirão a uma classe de empregos bem medíocres – jamais estarão na disputa pelas melhores vagas ofertadas no mercado de trabalho.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A tendência é que o mercado se encarregue de eliminar as faculdades ruins?&lt;/strong&gt;A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa. Isso já foi comprovado num levantamento feito com base no antigo Provão. Ao jogar luz nas instituições que haviam acumulado notas vermelhas, o exame contribuiu decisivamente para o seu fracasso. O fato de o MEC intervir num curso que, testado mais de uma vez, não apresente sinais de melhora também é uma medida sensata. O mau ensino, afinal, é um grande desserviço. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse?&lt;/strong&gt;Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(INTEIRAMENTE! Nossa! Então é melhor fechar mesmo!)&lt;/span&gt;. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(E é claro que isso só se deve às Universidades, nada mais! Faça-me o favor... !)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;veja ed.2088/ 26 de novembro de 2008/ pgs.17, 20 e 21.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5375340375494611249?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5375340375494611249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/entrevista-revista-veja-fbrica-de-maus.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5375340375494611249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5375340375494611249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/entrevista-revista-veja-fbrica-de-maus.html' title='Opinião:-Revista VEJA: Entrevista'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUp9ukY7MGI/AAAAAAAAADY/V2LTPx7BFFI/s72-c/educacao+charge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5013628109297342979</id><published>2008-12-15T06:24:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T14:36:27.292-08:00</updated><title type='text'>Conto - Som caloroso</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZqax5kY7I/AAAAAAAAAC4/UbEkxZyXFDQ/s1600-h/solidao.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 294px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZqax5kY7I/AAAAAAAAAC4/UbEkxZyXFDQ/s320/solidao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280024621442425778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Som caloroso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acredito ter alcançado, finalmente, tudo aquilo que sempre busquei. Hoje, aos cinqüenta e dois anos, posso dizer que minha luta resultou na conseqüência da qual sempre quis que fosse a causa.&lt;br /&gt; Moro num invejável apartamento de um prédio a que todos aqueles que possuem um naco de civilização em suas mentes chamam de luxo. Cômodos arejados e amplos. Decoração que aparenta ser inspirada nas emoções mais sinceras de uma alma renascentista. Cada parte trabalhada de tal maneira minuciosa, que assim como as igrejas do século XVII, era impossível crer-se concretizadas por mãos humanas. Não obstante, tudo que consegui é dotado de muita humanidade, e só dela advém.&lt;br /&gt; Móveis impecáveis. Beleza e conforto em harmonia total. Mas nem por ter a minha casa o encanto das belas obras de tempos há muito idos, abstém-se do melhor que pode proporcionar a era digital. &lt;br /&gt; Televisores que ostentam imagens que parecem filtrar todo o espaço real. Uma beleza mágica. Às vezes acredito que a imagem digital é produto de bela magia, magia a que todos nós buscamos quando crianças e que gradativamente se esvaece com a chegada da maturidade. Esta que chega com o passar dos anos agastada pelos mais diversos choques de realidade.&lt;br /&gt; O que mais me impressiona é a vista. Majestosa vista! Sim, porque meu apartamento é uma cobertura. À noite deixo-me enlevar por horas em sua imensidão, naquelas luzes noturnas e nas rajadas de ventos frescos. Sou um tipo de rei, um senhor feudal de uma época em que poucos, muito poucos, são detentores do “reino” que tenho hoje.&lt;br /&gt; Mas nada é perfeito. Aos cinqüenta e dois anos, minha vida é por demais silenciosa. Somente escuto os ruídos incessantes dos veículos, dos toques do meu celular e da televisão quando a ligo.&lt;br /&gt; Detesto a noite. Olho para a minha mesa farta, os móveis, ar condicionado, TV, os pouco porta-retratos com fotos e nada. Nada, absolutamente nada...&lt;br /&gt; Fotos são momentos congelados, servem para relembrar. E viver de lembranças é morrer deixando cada pequena parte vital nas reminiscências remanescentes. Imagens de um tempo que hoje em tudo parece melhor e para o qual é impossível retornar a fim de reescrever a própria história, só que agora com um conteúdo imprescindível adquirido pela experiência, com um vocabulário mais vasto e com um estilo infinitamente superior. As fotos relembram épocas que deveriam tão-só ter sido um ensaio para que após pudesse eu fazer de minha biografia um grande espetáculo.&lt;br /&gt; Infelizmente, o roteiro de minha vida foi desaprovado por quem mais importa: eu mesmo! As cortinas fecharam-se para um palco, sem dúvida, esplendoroso, rico, belo, mas diante de uma platéia deserta. Silêncio... nem o choro das tragédias, quanto menos os suspiros dos romances e as risadas das comédias.&lt;br /&gt; Certa vez, levei um empregado “quase-amigo” até sua casa. Regula-me a idade. Voltávamos de uma longa viagem de trabalho. Era véspera de Natal. Ao chegar à residência foi recebido com imensa alegria por sua esposa e uma moça que devia ter uns dezenove anos, sua filha. Linda e meiga garota! A seu convite, juntei-me a eles naquela noite e observei-lhes as expressões durante aqueles breves momentos. Parecia o prolongamento das minhas fotos. Momentos dotados de som, mas não o som mecânico e frio que me acompanha nessa fase de minha vida. Era um som caloroso, de um aplauso emocionado, satisfeito com o espetáculo. Simplesmente feliz!&lt;br /&gt; Há muito que não desfruto desse som. Nada quer dizer com o fato de ter pessoas em meu redor. É outra coisa!&lt;br /&gt; Hoje tenho cinqüenta e dois anos. Estou no lugar pelo qual sempre lutei para estar, diante de uma mesa farta. Falta-me o som que tem em casa o  meu “quase-amigo”. Tirando os automóveis que esta noite continuam a passar lá embaixo, tudo permanece silencioso e a noite é fria como o barulho que interrompe o silêncio.&lt;br /&gt; Do banquete que tenho à minha frente só tomarei o cálice de cianureto. Assim que acabar de escrever o levarei à boca. Tenho certeza de que quando acabar minha cabeça irá despencar sobre a mesa provocando um som seco e imperceptível a terceiros. Som do qual somente meu palácio será testemunha.&lt;br /&gt; Palácio imenso, frio e silencioso, a quem minha vida dei para conseguir! Toma-a agora suas paredes, para todo o sempre, e em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo Teixeira Barbosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5013628109297342979?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5013628109297342979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/som-caloroso-acredito-ter-alcanado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5013628109297342979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5013628109297342979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/som-caloroso-acredito-ter-alcanado.html' title='Conto - Som caloroso'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZqax5kY7I/AAAAAAAAAC4/UbEkxZyXFDQ/s72-c/solidao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6109987290303251495</id><published>2008-12-15T05:27:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T05:36:47.904-08:00</updated><title type='text'>Poemas (dois autores)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZdYbz8sVI/AAAAAAAAACw/an3uri1DTFM/s1600-h/danca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 375px; height: 251px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZdYbz8sVI/AAAAAAAAACw/an3uri1DTFM/s400/danca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280010287502373202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A dança do Ser &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não faça o que digo&lt;br /&gt;nem ouça o que falo.&lt;br /&gt;Aprenda comigo&lt;br /&gt;que a vida é uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com ninguém, minto&lt;br /&gt;no convívio cara a cara.&lt;br /&gt;Não sou o que você pensa,&lt;br /&gt;nem o que cogitara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou muito mais do isso,&lt;br /&gt;faço tipo na praça.&lt;br /&gt;Escrevo para passar o tempo,&lt;br /&gt;enquanto lembro do que mais admirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui poeta,&lt;br /&gt;hoje sou menino&lt;br /&gt;e, no futuro, um Ser em devir.&lt;br /&gt;O homem humilde&lt;br /&gt;que não se cansa de rir-se&lt;br /&gt;do que o suponham ser. &lt;br /&gt;Postado por Rômulo às 19:43 &lt;br /&gt;Domingo, 7 de Dezembro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta do poema sem título (à Dança do ser)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vida é uma farsa”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não faço o que você diz&lt;br /&gt;E não ouço o que você fala&lt;br /&gt;-A vida não é uma farsa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ouço o que você diz &lt;br /&gt;Então ouço o que você fala&lt;br /&gt;A vida não é uma farsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6109987290303251495?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6109987290303251495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/poemas-dois-autores.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6109987290303251495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6109987290303251495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/poemas-dois-autores.html' title='Poemas (dois autores)'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUZdYbz8sVI/AAAAAAAAACw/an3uri1DTFM/s72-c/danca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-5993464292714799814</id><published>2008-12-14T18:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T18:24:23.668-08:00</updated><title type='text'>Artigo: Literatura Portuguesa Contemporânea I</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUW_wguBviI/AAAAAAAAACo/2uDbOl494vc/s1600-h/guerra+civil+em+ang.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 321px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUW_wguBviI/AAAAAAAAACo/2uDbOl494vc/s400/guerra+civil+em+ang.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279836978299387426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reflexões sobre o espaço em &lt;em&gt;O esplendor de Portugal&lt;/em&gt;: a transformação do cenário pela guerra &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa (UFF)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho tem como objetivo a análise da questão do espaço e, conseqüentemente, do tempo, dentro da obra &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt;, de Antônio Lobo Antunes, apontando as suas funções e de que maneira são introduzidos pelo narrador. Denota-se, principalmente, a peregrinação das personagens Isilda e Maria da Boa Morte por Angola em momento de guerra civil, procurando-se problematizar as descrições do cenário nos diferentes tempos pelos quais atravessa a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt;, de António Lobo Antunes, é composto por quatro vozes narrativas em primeira pessoa (Isilda, a mãe e Carlos, Clarisse, e Rui, os filhos) através das quais o enredo se desenvolve de maneira fragmentada, visto que cada uma delas conta um quinhão da história a partir do seu ponto de vista e de suas experiências, ora vividas no tempo presente, do qual narram, ora revividas de um tempo pretérito, geralmente comum a todas elas. Entretanto, não é apenas a polifonia a responsável pela fragmentação do romance; a narrativa de cunho memorialístico se constrói conforme os estados emocional e psicológico dos narradores-personagens, ou seja, conforme uma lógica interior.&lt;br /&gt;Dentre muitos outros temas que se podem ver problematizados neste romance quanto à sua estrutura de fluxo de pensamentos, resumidamente descrita acima, talvez seja a do espaço fundamental para uma boa investigação sobre a vida e o eu de cada um dos personagens e, principalmente, sobre os objetivos do autor. Neste texto, concentra-se a análise do espaço na forma como é introduzido pela narradora Isilda na sua fuga pelo território angolano junto a Maria da Boa Morte dos perigos da Guerra Civil. Antes disso, todavia, o tema será abordado de forma geral, não sendo, assim, possível a sua análise profunda.&lt;br /&gt;Podemos dizer que o romance, quanto a uma visão macroscópica, possui dois grandes espaços principais: o espaço de Portugal, especificamente Ajuda, onde estão situados também no tempo, 24 de dezembro de 1995, os três filhos de Isilda; e o espaço de Angola, onde se encontram a mãe, a cozinheira, Maria da Boa Morte, e os demais empregados, na fazenda de algodão, em Malanje. Já uma visão microscópica do espaço, permite-nos apontar a sua multiplicidade: a fazenda e os seus cômodos, as estradas, o galpão de caça de Eduardo (pai de Isilda), o quarto do comandante de polícia (em Angola); a casa de Carlos, o apartamento de Clarisse, a clínica de internação de Rui, entre outros (em Portugal).&lt;br /&gt;Essa variedade de espaços não torna, como acontece em alguns romances, a obra superficial no que diz respeito, por exemplo, à constituição das personagens e ao drama por elas vivido, pois é a estrutura narrativa de deslocamentos de tempo e espaço, realizada de maneira fragmentada pela memória (alternando passado e presente; Angola e Portugal) o recurso  responsável pelo aprofundamento da construção do “eu” das personagens; ou seja, é assim que o leitor conhece a história das mesmas e a trajetória por elas percorrida até o presente momento, do qual elas contam o seu ponto de vista sobre a história familiar em Malanje, fator, segundo George Lukács, imprescindível, pois sem ele não há “margens a que as interessantes qualidades do personagem se expliquem através de um entrecho individual e o interesse (do leitor) diminui” (LUKÁCS, 1968, p. 96). Imediatamente, às vezes sem nenhum aviso ao leitor, a narrativa é deslocada, de uma oração para outra, para espaços completamente diferentes, no passado das personagens, como se as suas lembranças “presentificassem” aquele espaço e aquele tempo. Como exemplo disso, temos o momento em que Carlos está na cozinha de sua casa na Ajuda e, de repente, está em um jipe que percorre um caminho para longe de sua fazenda, em Angola: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fiquei sozinho na cozinha a ouvir o zumbido do frigorífico e a olhar os morros da Almada, a olhar a fazenda do postigo do jipe à medida que nos afastávamos pelos buracos da picada que dividia os girassóis murchos até ao alcatrão... &lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 12). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, a mudança de espaço é essencial justamente para uma construção mais complexa do romance, ou seja, a disposição das memórias, por não se conter em um único espaço, onde se encontram as personagens, no presente, enriquece o entrecho, tornando possíveis, diferentes janelas de interpretação e análises, sejam essas realizadas a partir do foco narrativo ou da estruturação do enredo. Parafraseando Massaud Moisés, o enriquecimento ocorre, porque “os personagens trouxeram dentro de si os germes de antagonismos mais sugestivos, decorrentes noutro lugar” (1983, p. 103). &lt;br /&gt;Além disso, a sobreposição do espaço passado de Angola sobre o espaço presente de Portugal, efetuado, a todo o momento, por Carlos, Rui e Clarisse, tem uma outra importante função de denotar que os filhos de Isilda ainda se encontram presos ao espaço de Angola, à fazenda de Malanje e à sua densa atmosfera. Enfim, a estratégia é de construir o enredo a partir de lembranças que surgem de maneira não linear, como se cada mudança de espaço, tempo e narrador fosse uma peça de um grande quebra-cabeça que o leitor terá que montar. Desperta-se, então, naquele que lê o romance, a curiosidade não de saber o fim da história, pois esse, desde o princípio, já está subentendido pelo que dizem as personagens, mas a de montar esse “quebra-cabeça”, visto que o autor não narra e tampouco descreve situações prontas e acabadas; ele constrói o romance de forma recortada forçando o leitor a agir como um investigador, analisando os diferentes discursos, organizando os diferentes espaços e tempos.&lt;br /&gt; Para isso, a descrição de determinados objetos, por exemplo, adquire o papel de revelar o tipo de ambiente que envolve as personagens e, dessa forma, caracterizá-las e situá-las na história, como por exemplo, o relógio da sala em Angola, que não aparece descrito simplesmente devido a funções estéticas ou vazias, de que tratou George Lukács em Narrar ou descrever, mas com o objetivo de demonstrar, além do tenso ambiente familiar, a insegurança vivida por Carlos, que se percebe em um ambiente preste a explodir, mas que se mantém inteiro e único devido às batidas do relógio: ou seja, é a esse objeto que ele, na sua infância, confia a segurança e estabilidade do lar, que são inexistentes: “As coisas só têm vida poética enquanto relacionadas com acontecimentos de destinos humanos” (LUKÁCS, 1968, p. 7), por isso o bom narrador deve descreve-las apontando para “a função que elas assumem nas vidas humanas” (LUKÁCS, 1968, p. 7) como fez Carlos.&lt;br /&gt;Na fuga de Isilda e Maria da Boa Morte por Angola à procura de um lugar seguro em plena Guerra Civil, acompanhamos as duas mulheres a deixarem a fazenda, cruzarem o rio “que era um rio nas chuvas e agora um pântano de lodo ralo onde os crocodilos não encontravam abrigo” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p.227), chegar a Marimba, na antiga casa de caça de Eduardo e percorrerem a estrada até Luanda. É preciso estar atento à elaboração desses espaços para que não cometamos o equívoco de confundir com espaço o conjunto de processos e elementos narrativos - a que Osman Lins denominou ambientação - responsáveis pela construção do ambiente, no caso de &lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, de destruição, violência e vazio.&lt;br /&gt;Como a descrição do espaço da guerra surge conforme as ações e os paralelos entre um passado e um presente realizados por Isilda, podemos dizer que a ambientação, neste caso, é dissimulada. A personagem revela ao leitor a sensação de vazio perante um espaço que foi transformado, que não mais existe: “eu a Josélia e a Maria da Boa Morte ao mudarmos fugindo da guerra (...) da miséria da Chiquita que não existia mais para a miséria de Marimba que se calhar não existia também” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 225-226). Essa estratégia de descrição denota a perda da identidade num lugar em que as imagens e elementos não são mais as auzaléas, os girassóis ou o algodão, visto que são substituídos por bombas de napalm, tropas do governo, mercenários da Unita e militares degolados.&lt;br /&gt;A narrativa não convencional de A. L. A., que foge a qualquer “narrativa-mestra” (HUTCHEON, 1991, p. 23), permite a construção do espaço da guerra de maneira que o leitor o possa absorver e ser conduzido a uma nova reflexão sobre esse passado sangrento e nada glorificador. Assim, conforme Isilda e Maria da Boa Morte caminham em meio à degradação, as recordações daquela surgem para mostrar a transformação não somente chocante do espaço pela guerra, mas também para despertar naquele que as acompanha o sentimento de melancolia e não lugar no mundo pelos quais passam as duas mulheres; e isso é claramente alcançado em diversos momentos da narrativa, como por exemplo, na ambientação assinalada pela indicação de marcas temporais do pretérito mais-que-perfeito, “o que fora o edifício da administração, o que fora residência do administrador, o que fora o posto de enfermagem, o que fora o quartel dos portugueses em treze anos de guerra com escudos e capela de adobe, o que foram as senzalas” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 245), reforçada pelas lembranças de Isilda do discurso do não-lugar de parte dos portugueses, proferido diversas vezes pelo seu pai: “expulsos através dos angolanos pelos americanos, os russos, os franceses, os ingleses que não nos aceitam aqui para chegarmos a Lisboa onde nos não aceitam também” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 244).&lt;br /&gt;Logo, o foco narrativo não se concentra na descrição pictórica, comum em romances realistas da segunda metade do século XIX. O espaço é apresentado a partir de uma personagem ativa, que incorpora o horror consecutivo da guerra civil e não apenas descreve imagens estáticas ou cenários imutáveis. Ao apontar a falta de elementos do espaço anterior ao conflito armado, ou a substituição desses por outros, subentende-se o movimento de transformação ocasionado pelos confrontos: “não pode ser Luanda porque não encontro a Samba Pequena a Samba Grande, a Corimba, o barco do Mussulo, encontro (...) cadáveres de feira e ruínas de cartão” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 344).  Assim, Isilda recusa a realidade desordeira de Luanda, “a cidade dos defuntos” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 317), negando a veracidade do que presencia. Ela atribui ao real o valor de espetáculo, de cenas dramatizadas: “um mimo representado de defunto pendurado no muro, se batermos palmas levanta-se e agradece, se voltarmos costas pergunta ao contra-regra – Fui bem? Enquanto limpa com o lenço a maquiagem e a graxa...” (&lt;em&gt;O.E.P &lt;/em&gt;, p. 343).&lt;br /&gt;A fuga de Isilda, portanto, não se dá somente através da sua andança pelo território angolano, mas também pela não aceitação do cenário de ruínas e de morte que a envolve. Assim, enquanto é encaminhada para a sua execução, na véspera de natal, do ano de 1995, pelos tropas do Governo, ela foge para um espaço interiorizado e idealizado de uma reunião natalina com seu marido, sua mãe, seus filhos e os empregados a lhes servirem: &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;as paredes da sala, os bibelôs, os quadros a ecoarem segundo o ritmo das árvores e a cadência das ondas como o algodão durante o jantar quando o Fernando trouxer a canja, o peru, o bolo-rei, os sonhos, as fatias douradas, o espumante, o meu marido a acender as velas do pinheiro, o Damião a amontoar os presentes contra a jarra &lt;/strong&gt; (p. 373).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos seus últimos momentos, Isilda nega as circunstâncias presentes, como em um faz-de-conta, fingindo que nada daquilo está acontecendo, e corrige, no seu interior, as imperfeições de seu passado, recriando a sua vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a tropa do governo e os estrangeiros da Unita nunca estiveram aqui, os bailundos nunca escaparam para a mata, nunca deixei os meus filhos no cais para Lisboa, nem um só cadáver nas ruas de Luanda, o meu marido, que história mais parva, nunca escondeu uma garrafa que fosse nas gavetas, não casei por estar grávida nem o meu pai me arranjou um noivo nem o meu pai me arranjou um noivo e lhe pagou para esconder a vergonha, sou virgem&lt;/strong&gt; (p. 373).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora do lar, esse espaço onírico, perfeito, torna-se o seu refúgio, ou seja, perdida nesse mundo incoerente, a criação desse espaço é a forma que ela encontra de se proteger da realidade hostil e perigosa da guerra. Não se pode deixar de apontar para o fato de que é para o ambiente familiar de sua casa, mesmo que transformado pelo processo de idealização, o espaço para onde ela foge. Faz-se então uma analogia ao que Bachelard afirmou a respeito daquele, que ao deixar a sua casa dos tempos de infância, por uma nova, recorda-se daquela recriando-a: “Evocando as lembranças da casa, acrescentamos valores de sonho; nunca somos verdadeiros historiadores, somos sempre um pouco poetas e nossa emoção traduz apenas, quem sabe, a poesia perdida” (BACHELARD, 1978, p. 201). O mesmo faz Isilda, que se encontra totalmente desamparada, sem lar e sem família. E será no momento de seu assassinato que descreverá, de forma mais precisa e detalhada, o espaço em que viveu momentos felizes de proteção, junto a seus pai, como se desejasse com toda vontade se segurar àquele tempo para sobreviver: “o vôo dos pássaros, asas de feltro, gritos, mar lá embaixo, o Mussulo, os coqueiros, descíamos à praia, os meus pais e eu, o meu pai de terno creme panamá, a minha mãe de sombrinha aberta cor de rosa, eu com um chapéu de palha que se atava sob o queixo”(p. 381).&lt;br /&gt;Tais recursos descritivos - o de negar a realidade do tempo presente, porque não corresponde a do tempo passado e, dessa forma, entender o espaço como uma imitação de um outro, diferente, “uma cidade a imitar outra cidade” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt; , p. 342) – superam a função de caráter somente ornamental, adquirindo também o valor essencial de desconstruir a idéia, tanto tempo pertencente à memória discursiva, que, por sua vez, está diretamente relacionada a um espaço e a um período no tempo, mas que sofre perda total de sentido em época de guerra, de que um povo é superior a outro para o submeter a sua cultura e a sua ordem: “enquanto caminhávamos para o norte ou que cuidávamos ser o norte (...) à cata de uma cidade de brancos como eu onde pudesse ser branca, a Maria da Boa Morte pudesse ser preta, o mundo redescobrisse a sua ordem antiga” (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt; , p. 250).&lt;br /&gt;Sendo assim, uma das conclusões a que podemos chegar a respeito da incorporação do espaço na narrativa, de O Esplendor de Portugal, é a de sua função essencial de investigação e aprofundamento no drama das personagens e do interior das mesmas, porque o espaço, nesse romance, não é constituído de “situações estáticas, imóveis (...) estados de alma dos homens ou estados de fato das coisas (...) estados de espírito ou naturezas-mortas” (LUKÁCS, 1968, p. 70), mas está intrínseco às ações do “entrecho” (LUKÁCS, 1968); não é constituído de sentimentos de nostalgia ou saudosismo, mas da necessidade de nova reflexão sobre o período histórico que tanto abalou o brio português. Portanto, podemos dizer, assim como afirma Linda Hutcheon, sobre os romances pós-modernos, que a obra de António Lobo Antunes, não “sugere nenhuma busca para encontrar sentido atemporal transcendente, mas sim uma reavaliação e um diálogo em relação ao passado à luz do presente” (HUTCHEON, 1991, p.39), proposta por mais de um ponto de vista, por variados focos narrativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ANTUNES, António Lobo. &lt;em&gt;O esplendor de Portugal&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.&lt;br /&gt;BACHELARD, Gaston. &lt;em&gt;A poética do espaço &lt;/em&gt;__ in: Bachelard. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultura, 1978.  &lt;br /&gt;DIMAS, Antônio. &lt;em&gt;Espaço e romance&lt;/em&gt;.São Paulo: Ática, 1985.&lt;br /&gt;HUTCHEON, Linda. &lt;em&gt;Poética do Pós-Modernismo&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1991.&lt;br /&gt;LINS, Osman.  &lt;em&gt;Lima Barreto e o espaço romanesco&lt;/em&gt;. São Paulo: Ática, 1976.&lt;br /&gt;LUKÁCS, George. &lt;em&gt;Narrar e descrever&lt;/em&gt;_ in: Ensaios sobre literatura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.&lt;br /&gt;MASSAUD, Moisés. &lt;em&gt;A criação literária&lt;/em&gt;. 11 ed. São Paulo: Cultrix, 1983.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-5993464292714799814?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/5993464292714799814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigo-literatura-portuguesa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5993464292714799814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/5993464292714799814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigo-literatura-portuguesa.html' title='Artigo: Literatura Portuguesa Contemporânea I'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUW_wguBviI/AAAAAAAAACo/2uDbOl494vc/s72-c/guerra+civil+em+ang.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-6316037686461757599</id><published>2008-12-13T16:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T16:59:21.627-08:00</updated><title type='text'>Artigo:Literatura Portuguesa Contemporânea</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SURZlOBp3wI/AAAAAAAAACg/mAHBzyNyq_o/s1600-h/sonho+e+delirio.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 243px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SURZlOBp3wI/AAAAAAAAACg/mAHBzyNyq_o/s320/sonho+e+delirio.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279443159140130562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONHO E DELÍRIO EM O ESPLENDOR DE PORTUGAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Teixeira Barbosa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A origem dos sonhos e a procura de seu significado para o ser humano compõem uma discussão que vem perdurando ao longo dos séculos. Já se acreditou, por exemplo, na Antiguidade, como nos explica Freud em A&lt;em&gt; interpretação dos sonhos&lt;/em&gt;, que esses seriam mensagens de deuses ou de demônios, podendo trazer ao sonhador, boas ou más revelações: “Eles aceitavam como axiomático que os sonhos estavam relacionados com o mundo dos seres sobre humanos nos quais acreditavam, e que constituíam revelações de deuses ou demônios” . Os sonhos que aparecem, entretanto, nesse romance de António Lobo Antunes, &lt;em&gt;O esplendor de Portugal&lt;/em&gt;, de 1999, não são provenientes do sono, os quais os povos antigos criam ser de providência divina, mas são, talvez possamos dizer, oriundos da exaustividade da realidade dura a qual a personagem Isilda pertence. É por esse âmbito que fazemos analogia entre a teoria freudiana de realização dos desejos do homem através do sonho inconsciente, que se dá no sono, e a realização da vontade da personagem de estar e pertencer a outro espaço, a outro ambiente, que não o da Guerra Civil Angolana, através do sonho em que está em família na ceia de Natal, em 1995. Veremos o mesmo a respeito dos delírios da personagem, que para tornar a sua vida em África possível, ou seja, para se proteger do cenário destruído e hostil, nega a realidade exterior e inventa uma própria, no seu interior.&lt;br /&gt; Desde o primeiro aparecimento de Isilda na narrativa, no capítulo 24 de julho de 1978, reconhecemos o ambiente angustiante e esmagador que a envolve. Através da descrição de imagens bastante expressivas, como a do “grito”, e a do “ventre que aumenta na escuridão do quarto”, nós, leitores, compartilhamos o pavor e a culpa que perseguem a personagem, enraizando nela a dor vívida e intensa que lhe acompanha por toda a história, não podendo ser expressa apenas pela boca, um dos órgãos responsáveis, dentre outras funções, de nos libertar, através do som e da fala, de nossos sentimentos, mas por todo o corpo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há qualquer coisa de terrível em mim. Às vezes à noite o murmúrio dos girassóis acorda-me e sinto o ventre aumentar na escuridão do quarto com aquilo que não é um filho, não é um inchaço, não é um tumor, não é uma doença, é uma espécie de grito que vai sair não pela boca mas pelo corpo inteiro e encher o campo como uivo dos cães...  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O grito que Isilda mantém abafado, desde a sua infância até a fase adulta, a dor que ela não consegue exteriorizar, será compensada mais tarde através de delírios, devaneios, sonhos, ou seja, pela tentativa de fugir do ambiente em que se encontra. Essa sua agonia parece ter se iniciado após presenciar duas cenas seguidas de violência, quando era ainda uma criança, cenas que transformariam para sempre o seu interior. A primeira consiste em um ato de violência contra um animal, e o segundo, por conseqüência desse, consiste na violência de homens contra um louco:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em criança antes de voltarmos a Angola assisti ao linchamento do louco da Vila de Nisa. (...) um dia abriu a barriga de um vitelo do pescoço às virilhas, o animal entrou a tropeçar nas tripas, os camponeses da herdade pegaram no louco (...) trouxeram-no aos encontrões para a eira, começaram a bater-lhe com enxadas e paus sem que se defendesse, protestasse sequer, um vagabundo que sorria aumentando o sorriso a cada golpe, lembro-me de uma oliveira corcunda, do sol, homens a erguerem e baixarem os ancinhos, o louco, sorrindo sempre, puxou o pente da algibeira das calças a arranjar o cabelo, no momento seguinte um calhau esmagou-lhe o peito e as madeixas assemelhavam-se ao ninho que as cegonhas construíram no vértice do depósito da água...  .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O primeiro sinal que nos mostra o quanto essas cenas a traumatizaram e, portanto, não se trata de uma divagação gratuita ou superficial no romance, mas de grande importância para que se possa melhor compreender o que acontece à personagem e o motivo da atmosfera deprimente, que sempre acompanhou a família de Isilda, está na riqueza de detalhes das suas descrições. Podemos dizer, conforme se dá a descrição, que esses momentos de violência parecem ter passado muito lentamente para ela, no que diz respeito ao tempo psicológico, obviamente. Ela se fixa à “oliveira corcunda”, ao sol, ao pente sem “dente” do louco, como se tivesse tido tempo de, em meio à confusão, observar todo o cenário ao seu redor. Tal recurso narrativo, de exposição de detalhes, nos leva a crer na incapacidade da personagem de se desvincular do acontecido, visto que todo aquele cenário a impregna.&lt;br /&gt; A narrativa fragmentada nos permite ainda perceber uma relação forte entre Isilda e o Louco de Nisa, criada pela mesma no momento do espancamento. Apiedada e frágil para que pudesse tomar qualquer atitude, impedindo a injustiça que estava se formando, o julgamento bárbaro dos homens sãos contra um homem incapaz de medir as conseqüências de seus atos vis, a personagem carrega sua parcela de culpa, de testemunha por toda a vida, criando para si uma neurose, uma obsessão. Ela deposita no pente do louco, que pega para si, a proteção, o carinho e a compaixão, sentimentos que não puderam ser expressos naquele momento de crueldade. O objeto parece funcionar como o seu elo entre o presente e o passado, ao qual, ela sabe, nunca se verá desvinculada, livre por completo. Como um sonho ruim, o fato a persegue como uma sombra, e se torna parte dela. Sempre que deseja atravessar o “portal” do tempo e voltar para aquele momento do trauma, ela tira o pente da “lata de biscoitos amolgada e riscada sem pintar na tampa”, sendo que, “assim que lhe tocava via as casas de Nisa e o vitelo entrava no largo tropeçando nas tripas, os outros que nunca hão-de compreender o que for” .&lt;br /&gt; Nota-se nesse trecho outro elemento importante: a lata de biscoitos amolgada e riscada na tampa conservada por Isilda para guardar o objeto. Conscientizados de que o romance de António Lobo Antunes nada possui de impensado ou surge de forma gratuita, podemos frisar ainda mais a idéia o simbolismo que o pente representa, de elo do passado, visto que até a lata, em que esse é escondido, possui características próprias da infância de Isilda. Ampliando as possibilidades de interpretação, poderíamos nos arriscar a dizer que essa lata de biscoitos protege o seu passado, e ao abri-la e deparar-se com o pente que colheu na cena do crime, ela não apenas volta para o seu passado como também o pode tocar e compreender o momento de sua vida em que a “espécie de grito”  começa a ser nela germinado e a crescer conforme o tempo passa: “e julgo que por essa época me aperceber que havia qualquer coisa de terrível em mim. Acordava a noite com o murmúrio dos girassóis” . A última frase desse trecho é essencial para que saibamos que o que a acorda não são, na verdade, os murmúrios dos girassóis; o que a acorda são os sonhos ruins, é o espancamento do louco da Vila de Nisa do qual está “impregnada”.&lt;br /&gt; É necessário estar clara a relevância desse fato na vida de Isilda, para que entendamos as mudanças comportamentais da personagem com o passar do tempo, de 24 de julho de 1978 a 24 de dezembro de 1995, não como um fenômeno repentino, que se deu em seu interior, mas como a manifestação de traumas e desilusões que vêm se amontoando ao longo de sua trajetória, sem que ela conseguisse se desabafar de algumas delas. A sua ligação com o episódio já mencionado é tão forte que há momentos na narrativa em que ela, para expressar a si mesma, pelo monólogo interior, fluxo-de-consciência, o estado emocional em que se encontra, se identifica com os elementos daquele espaço, como por exemplo, na hora do parto, em que se compara, devido às dores e ao seu medo, ao vitelo esventrado: “eu como um vitelo esventrado a sangrar e a tropeçar nas tripas de cada vez que nasceram, lacerada do pescoço às virilhas a tombar de mim mesma numa agonia exausta” .&lt;br /&gt; Assim, Isilda, em uma tentativa desesperada de se livrar do grito e do vazio que a consomem, se permite engravidar, entretanto nem isso a consegue aliviar a experiência de dor e injustiça vivida no passado: “consenti que o Carlos/ (não o Carlos não)/ se formasse em mim para abafar o grito” . Ao contrário de preencher o vazio ou lhe livrar da dor, o nascimento de seu filho Rui acaba por atormentá-la ainda mais, visto que ele nasce com problemas de nervos, tendo, por vezes, crises de epilepsia, e Isilda cobra-se por isso, atribuindo a ela mesma a culpa pela doença do mesmo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com o pente na palma, sorrindo de desafio para quem me matava porque há qualquer coisa de terrível em mim que vocês desconhecem mas de que os bichos e os pretos se dão conta(...) qualquer coisa de terrível que se prolonga no Rui .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A relação que a personagem estabelece entre o acontecimento vivido no passado e a doença de seu filho fica bastante evidente, porque além de o enredo nos apresentar trechos que nos mostram Isilda a pentear o filho com o pente do louco, ocorrem intercalações, pois a narrativa é toda fragmentada, entre a narração do episódio do Louco de Nisa, e a lembrança de momentos da consulta de Rui, em que o médico revela o diagnóstico, repetindo-se a sua fala por diversas vezes na narrativa: “Um problema no cérebro minha senhora correntes elétricas desordenadas o comportamento dele pode mudar” . E para apagar todas as dúvidas a respeito desse trauma de Isilda que se repercutirá por toda a sua vida, tem-se mais a frente o seguinte trecho, em que essa relação deixa de ser duvidosa para adquirir o caráter de certeza: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os camponeses pegaram no louco de Nisa, pegaram no Rui, trouxeram-no aos encontrões para a eira, começaram a espancá-lo com enxadas e paus sem que o meu filho protestasse, lembro-me de uma oliveira corcunda, do sol, de homens erguendo e baixando os ancinhos, o Rui puxou o pente das calças para arranjar o cabelo e no momento seguinte um calhau esmagou-lhe o peito .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Além de ter de enfrentar seus traumas, Isilda é sobrecarregada pela dupla da tarefa que exerce, visto que tem que cuidar de tudo sozinha, desde os filhos aos negócios administrativos da fazenda, pois seu marido, alcoólatra, é incapaz de tomar qualquer atitude que a ele diz respeito, fugindo a todo o tempo da vida em família e da dele própria: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;passou a orientar a fazenda não do campo mas da varanda do primeiro andar, de copo de uísque na mão e mais um litro oculto em cada armário, sem olhar o arroz, o milho, o girassol, o algodão, sem olhar a mim nem aos filhos” .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fator que abala a personagem, e que aqui podemos denotar, é o seu envelhecimento. Ela não aceita que está envelhecendo e nega as marcas da idade, atribuindo ao espelho as mudanças que percebe em seu rosto: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando à noite sento ao toucador para tirar a maquiagem pergunto-me se fui eu que envelheci ou foi o espelho do quarto. Deve ter sido o espelho: estes olhos deixaram de me pertencer, esta cara não é minha, estas rugas e estas nódoas na pele serão manchas da idade ou o ácido a correr o vidro .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Guerra Civil, a atmosfera que a envolve colabora para que, aos poucos e progressivamente, Isilda vá se perdendo dentro de si mesma, já que o mundo exterior a esmaga. O espaço de sua casa, que lhe era anos anteriores familiar, torna-se desconhecido depois da perda de entes queridos e da partida de seus três filhos para Portugal. Então, com o avançar dos anos e o caminhar da Guerra, a personagem vai perdendo o seu lugar no mundo, o seu espaço de desfaz; ela perde a família, os filhos, os empregados, a fazenda e, por fim, depara-se perdida em uma cidade transformada, destruída:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;não pode ser Luanda porque não encontro, sei lá, Alvalade, encontro destroços sem janelas nem portas, veredas de sobejos, jipes coxos da polícia, barracas no lugar onde moravam meus primos com um mimo representando de defunto pendurado no muro, se batermos palmas levanta-se e agradece, se voltarmos costas pergunta ao contra-regra disfarçado de milícia Fui  bem?&lt;br /&gt;enquanto limpa com o lenço a maquiagem e a graxa . &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, Isilda começa a cada vez mais negar o espaço exterior, ao qual pertence. Ela inventa uma realidade própria, no seu interior, que não deixa de possuir, porém, vínculo direto com o que se passa na realidade concreta de seu tempo presente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;uma cidade inventada pelos ministros de Lisboa a fim de nos enganarem e obrigarem a partir, de que pensássemos &lt;br /&gt;- Pronto a África é dos jingas não é minha acabou-se(...)&lt;br /&gt;- Não me vou embora podem fingir que me matam que não me vou embora ouviram podem fazer o que lhes der na gana que não saio daqui .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notamos, portanto, duas importantes manifestações no comportamento de Isilda: a do desejo de que todo o mal que ela presencia seja uma farsa, como um teatro, para que os portugueses desistam daquelas terras; e a do delírio, que a leva a caminhar por meio ao tiroteio, visto que acredita plenamente na mentira que ela própria inventa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a metralhadora de brinquedo a emitir estalinhos de brinquedo, os cães que sabiam o seu papel de cor trotando para longe de nós, o adericista a despenhar telhas e pranchas, a Maria da Boa Morte a pedir&lt;br /&gt;- Senhora &lt;br /&gt;- Como se tivesse medo e as armas de plásticos disparassem a sério &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O trecho escolhido se caracteriza, assim como os demais trechos do romance, em que Isilda distorce a realidade, levando-a ao limite do fantástico em que tudo seria uma grande encenação, pelo que Mikhail Bakhtin chamou “sério-cômico”. Temos uma heroína desordenada psicologicamente e fracassada nos seus objetivos pessoais no que diz respeito à vida familiar e econômica. Isilda não enfrenta o que se passa, mas foge disso, transformando a Guerra Civil em Angola em um cenário carnavalesco, em que os defuntos desmembrados são atores fantasiados de defuntos, as armas dos soldados são feitas de plástico e o sangue que sai das feridas de morte de sua fiel empregada, por exemplo, é qualquer outra coisa, que não sangue: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a Maria da Boa Morte num papel igual aos atores que representavam cadáveres (...) a alongar uma mancha que não era sangue, tudo o que quiserem menos sangue, não me conseguem convencer que era sangue ao comprido da perna .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, temos nessa obra de António Lobo Antunes, o papel do herói atual que, como todos os seres humanos, é suscetível ao desequilíbrio emocional e comportamental, não se mantendo sempre o mesmo, mas sofrendo transformações variadas. Diz Mikhail Bakhtin a respeito desse tipo de personagem: “falam e atuam na zona de um contato familiar com atualidade inacabada” .&lt;br /&gt;Ao ser capturada pelos soldados de governo, resta a Isilda, envolvida por todo o cenário infecto da Guerra, se mover para o seu espaço interior, idealizado. A personagem realiza, momentos antes de ser assassinada, o seu desejo de estar reunida a sua família em sua casa, espaço que “abriga o devaneio, a casa protege o sonhador (...) a casa é um dos maiores poderes de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem” :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;os meus filhos orgulhosos de mim, o Carlos e o Rui com ternos de domingo, a Lena naqueles exageros servilhanos (...) a Clarisse um bocadinho excessiva na maneira de andar (...) o meu marido sem beber (...) a minha mãe que não conheceu a guerra (...) quando o Fernando trouxer a canja, o peru, o bolo-rei, os sonhos, as fatias douradas, o espumante, o meu marido acender as velas do pinheiro, o Damião a amontoar os presentes contra a jarra...  .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebemos no trecho, que a personagem, nesses momentos, se vê afastada do mundo da consciência de vigília, como em um sonho, que não se dá no sono, mas em um estado que vacila entre a consciência e a inconsciência, como um devaneio, um sonhar acordado, e é dessa forma que ela foge da realidade e concretiza dentro de si a realização do desejo que, de certa forma, está presente em todos os momentos da narrativa em que Isilda é o narrador-personagem: o de ter uma vida familiar em harmonia.&lt;br /&gt;Assim, podemos dizer, que é no devaneio, com a desvinculação da personagem com a realidade, que ela tem o seu desejo realizado, da mesma forma como aquele que tem o sonho proveniente do sono, teoria defendida por Freud, em A interpretação dos sonhos.&lt;br /&gt;Logo, afirmamos que houve no romance todo um caminho traçado e planejado pelo autor para que os delírios e o sonho de Isilda se desenvolvessem de forma verossímil e profunda, mostrando que a Guerra Civil Angolana foi sim grande responsável por esses dois, porém não o único. O azar de ter presenciado, quando criança,a cena de violência contra o louco de Nisa, de ter sido traída pelo marido fracassado e alcoólatra, de ter tido um filho doente e uma filha com opiniões próprias e comportamentais que não condiziam com o que ela, como mãe, acreditava ser o certo, além de ter perdido os pais e ser a única responsável pelo bom andamento, dentro do possível, visto que se encontrava sozinha para resolver qualquer espécie de problema, o cotidiano familiar, foi se acumulando com o passar do tempo e com os incidentes da vida, até que, como forma de sobreviver a tudo isso, inventa pra si um mundo imaginário e ideal, negando e distorcendo a realidade do espaço exterior, que como ela diz: “Não pode ser Luanda porque nunca estive aqui, uma cidade de indígenas construída por indígenas, ruínas amontoadas, pedaços de igreja, trastes na rua, lixo”  (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;,  p. 342). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTUNES, Atónio Lobo. &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.&lt;br /&gt;BACHELARD, Gaston. &lt;em&gt;A poética do espaço&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Eldorado, 19??.&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. &lt;em&gt;Problemas da poética de Dostoiévski &lt;/em&gt;Trad. de Paulo Bezerra ___ Rio de Janeiro: Forense-universitária, 1981.&lt;br /&gt;FREUD, Sigmund. &lt;em&gt;A interpretação dos sonhos&lt;/em&gt;. vol. IV, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1972.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-6316037686461757599?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/6316037686461757599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigoliteratura-portuguesa.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6316037686461757599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/6316037686461757599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigoliteratura-portuguesa.html' title='Artigo:Literatura Portuguesa Contemporânea'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SURZlOBp3wI/AAAAAAAAACg/mAHBzyNyq_o/s72-c/sonho+e+delirio.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-7361272223976495305</id><published>2008-12-13T14:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T14:22:14.242-08:00</updated><title type='text'>Artigo: Literatura e Sala de Aula</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUQ1ikxboVI/AAAAAAAAACA/zvODwrjEp2M/s1600-h/sala+de+aula.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUQ1ikxboVI/AAAAAAAAACA/zvODwrjEp2M/s320/sala+de+aula.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279403531287896402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A literatura e a sala de aula: alienação ou novos horizontes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. &lt;br /&gt;Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos. A raça humana está repleta de paixão.&lt;br /&gt;E medicina, advocacia, administração e engenharia... são objetivos nobres e necessários para&lt;br /&gt;manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos&lt;br /&gt;John Keating &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Escolhi como epígrafe deste meu artigo a fala do carismático e irreverente professor de literatura John Keating, personagem do longa norte-americano Sociedade dos Poetas Mortos (1989), porque nela encontrei a minha resposta para inúmeras questões acadêmicas do mundo das licenciaturas em arte e literaturas, presentes também, muitas das vezes, em nossas escolas de ensino fundamental e médio.&lt;br /&gt; O filme, que completa quase duas décadas, retrata bem a chegada não apenas de um novo professor a uma escola tradicional preparatória dos EUA, mas com ele, e através dele, a chegada de uma nova corrente ideológica de uma diferente forma de se entender e viver a literatura dentro da sala de aula. Se durante séculos, conforme nos afirma Teresa Colomer , a literatura era ferramenta de construção moral e cultural do indivíduo, e chegou ao século XIX com fins didáticos para o desenvolvimento da retórica, atribuindo, conseqüentemente, muito valor aos autores desses textos e, portanto, tornando o ensino da literatura o ensino da vida desses, ou seja, biográfico e mais tarde, em princípios do século XX, teve como objeto primordial a análise e avaliação da sua forma, o que diminuiu a relevância autoral, cabe-nos perguntar qual seria o papel da literatura nos dias de hoje (séc. XXI), em que tanto a formação moral, quanto intelectual do indivíduo (o que se dirá, então, da importância da análise da construção de textos literários?), bastante valorizada séculos atrás, não são tão ou mais relevantes do que o poder de compra e venda do nosso atual sistema capitalista. Em outras palavras, por que e, principalmente, como ensinar literatura na era em que o lucro e o imediato são as forças propulsoras do estar no mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Justificativas variadas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faltam justificativas para a presença da literatura nas escolas, devem ser incontáveis os ensaios, artigos e teses que abarcam essa problemática, o que talvez leve a pergunta “Por que ensinar literatura nas escolas?” parecer redundante; todavia notamos na prática, não somente em sala de aula, mas em demais espaços, que não há excessos ao se formar tal indagação, visto que, no sistema ao qual pertencemos, em que se pretende a unificação do pensamento que visa o lucro imediato, sem o questionamento do indivíduo sobre si e sobre o seu arredor, quanto menos se incita a reflexão, melhor. &lt;br /&gt;No próprio filme hollywoodiano, a resposta sobre a finalidade da literatura aparece com facilidade através das palavras de John Keating, “Devemos constantemente mudar a nossa visão”, sendo o contato com diferentes discursos, tanto de autores variados quanto de formas diversas (poesia ou prosa), o precursor dessa mudança, essencial no mundo que se transforma a cada dia em todos os aspectos possíveis e inimagináveis. Dessa forma, podemos dizer, que a literatura seria uma das responsáveis por renovar os conhecimentos de mundo do sujeito leitor de forma não autoritária: ela renova a partir das próprias reflexões do ledor em contato com o texto e com o mundo, de maneira que ele possa pensar o seu universo e agir na história como um ser crítico, ativo e consciente. &lt;br /&gt;Antonio Cândido trata a questão da possibilidade do acesso à literatura por todas as pessoas como um direito do ser humano: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. (...) a literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual .&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da constatação do teórico, presume-se que, sendo o espaço escolar democrático, ou seja, em que todos, pelo menos a partir da década de setenta, indiferentemente de cor ou de classe social, terão acesso aos mais variados conhecimentos sobre o mundo em que estão inseridos, é por lá que se deve iniciar o ensino de literatura. Logo, se o indivíduo não teria oportunidade de conhecer literatura em casa, com a sua família, porque os pais são analfabetos e, portanto, não possuem livros em casa, ou porque são alfabetizados, mas iletrados , e por isso, mesmo sabendo ler, não têm o convívio pleno com o mundo da escrita e da leitura, será no espaço escolar que a chance de se apropriar cabalmente do mundo da leitura e da escrita lhe será concedida. Além disso, a escola tem a autoridade para permitir que os sujeitos de hoje, tão atribulados com a rapidez e volatilização de informações, devido ao avanço contínuo da tecnologia, designem um tempo para o aprendizado e, portanto, para a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. COMO ensinar literatura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Temos de viver, na prática, o reconhecimento óbvio de que nenhum de nós está só no mundo. cada um de nós é um ser no mundo. com o mundo e com os outros. Viver ou encarnar esta constatação evidente, enquanto educador, significa reconhecer nos outros o direito de dizer sua palavra. Direito deles que corresponde o nosso dever de escutá-los.&lt;/strong&gt;Paulo Freire &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo em uma de suas primeiras aulas, o professor John Keating, após abrir o livro didático de literatura, pede para que um dos alunos comece a ler o primeiro capítulo cujo assunto é poesia. Antes que o estudante termine a leitura em voz alta do primeiro parágrafo, o professor o interrompe dizendo: “Como pode descrever a poesia como se fosse um concurso?”, e logo após ordena sem hesitação que os alunos rasguem e lancem ao lixo o primeiro capítulo sobre poesia do livro didático.&lt;br /&gt; Não pretendo defender nenhuma diretriz sobre teoria da literatura, mas certamente essa cena de &lt;em&gt;Sociedade dos poetas mortos &lt;/em&gt;é um convite para a pergunta que intitula o meu presente artigo: afinal, o que pretendemos ao ensinar literatura nos colégios, “moldar o gosto e restringir a criatividade”  e, portanto, fazer do aprendizado um acontecimento “limitado e isolado do mundo” , ou tornar as nossas crianças e adolescentes sujeitos leitores de literatura, e a partir dessa, conscientizá-los sobre o estar no mundo como sujeito de sua própria história e da história de seu país?&lt;br /&gt; As justificativas para que se mantenha o sistema atual de ensino de literatura, que consiste em ler alguns poemas e trechos de romance, ora escolhidos apenas pelo professor, sem que se realize um diálogo com os alunos, ora oferecidos pelo próprio livro didático, são várias: a indisponibilidade de tempo do professor - que tem que trabalhar em mais de duas escolas, devido ao baixo salário - para a leitura de novos romances e poetas, um cronograma exigido pelo vestibular, a competitividade do mundo das letras com o mundo digital entre outras.&lt;br /&gt; Admito que existe na área da educação de nosso país inumeráveis motivos de descaso responsáveis por desestimular professores e alunos. Mesmo assim, acredito que se olharmos para exemplos não apenas ficcionais como John Keating, mas reais, como Frank McCourt, autor de &lt;em&gt;Ei, professor&lt;/em&gt; , poderemos alcançar nosso objetivo de formar cidadãos leitores de literatura, tendo o livro didático como mais uma ferramenta apenas para o aprendizado, e não como base ou direcionamento para as aulas, visto que esse (o aprendizado) deve ser construído pelo professor junto com os seus alunos, tendo o professor que se manter atualizado a cada ano, a cada turma, e cada turma ter que se comportar de forma ativa no universo escolar construindo através da troca de informações de mundo e de materiais diversos o seu conhecimento.&lt;br /&gt; Antes de tudo, é preciso, segundo Paulo Freire, reconhecer que não há neutralidade no que diz respeito à educação, ou seja, direcionando essa constatação para dimensões menores, microscópicas, o professor, em sala de aula, estará sempre defendendo algum ponto de vista, alguma verdade em que acredita, portanto aconselha: “o que devemos fazer, enquanto educadores, é aclarar assumindo nossa opção, que é política e sermos coerentes com ela na prática” . Nas palavras de Frank McCourt: “é preciso abrir seu próprio caminho na sala de aula. É preciso descobrir a si mesmo. É preciso criar um estilo próprio (...) É preciso dizer a verdade senão os alunos vão desmascará-lo” .&lt;br /&gt;  Neste artigo defende-se, desde o princípio, o ensino de literatura como libertação e não como alienação, ou seja, como construção pelo leitor, em contato com a obra, de significados e ideologias presentes na literatura; e não apenas como repetição do que já vem pensado no material didático sobre as obras literárias, por exemplo, e, por isso, cabe-nos defender também a prática do ensino de literatura em sala de aula a partir da participação ativa dos alunos, reconhecendo-os, já no espaço escolar, como agentes da história, visto que “não é o discurso que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso” .&lt;br /&gt; Agora que já estamos conscientes da importância da literatura nas escolas e da visão política adotada – a que nega a literatura em sala de aula como mais um meio de manipulação e, ao contrário disso, preza a “participação dos educandos no ato de conhecimento de também são sujeitos”  – podemos conjeturar acerca dos empecilhos encontrados no próprio sistema escolar - na direção das escolas, fora das salas de aula – e de soluções para os mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Um sistema incoerente (e respostas coerentes)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os alunos das minhas turmas, adultos entre dezoito e sessenta e dois anos, achavam que a opinião deles não valia nada. Quaisquer idéias que tivessem provinham todas da avalanche da mídia do nosso mundo. Ninguém jamais lhes disse que tinham direito a pensar por conta própria &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; O reconhecimento de que “ninguém sabe tudo e ninguém ignora tudo” , defendida por Paulo Freire, e encarnado na postura de John Keating e Frank McCourt , por exemplo, na sala de aula, trouxe a ambos grandes problemas. Frank McCourt foi convidado a deixar uma escola mais tradicional, devido ao seu “irregular” comportamento, perante e com os alunos, como transformar receitas culinárias em poemas; já Keating, além de receber olhares reprovadores de superiores da hierarquia escolar e de colegas também professores - quando não de próprios alunos mais conservadores do que os demais - foi moralmente responsabilizado pelo suicídio do estudante Neil Perry, por Robert Sean Leonard, sendo demitido. Perry, opta por tirar a própria vida, quando se vê impedido pelo pai de seguir a carreira de ator.&lt;br /&gt; O que esses dois professores fizeram e nos servem de matéria para reflexão, foi dar voz aos alunos, reconhecendo-os como cidadãos agentes da história; e por isso foram massacrados pelo sistema escolar incoerente no que diz respeito ao seu discurso libertário e à sua prática pedagógica extremamente autoritária. Atuaram como elementos capazes de realizar as transformações anunciadas por Freire: &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo penetram a intimidade das instituições pedagógicas em que a educação sistemática se está dando e alteram seu papel ou seu esforço reprodutor da ideologia dominante &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Acredito portanto que, enquanto encontrarmos resistência e receio do que o outro tem a dizer, enquanto houver censura dissimulada sobre a leitura de obras literárias, não será redundante perguntar sobre o papel da literatura nas escolas, e nem qual a melhor forma, se é que essa existe, de se ensinar literatura de modo que ela não seja apenas mais um objeto que contribua para o comodismo e a alienação, mas para a libertação, a construção da visão crítica e consciente sobre o mundo, abrindo, e não fechando, janelas, para novos horizontes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;CANDIDO, Antonio. &lt;em&gt;Direitos humanos e... &lt;/em&gt;. São Paulo: ed. Brasiliense, 19??&lt;br /&gt;COLOMER, Teresa. &lt;em&gt;Andar entre livros&lt;/em&gt;. São Paulo: ed. Global, 2007&lt;br /&gt;FREIRE, Paulo. &lt;em&gt;A importância do ato de ler&lt;/em&gt;. São Paulo: Cortez, 1988&lt;br /&gt;McCOURT, Frank. &lt;em&gt;Ei, professor&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: ed. Intrínseca, 2006.&lt;br /&gt;SOARES, Magda. &lt;em&gt;Letramento: um tema em três gêneros&lt;/em&gt;. Belo Horizonte: ed. Autêntica, 2006.&lt;br /&gt;WEIR, Peter. &lt;em&gt;Sociedade dos poetas mortos&lt;/em&gt;. 1989. cor. 129 min., Buena Vista Pictures.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-7361272223976495305?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/7361272223976495305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigo-literatura-e-sala-de-aula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7361272223976495305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/7361272223976495305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/artigo-literatura-e-sala-de-aula.html' title='Artigo: Literatura e Sala de Aula'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUQ1ikxboVI/AAAAAAAAACA/zvODwrjEp2M/s72-c/sala+de+aula.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2402659983399034125.post-2590845642067750434</id><published>2008-12-13T08:19:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T08:36:50.490-08:00</updated><title type='text'>A sobreposição dos espaços em O esplendor de Portugal</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUPkiERRE4I/AAAAAAAAAB4/A9yzb2VT2Rc/s1600-h/oep.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 310px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUPkiERRE4I/AAAAAAAAAB4/A9yzb2VT2Rc/s320/oep.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279314462121202562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A SOBREPOSIÇÃO DOS ESPAÇOS EM &lt;em&gt;&lt;em&gt;O ESPLENDOR DE PORTUGAL&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                      MARCELA TEIXEIRA BARBOSA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Espaço é sinônimo de simultaneidade, e é por meio desta que se atinge a    totalidade da obra.&lt;br /&gt;(Luis Alberto Brandão, &lt;em&gt;Espaços literários e suas expansões&lt;/em&gt;, 2007, p.210) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acompanhados pela ironia de António Lobo Antunes, deparamo-nos, a cada releitura de &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt;, com a possibilidade de olhar novamente para o período de decadência colonial português e em especial para A Guerra Civil angolana de 1975 a 2002. O romance, de estrutura psicológica e composto por quatro focos narrativos, conta a estória da família de Isilda (uma das personagens e dos narradores) que, em meio a tantos problemas,  como o alcoolismo, o adultério, a doença e o falecimento de entes queridos, se vê, devido à guerra, obrigada a se separar, tendo os três irmãos, filhos de Isilda, que fugir para Ajuda, em Portugal, e a mãe que permanecer na fazenda de Malanje junto aos seus empregados.  &lt;br /&gt; Bastante caracterizada pela sua fragmentação, a obra contemporânea nos permite também discutir a nova concepção do homem moderno sobre a realidade, que não é mais concebida na forma romance somente a partir do tempo cronológico, em que passado, presente e futuro se dão linearmente sem se misturarem. Ao contrário disso, &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt; denota a apreensão da realidade como aquela que é criada e recriada pelo homem, a partir de sua consciência; e com ele, concomitantemente às suas ações no meio: “espaço e tempo, formas relativas da nossa consciência, mas sempre manipuladas como se fossem absolutas, são, por assim dizer, denunciadas como relativas e subjetivas” (ROSENFELD, 1976, p. 81). &lt;br /&gt; Dessa forma, quando se fala em sobreposição de espaços neste trabalho, procura-se apontar para o deslocamento repentino dos narradores-personagens entre um espaço e outro, independentemente se esse deslocamento é realizado entre o chamado espaço abstrato, recuperado no passado pelas lembranças daqueles e, de certa maneira, recriado pela memória de cada um, e o espaço concreto, no qual o personagem se encontra no tempo presente.&lt;br /&gt; É de nosso interesse reconhecer, portanto, algumas das características estruturais desse romance de cunho memorialístico e psicológico que possibilitam a mudança ou o permeio dos narradores-personagens por esses diferentes espaços encontrados na obra. Uma dessas características é a forma como se dá o deslocamento do espaço, que não depende de uma aparente ordem exterior e macroscópica, em que tudo se sucede linearmente; ao contrário disso, está diretamente relacionado à ordem interior, ou seja, à memória dos personagens, mostrando, através de recursos da linguagem - como a interrupção de orações e a repetição de frases ou de alguns trechos do enredo - que “Em cada instante, a nossa consciência é uma totalidade que engloba, como atualidade presente, o passado e, além disso, o futuro, como um horizonte de expectativas” (ROSENFELD, 1976, p. 82):&lt;br /&gt;  &lt;strong&gt;a Lena gorda e de cabelo pintado acabou de secar os pratos, empilhou-os no armário, tirou as luvas e saiu para a sala onde estava o pinheiro de Natal (...)&lt;br /&gt;-Já não vês os teus irmãos há 15 anos&lt;br /&gt;fiquei sozinho na cozinha a ouvir o zumbido do frigorífico e a olhar os morros da Almada, a olhar a fazenda do postigo do jipe a medida que nos afastávamos&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 12)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Notamos, no trecho acima, que o narrador-personagem descreve a cena de seu tempo presente – Lena arrumando a cozinha após o almoço – ao mesmo tempo em que ressoa na sua mente a fala da esposa, dita anteriormente durante o almoço, “- Já não vês seus irmãos há quinze anos”. No momento seguinte, o movimento de sobrepor o espaço passado sobre o espaço presente é bastante explícito, pois sem nenhum aviso do narrador, o personagem Carlos, que se encontrava na cozinha de sua casa, está nas orações seguintes dentro de um jipe em Angola. Tal movimento é um traço importante para mostrar que os personagens, assim como nós, seres humanos, não pertencem apenas a um único espaço, o concreto do presente, mas a todos os outros nos quais estiveram no passado, principalmente aqueles onde passaram a infância e a juventude.&lt;br /&gt;     Sabemos que o ato de leitura se dá de maneira linear e seqüencial, ou seja, “os signos dispõem-se uns depois dos outros numa sucessão temporal ou espacial” (FIORIN, 2006, p. 65), por isso para alcançar o efeito de simultaneidade, o de que há diversas coisas acontecendo ao mesmo tempo, claramente demonstrado no trecho selecionado e alcançado durante todo o romance, é preciso causar uma aparente desorganização estrutural, “uma continuidade que aparece no seio da descontinuidade" , visto que se segue a ordem da consciência, do fluxo psíquico, alterando, portanto, a ordem comum em enredos tradicionais, que se baseavam na lei de causa e efeito: “com seu encadeamento lógico de motivos e situações com seu início, meio e fim” (ROSENFELD, 1976, p. 84). Sendo assim, podemos fazer uma analogia entre o que afirmou Joseph Frank a respeito da poesia moderna e a estrutura de fluxo de pensamento e a fusão dos tempos e espaços desenvolvidas em O Esplendor de Portugal: “A relação do sentido é completada somente pela percepção simultânea, no espaço, de grupos de palavras que não possuem nenhuma relação compreensível entre si quando lidos consecutivamente no tempo” .&lt;br /&gt;      Assim, como pudemos perceber no exemplo, em O Esplendor de Portugal, as orações e o enredo, que é extremamente recortado, não obedecem a uma ordem lógica pré-estabelecida, e, por isso, exige a leitura atenta, visto que nem os narradores se mantêm os mesmos, revezado-se dois, um a cada capítulo (Carlos e Isilda na Primeira Parte; Rui e Isilda na Segunda e Clarisse e Isilda na Terceira), o que oferece ao leitor diferentes visões sobre um mesmo espaço compartilhado por todos eles no passado. Logo, podemos afirmar que a sobreposição dos espaços é realizada pelo menos de duas maneiras: através do deslocamento psíquico dos personagens entre o espaço de Portugal, no presente, para o de Angola, no passado; e através das narrações desenvolvidas por cada um, que ao mesmo tempo em que se sobrepõem, pois cada um irá expor seu ponto de vista, se complementam, visto que abordam situações subjetivamente, dando ao romance o caráter de mosaico, “de uma série de elementos descontínuos” (BRANDÃO, 2007, p. 210) que se encontram na totalidade do romance e formam o todo compreensível. &lt;br /&gt;       Encontramos no texto a fusão entre o espaço concreto (do presente) e o espaço abstrato (do passado ou do futuro), que segundo Luis Alberto Brandão, em seu artigo Espaços literários e suas expansões, podem ser “partes autônomas, concretamente delimitadas, mas que podem estabelecer relações entre si”, ao mesmo tempo em que são também “a interação entre todas as partes, aquilo que lhes concede unidade, a qual só pode se dar em um espaço total, absoluto e abstrato, que é o espaço da obra” (BRANDÃO, 2007, p.210). Exemplo disso está em um dos fragmentos finais do romance, em que, por se encontrar em um angustiante espaço concreto, devastado pela guerra, Isilda imagina-se em uma reunião familiar na noite de Natal: ela cria um espaço abstrato onde realiza o seu grande desejo de estar junto à família. Vemos, então, o espaço da guerra e o outro da ceia de Natal se formarem como partes autônomas, a concreta e a abstrata, e mesmo assim manterem relações entre si, ao mesmo tempo em que se unem formando o espaço absoluto: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;as paredes da sala, os bibelôs, os quadros a ecoarem segundo o ritmo das árvores e a cadência das ondas como o algodão durante o jantar quando o Fernando trouxer a canja, o peru, o bolo-rei, os sonhos, as fatias douradas, o espumante, o meu marido acender as velas do pinheiro, O Damião a amontoar os presentes contra a jarra (...) os tratores à porta do armazém, os pavios da senzala confundidos com as escamas do rio e as arestas da pedra onde as mulheres lavavam roupa de manhã, dizer ao Fernando que sirva a canja e o peru enquanto não me mandam subir ara a camionete com os restantes dos condenados&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 373).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Outra importante característica estrutural da obra é a polifonia, que funciona como  recurso para mostrar que nem o espaço, ao qual o homem está ligado, nem o próprio homem, possuem traços tão nítidos e acabados que possibilitem somente uma única visão ou um único entendimento a respeito deles, bastando somente um novo olhar para que formas consideradas prontas e imutáveis sejam desmontadas para depois serem remontadas diferentemente, sob outro foco. Enquanto Isilda faz digressões ao passado, ora porque não reconhece mais a sua casa depois da partida dos filhos para Portugal, ora porque não reconhece a cidade de Luanda, devido à Guerra que a transformou em “cidade dos defuntos”, os seus filhos se vêem presos ao espaço de Angola não somente pelo sentimento de nostalgia do que era e do que poderia ter sido, como se pode pensar, mas porque além de terem deixado inúmeras situações familiares mal resolvidas, percebem-se no presente em um espaço no qual não se sentem aceitos. Resta-lhes fugir para um espaço seguro no passado, ou idealizar o futuro. Carlos, por exemplo, para se livrar da solidão, idealiza a chegada de seus irmãos à ceia de Natal que preparou em sua casa, chegando ficar horas numa contagem obsessiva enquanto os espera: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;eu a contar até cem, até quinhentos, até mil certo que viriam porque mandei um telegrama (...) o Rui daqui a nada no apartamento comigo a oferecer-me um porta-retratos ou um cinzeiro ou um livro, normalíssimo, de sapatos engraxados (...) a Clarisse que daqui a nada me vai saltar ao pescoço agradecida do perfume, (...) a Lena, a Clarisse e o Rui e eu quinze anos depois como se estivéssemos em África &lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, pgs. 20, 38, 43 e 47).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Notamos, então, mais uma relevante função do elemento espaço e de suas sobreposições: a de apontar personagens incompletas e ambíguas, que buscam recordações e reflexões sobre outros tempos e espaços para, se não preencher, pelo menos tentar entender o vazio interior que lhes incomoda, oriundo talvez da falta de afetividade familiar e da ausência de um lugar próprio no mundo, muito bem expresso pelo pai de Isilda, que já previa a expulsão dos portugueses das terras africanas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;expulsos através dos angolanos pelos americanos, os russos, os franceses, os ingleses que não nos aceitam aqui para chegarmos a Lisboa onde não nos aceitam também, carambolando-nos de secretaria em secretaria e ministério em ministério por uma pensão do Estado, despachando-nos como fardos de quarto de aluguel em quarto de aluguel nos subúrbios da cidade &lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 244 e 245).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seria, entretanto, um grande equívoco considerar que a função do espaço consiste principalmente em melhor caracterizar os personagens, ou seja, ressaltar e enfatizar as suas personalidades. Primeiro, porque, como já discutimos aqui, as personagens desse romance não são delimitadas, maniqueístas e imutáveis. Percebemos, por exemplo, mudanças comportamentais e psicológicas que se dão de forma gradativa em Isilda conforme ela avança no seu percurso pelo território angolano, de Malanje à Luanda. Os “caminhos” percorridos pelos três irmãos, que os levaram a se encontrarem na maneira como os conhecemos, isolados uns dos outros e ao mesmo tempo tão próximos, também são aos poucos revelados, visto que a narrativa é fragmentada e a narração dos mesmos se passa cronologicamente em apenas um dia, no Natal de 1995. Tal esclarecimento, segundo George Lukács, é indispensável, principalmente quando está diretamente relacionado ao enredo, como acontece em &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Muitos escritores sentem a necessidade de tornar conhecida a vida íntima dos seus personagens: e isso, sem dúvida, já constitui um avanço. (...) esta vida íntima só pode, também, se tornar significativa, quando ligada ao entrecho de um romance, como premissa, etapa ou conseqüência de uma ação individual. Em si mesma, a descrição estática da vida íntima é tão natureza morta como a descrição das coisas.&lt;/strong&gt; (LUKÁCS, 1968, p. 96).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Segundo, porque o espaço é, obviamente, essencial para o bom desenvolvimento do enredo historiográfico. Assim, há momentos na narrativa em que o espaço surge como denúncia da destruição acarretada pela guerra, e da crueldade humana, sendo descrito de forma bem nítida, para que fique bastante demarcada a diferença entre os dois espaços referentes ao mesmo lugar, como por exemplo, a cidade de Luanda: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Luanda era a cidade dos defuntos, ocupada da marginal aos musseques pelo cheiro e os vapores dos defuntos que afugentavam os vivos, mesmo os catangueses de colares de orelhas que se alimentavam de texugos, mesmo os cubanos que juravam alimentar-se de placentas de grávidas, mesmo os mendigos da baía que se alimentavam de si próprios com uma boca virada para dentro a mastigar a mastigar, como Luanda era a cidade dos defuntos &lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, pgs. 316 e 317). &lt;strong&gt;Não pode ser Luanda porque não encontro a Samba Pequena, a Samba Grande, a Corimba, o barco do Mussulo.&lt;/strong&gt; (p. 344)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A denúncia é igualmente bem realizada através da ironia presente na descrição da fazenda, por exemplo, ocupada pelos trabalhadores africanos, que se encontram em estado deplorável de saúde, higiene e, enfim, de direitos humanos básicos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;não se cansavam de morrer de ambiana mal chegavam em camionetes de gado, fingindo-se moídos da viagem para não trabalhar, desatavam logo com vômitos e febre, o administrador teimava que agonizavam de propósito, introduzia um cubo de gelo no anus do soba para servir de exemplo mas na quarta-feira já o soba estava morto e enterrado e os súditos, fidelíssimos, apressavam-se a copiá-lo&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;O.E.P&lt;/em&gt;, p. 17).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Torna-se redundante dizer, que, de acordo com algumas das características e das funções espaciais aqui denotadas, António Lobo Antunes alcançou profundidade em sua obra, pois, além de muitos outros fatores, não se prendeu a elementos superficiais no romance, como descrições exaustivas sobre o espaço exterior, da mesma maneira como não menosprezou esse espaço concreto, dando-lhe destaque, quando necessário para o bom desenvolvimento do enredo; assim como não se perdeu em digressões sem sentido ou que seriam dispensáveis a leitura da obra: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o grande escritor deve observar a vida com uma compreensão que não se limite à descrição da superfície exterior dela e nem se limite à colocação em relevo, feita abstratamente, dos fenômenos sociais: cumpre-lhe captar a relação íntima entre necessidade social e os acontecimentos da superfície, construindo um entrecho que seja a síntese poética dessa relação, a sua expressão concentrada&lt;/strong&gt; (LUKÁCS, 1968, p. 95).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Podemos então dizer que o conhecimento do espaço do romance &lt;em&gt;O Esplendor de Portugal&lt;/em&gt; ocorre ora através das lembranças do espaço pertencente à memória dos narradores-personagens de tempos passados em Angola, mostrando o quanto eles se encontram enraizados à terra africana, ora através da “volta” dos mesmos ao contexto atual, em Ajuda, seja por um ruído de carro que passa pela rua e alerta Carlos, que aguarda os irmãos ansiosamente, seja pelo desenho animado que passa na televisão e atrai a atenção de Rui ou pelo despertar de Clarisse, que dorme à janela. Aos poucos, o leitor conhece a sala da fazenda de Malanje, a sala do apartamento de Carlos, a clínica em que Rui se encontra internado e a sala da casa de Clarisse, por exemplo. O espaço não é descrito linearmente, pois não estaria de acordo com a estrutura fragmentada do romance; ele surge junto às ações dos personagens que nele atuam, mais narrado do que descrito. Não devemos esquecer de apontar para o caráter essencial de todos os objetos que preenchem o espaço e, por isso, não aparecem gratuitamente na narrativa. Sabemos que há estante com gavetas na sala, porque é nelas que Amadeu esconde as suas garrafas de bebidas alcoólicas, e é na bebida que ele se esconde da vida; tomamos conhecimento do grande relógio da fazenda de Malanje, porque é ele que mantém, como acreditava Carlos na sua infância, viva e segura a sua família, assim como vemos as máscaras decorativas na sala de Lena, porque essas falam a Clarisse. Logo, torna-se relevante dizer que os elementos espaciais representam sempre algo que diz respeito à história dos personagens. É na segurança da casa que os filhos de Isilda buscam se encontrar, voltando-se para a sua história, porque “a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador (...) a casa é um dos maiores poderes de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem” (BACHELARD, p.23). É por isso que Isilda cria em sua mente, como uma fuga da realidade dura da guerra, uma “casa” em harmonia, pois essa é a maneira por ela encontrada para se proteger da realidade concreta. Enfatizamos, para concluir, a importância da sobreposição desses objetos, espaços, e por que não, narradores-personagens, na estrutura narrativa da obra, que contribuem para o chamado efeito de simultaneidade, permitindo uma apreensão mais complexa e ambígua sobre a realidade e sobre o ser que a ela pertence, tornando o romance um todo fragmentado, que possibilita diversas janelas de interpretação relacionadas à montagem desses fragmentos pelo leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAL BIBLIOGRÁFICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ANTUNES, Atónio Lobo. O Esplendor de Portugal. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.&lt;br /&gt;BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Rio de Janeiro: Eldorado, 19??.&lt;br /&gt;BRANDÃO, Luis Alberto. Espaço literário e suas expansões. Separata de: Aletria: v. 15, p., 207-220, jan./jun, 2007. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIMAS, Antônio. Espaço e romance.São Paulo: Ática, 1985&lt;br /&gt;HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1991&lt;br /&gt;LINS, Osman.  Lima Barreto e o espaço romanesco. São Paulo: Ática, 1976.&lt;br /&gt;LUKÁCS, George. Narrar e descrever_ in: Ensaios sobre literatura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUKÁCS, George. A teoria do romance: Um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande épica. Trad. de José Marcos Mariani de Macedo___ São Paulo: Editora 34, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROSENFELD, Anatol. Texto e contexto. Rio de Janeiro: Perspectiva, 1976.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2402659983399034125-2590845642067750434?l=martigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://martigos.blogspot.com/feeds/2590845642067750434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/sobreposio-dos-espaos-em-o-esplendor-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2590845642067750434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2402659983399034125/posts/default/2590845642067750434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://martigos.blogspot.com/2008/12/sobreposio-dos-espaos-em-o-esplendor-de.html' title='A sobreposição dos espaços em O esplendor de Portugal'/><author><name>Mar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00445177750925002829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/Sl97alixbRI/AAAAAAAAAHo/3AF3bcZJLEc/S220/rosto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HfjddDf3Fts/SUPkiERRE4I/AAAAAAAAAB4/A9yzb2VT2Rc/s72-c/oep.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
